domingo, 19 de abril de 2009

santa clara-a-velha



a vida pula e avança.

ontem o sbording ganhou, e parece que ninguém percebeu porquê... claro que não percebeu, tinham de ter estado em minha casa, na minha sala, para perceberem.

também ontem, reabriu ao público (parece), depois de muitos anos de arqueologia e projectos de reutilização, a velha igreja de santa clara-a-velha, sita em santa clara-a-velha.

local cheio de histórias, públicas e privadas (a primeira vez que nela me deti, encontrei um colega de faculdade, ambos tínhamos vindo fazer a inspecção militar a santa margarida, retornávamos ao quartel, eu vinha de jantar e sexo na banheira, estava mais animado que ele), alagada há décadas em virtude de nível freático inferior à cota do mondego (o nível, mademoiselle, o nível. ou como dizem os espanhóis, o nivél), estará (de acordo com projecto publicado) desafogada.

engraçado, como até edifícios se podem salvar. meio triste que sejam escolhidos a dedo (boa escolha do dedo, neste caso), tantas vezes injusto naqueles que aponta. faz-nos ter esperança que seja possível desatolar tudo, por mais lama que tenham em volta...

eu não fui à inauguração, por dois motivos:

um, não sou dado a inaugurações. por vezes acontece ir às de clientes meus (travaille oblige), acontece até nem me arrepender, mas nunca gosto muito da ideia de ir, antes de realmente ir. assim que me lembre, fui à do dolce vita, seca brutal (mas o pós inauguração valeu o frete).

outro é que ando com uma nuvem muito escura em cima da cabeça, sempre que saio de casa, tromba de água. já me disseram que sou eu que faço chover, mas acontece que também chove quando estou em casa (pode-se considerar que tenho uma nuvem tão negra que até funciona debaixo de telha, parece-me explicação justa). não quis eu que, depois de tanto trabalho a bombear água dali para fora, fosse a minha nuvem alagar-lhes o serviço de novo (haja sentido cívico)...

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