sábado, 29 de agosto de 2009

nada menos que tudo



há coisas (situações, pessoas, princípios, propostas, sentimentos) que, pela intensidade, só se satisfazem por inteiro. exemplos:

ser "um pouco" mentiroso...

uma proposta de trabalho sem responsabilidade criativa (ou, para quem prefira a perspectiva, sem ordenado ou honorários)....

amar alguém que não está inteiro para se dar (ou livre, de alma)...

ser pai sem puder estar com o filho....

ir retribuir uma gentileza se não se apreciou o que se retribui...

nestas coisas (como noutras), nada menos que tudo, é mesmo nada (ou outra coisa qualquer).

p. s.- não é uma questão de perfeição, é de sanidade mental.

p. p. s.- a ilustração é meio dramática, ficou porque gostei do modo como ilustra o tudo. e porque desenhos com fundo negro resultam graficamente neste blogue.

olhos azuis



há uns anos valentes, aconteceu uma coisa (que se repetiu, aliás. erros repetidos são sete vezes mais amargos)
que me deixou uma impressão para a vida. impressão duradoura, não intensa, no entanto, pelo que pude diluir o sete da repetição do erro.

hoje, por associação de ideias, recordei-a, e encontrei uma maneira de a expressar que me agradou. e porque hoje foi dia de generosidades, em todos os sentidos e direcções, vou deixar-lhes uma lição para a vida (lição seguramente duradoura, na aplicabilidade, e eventualmente intensa, porque há olhares que penetram mais do que outros):

olhos turquesa não mentem, tem a cor e brilho das lâminas dos punhais.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

ontem foi dia



ontem fotografei. não foi a modelo original, já começamos com pouca luz, mas foi uma moca, fiquei mui satisfeito com resultados (fica amostra sem a menina, questões de privacidade).

acho que tenho vício novo, estou a aceitar inscrições: oferece-se horas divertidas, cópias digitais, banho de espuma, refeição e sobremesa.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

another thought, após divagações



p(re) s(criptum)- tive um professor na faculdade que cultivava uma atitude rebelde (mais atitude que rebeldia, e ainda a misturava com uma dose generosa de parvoíce) que, em certa aula, e para deixar impacto, afirmou que era muito complicado aos arquitectos (ele cingiu-se ao género masculino, mas não excluiu o feminino, explicitamente) manter relações sentimentais. quando achou que tinha a nossa atenção, explicou que tal se devia ao facto de, frequentemente, enquanto amavam, lhes ocorrer determinada solução de projecto, que os levava a levantar-se, deixando a pessoa amada a meio da transpiração, e ir desenhar (suponho que nem deu conta que afirmava ser um amante de merda...).

(continuação de p. s.) ora isto não acontece com todos os arquitectos (acho até que acontece com mui poucos), comigo nunca se passou (se há coisa que me gabam é a intensidade de entrega) e convenhamos que é desagradável e deselegante: se é para amar alguém, que seja inteiros.

(continuação de p. s.) a mim, as soluções, ideias, pensamentos, de ruptura saem quando estou deitado sozinho (quantas vezes depois de olhar o desenho horas a fio sem produzir nada de jeito), a ler, enquanto alguém cozinha, sentado numa esplanada ou a andar. o pensamento deste post surgiu a andar, quando sentei na esplanada já o tinha.

(continuação de p. s.) (parênteses) não foi a afirmação mais idiota que ouvi a um professor na faculdade, porque um outro avançou que gostava muito de conversar e debater com pessoas que tivessem ideias semelhantes às dele (vossaxulência tem toda a razão; não, vossamercê é que tem; perdoe, a sua perspectiva do assunto é sublime; ora, fica a léguas da sua genialidade)....

p(os) p(pre) s(criptum) (ainda antes do post)- está a demorar, este, mas aconteceu outra coisa que me recordou outra coisa, que aproveito para escrever, já que se trata de uma sequência de raciocínios, ainda que independentes entre si. entre o pensamento do post e sentar na esplanada, encontrei uma amiga de anos, que me falou de algo que me recordou isto:

(continuação de p. p. s.) um advogado que conheço afirmava muitas vezes que a idade acentua o carácter das pessoas: se forem de boa natureza, melhoram com a idade, e se forem ruins, azedam ainda mais. quando isto vinha à conversa, eu concordava condicionalmente, porque gosto de deixar aberta uma porta para que gente ruim se "salve" (cada um é como é e aprende o que quer).

(continuação de p. p. s.) outro aspecto, para além da idade, que eu acho acentua o carácter das pessoas (neste caso, mulheres) é a gravidez: algumas florescem radiosas, ficam lindas, fazem o mundo girar gentil; outras, batocam, rodeiam-se de medos e riscos, têm nas mãos o que é belo e apertam até esmagar.

...

o corpo do post, propriamente escrito, o que me surgiu quando andava:

uma alma livre é aquela que pode afirmar (sendo justa a afirmação): "eu escolho onde me gasto".

just a thought



já ia a sair, derrubar umas burocracias, e reparei numa nota que tinha aqui na mesa. eu rascunho notas, frases de filmes, versos de texto, pedaços de letra de música. esta é de um filme, rtp memória, nem sei como se chama, e vou utilizar para escrever o seguinte:

a quantas pessoas e quais diria cada um(a): "one of the nice things about this world, ................... , is your presence in it"?

para os(as) mais ousados(as), quantas pessoas e quais, pensam vós, colocariam o vosso nome no tracejado?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

a história dos três leitõezitos



p(re). s(criptum)- sem me dar conta antes, dei agora, iniciei um ciclo, aqui: save the wolf ('s image in children (and adult) imaginarium). comecei com o capuchito verde, segue já a seguir.

era uma vez três leitõezitos, gordos como porcos, porcos como porcos e preguiçosos como mexicanos durante a siesta.

aliás, nem todos três tinham estas três características: um deles tomava banho regularmente, para galhofa dos irmãos, que faziam questão de o conspu(o)rcar (isto vai cheio de jogos de palavras) mal saia da tina (tina, aqui, não vem de cristina, era onde o leitão se lavava). por isso, todo santo (ou pecador) dia, havia galhofa, grunhidos gritados e chorados.

a mãe dos leitões não concordava lá muito com a relação do esquesitóide com a tina, mas mãe é mãe, preocupa-se com os filhotes todos, mesmo que cheirassem a sabonete de groselha. vai daí, era a que grunhia mais alto, durante a discussão pós banho, e grunhia até os bácoros se calarem. isto todos os dias, santos ou pecadores.

ora acontece que um lobo, vizinho das redondezas, gostava de dormir até tarde, muito tarde. e todas as santas (normalmente pecadoras, da fama não se livrava) manhãs, acordava com a grunharia na pocilga. convenhamos que há limites para a paciência lupina, e numa das mal dormidas madrugadas, resolve o lobo levantar-se (devagar, re-focando a verticalidade) e ir, educadamente, apresentar reclamações.

os leitões, ao verem o lobo chegar, ficaram ainda mais excitados: eram amigos de longa data (não muito longa de anos, eram leitões, não porcos, mas idade relativa, desde toda a porca da vida, quase). a porca, invejosa da amizade dos filhotes (tinha enfiado na cabeça que iam, os leitõezitos, deixa-la para ir viver com o lobo, mais atinado e divertido que ela), fazia o possível para manter afastado o rival imaginário, por vezes com requinte de malvadez (chegava a libertar uma quantidade quase tóxica de gases) e mesquindade ("os leitões estão a comer, não querem falar consigo, senhor lobo"). educadamente, distribuindo carinhos pelos pequenitos, o lobo dirigiu-se a porca:

- bom dia, dona porca, como tem passado?

- ora vejam quem aparece, se não é o mandrião do senhor lobo. que cara de sono, deitou-se tarde, namorada nova, de certeza, e trabalhar, nada....

o lobo, para não descer degraus, pediu aos rapazes que não gritassem até terem acabado de almoçar (tendo em conta que eles demoraaaaaavaaaaam a comer, era tempo de sono suficiente), e combinou com eles contar-lhes, enquanto faziam a digestão, uma das suas histórias. era argumento de terminar qualquer discussão infanto-suína, discussão terminada, despede-se o lobo:

- então resto de boa manhã, dona porca.

- vá arranjar trabalho, seu preguiçoso, eu sei perfeitamente educar os meus leitões e eles guincham o que quiserem....

ainda ela prégava, já o lobo dormia, sonhava com uma história que faria os três leitões passar a tomar banho todos os santos (ou não) dias.

p(os). s(criptum)- adoro contar histórias, quando isto ganha dinâmica.....

(inf)superioridades



"eugeni onieguin", de
pushkin; "manfred", de lord byron; e "crime e castigo" de dostoievski.

entre outros (recorro aos que prefiro, suponho), são livros onde os personagens maiores tem como característica comum uma perspectiva pessoal de superioridade, quando se olham em contraste com a sociedade.

dependendo das perspectivas, toda a gente é superior ou inferior, semelhante ou aproximado, a outro(a) ou outros(as). seguindo o raciocínio, tendo que para cada perspectiva existe a sua inversa (pelo menos), torna-se admissível que olhar de cima ou para cima é um estado de espírito, gerado pela perspectiva que quem olha adoptou.

alturas há que voamos alto, brincamos nas nuvens (ou onde cada um(a) quiser brincar, quando voa alto), beliscamos anjos (ou o que cada um(a)....), saboreamos vistas e aragens. noutras, os(as) mesmos(as) que antes voaram (e voltarão a voar), olham nos olhos lagartixas, sentem a humidade da terra no peito desprotegido, estão pesados de não se conseguir levantar.

os sentidos que utilizamos para apreender o mundo também tem sensibilidades diferentes, dependendo de onde estamos (nos sentimos, para ser preciso). o mesmo mundo parece delicioso e/ou desgraçado, consoante a perspectiva (e o momento) de quem o sente. consequência, há factos que são irrelevantes, é a relatividade que impera.

importante também a solidez de implantação de cada alma. se estiver muito solta, a perspectiva muda frequente (o que dificulta construir, mas tem muitos encantos); se estiver demasiado enraizada, sempre a mesma perspectiva monolítica (os anjos e as fadas me livrem de gente assim). de certeza que a virtude não estará exactamente no centro (aliás, cada alma procura a virtude onde a quer encontrar, e é mesmo aí que ela vai estar), mas será uma questão de equilíbrio de desequilíbrios.

p.s.- raios, quando iniciei o post, ia escrever acerca do heroísmo que há em ser capaz de (sobre)viver no mundo civilizado: contas para pagar, agendas, burocracias, mesquindades de gente mesquinha, curteza de vistas de quem devia ver longe, falta de princípios e sonhos. desviei-me, acontece.

sábado, 22 de agosto de 2009

a história da capuchito verde



era uma vez uma menina que sempre usava um capuchito verde. era muito irrequieta, observadora e generosa, por isso, a mãe pedia-lhe muitas vezes para levar um lanche a casa da avózita, que vivia do outro lado do bosque.

a capuchito verde gostava de ir, porque apreciava o prazer da avó ao vê-la chegar, gostava de lhe ver dançar os olhitos rugosos e gulosos ao abrir o cesto com o lanche, gostava dos carinhos que a senhora lhe fazia e das histórias que lhe ouvia, enquanto a velhota saboreava as guloseimas da cesta.

do que a menina não gostava era do caminho, cheio de sombras e formas que a assustavam, até chegar a casa da avó. levavam-na para pesadelos que tinha, de noite.

um dia, durante o caminho, uma das sombras no bosque moveu-se, num movimento sereno, gentil e firme. em frente da menina estava o lobo mais negro que alguém tinha visto (ou viu desde então, no mundo inteiro). mal teve tempo de se assustar, o lobo sorria.

- olá menina, que levas no cesto? - perguntou,
sereno, gentil, firme.

- um lanche para a minha avó, que mora no outro lado do bosque - respondeu a menina, mais curiosa que assustada, já...

continuaram a falar, e cresceu amizade. a menina habituou-se a parar durante o caminho, para conversar com o lobo. se ele não estivesse, ia decidida a esperar por ele, mas ele estava sempre,
sereno, gentil e firme. ela levava agora sempre algo extra, para o lobo. este, para além de duplicar os carinhos que ela recebia da avó, falava-lhe de um mundo diferente, onde as coisas faziam lógica e tudo parecia ser válido e possível.

breve, quem conhecia a menina gabava-lhe a serenidade, gentileza e firmeza recentes.

porque o que é bom acaba depressa, numa tarde, enquanto saboreava um kiche de espinafres e falava de como educava as crias, surgiu de entre os arbustos vizinhos um tiro. o lobo, atingido no coração, ficou parado a observar o caçador sair do esconderijo, voltar a apontar a arma. não voltou a disparar, porque, com um último sorriso para a menina, o lobo desapareceu, num rasto de sangue que se perdeu num riacho próximo.

não se encontrou o corpo do animal, nem alguém alguma vez voltou a ver
o lobo mais negro que alguém tinha visto (ou viu desde então, no mundo inteiro), mas o caçador, de nome doubt, ganhou fama por ter salvo a menina.

à capuchito nunca ninguém ouviu nada, nem "obrigada" nem "cabrão, para que fizeste isso?". continuou a levar o lanche à avó, sempre que a mãe lho pedia, mas já não tinha medo das sombras.

a avózita, mulher perspicaz de desilusões vividas, notava na menina, em certas tardes, uma serenidade, gentileza e firmeza mais intensas. mas, tal como desenvolvem perspicácia, também as desilusões desenvolvem respeito pela desilusão alheia, e a avó, redobrando carinhos, nunca lhe perguntou de onde vinham...


por não saber a resposta, também eu não a posso escrever aqui. suponho que seja tão válido acreditar que a menina as recebia do lobo, ainda, como que as tinha guardado, ao receber, antes.


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

jornalismo e twitter



"the problem lies in our perception of the sports media, that they exist to inform us, when they are actually in the entertainment business", comentário num blogue acerca de uma notícia de determinado jogador detido por conduzir com carta de condução suspensa (o que nos eeeuuaa parece dar direito a pildra) e da perspectiva que a imprensa desportiva escolheu.

assim de passagem, calha ser um dos jogadores que mais gosto de ver jogar, e joga na equipa que me habituei a ver perder com desgosto. é um jogador com 1,70 de altura e disputa todas as jogadas, afunda (campeão da nba), muitas vezes considerado a freak of nature, pela atitude e capacidade de se exceder, em sentido bom e mau.

preferências aparte, o que se passou foi que foi mandado parar quando conduzia, e foi postando mensagens no twitter acerca do assunto. sem entrar em detalhes acerca da detenção, o caso é mais válido se analisado na perspectiva da afirmação que abre o post.

porque a consequência de o jogador usar o twitter tornou toda a situação, que tinha aspectos confusos, muito mais clara, e deixou os meios de comunicação quase sem margem para "abusar", ou seja, se uma pessoa famosa (se não o fosse, nenhum jornal notificaria), imediatamente (no caso, em tempo real) notificar algo (de negativo), e tiver muitos seguidores (porque é famoso), com a velocidade de propagação de contactos on-line, quando o primeiro jornal estiver a escrever o primeiro artigo (mesmo na edição on-line), já o assunto é conhecido, na perspectiva da primeira pessoa. mais, o jornal será obrigado a reportar essa perspectiva, disponível no twitter, porque é relevante.

deste modo, torna-se ridículo criar uma notícia suportada em "fontes anónimas", que se podem manipular a gosto de captar leitores, ouvintes ou telespectadores, quando a notícia original, contada pelo próprio, está disponível, antes.

se extrapolarmos do jornalismo desportivo para o jornalismo geral, isto remete para um post de elogio que fiz nas romãs, acerca de qual o papel (papiro ou higiénico) que o jornalismo actual escolheu para si.

é mui mau quando jornalismo (e tantas outras profissões) é exercido com princípios comerciais, tout court.

o que se quer e o que se espera



vou escrever de futebol, mas serve de parábola.

jogou o sporting, na terça, jogo importante de ganhar, expectativas curtas. acabaram por não ganhar, mas jogaram bem (adoro ver o menino veloso, quando lhe apetece). fiquei satisfeito, porque não nos envergonharam e como nem devem chegar a jogar com os tubarões, dificilmente nos envergonharão outra vez (pelo menos este ano, pelo menos assim espero).

isto é mesmo acerca da distância entre o que se quer e o que se espera. pormenorizando, eu esperava que eles caíssem (vão cair) e fico satisfeito porque me parece o melhor que conseguiriam fazer, cair (como vão) com dignidade. o que eu queria (quero) é que ganhem sempre, mas entre o que eu quero e o que eu espero, vão por vezes muitos quilómetros.

não deixo de o querer, apenas não espero, se não depende de mim. e não esperando, pelo menos, sejam dignos a usar a camisola.

muitas peças



um desenhador de que gosto basto é luis royo. não é um favorito, mas ando a gastar algum tempo nele...

o mundo (gráfico) dele pode ter uma interpretação machista, mas reflecte algo importante do meu: há-de ser uma mulher fascinante a salvar um homem (também é uma perspectiva de aparente teor machista, mas não o é, porque o reverso vale igual. acontece que sou de género masculino, com muito prazer).

honorários



não é por causa delas, de certeza, mas durante as últimas visitas que tenho tido cá em casa, têm acontecido coisas inesperadas, mesmo surpreendentes, no que a pagamentos de honorários respeita.

toda a gente está entupida de ouvir que há uma crise, que ninguém paga a tempo, que o dinheiro não circula. tudo verdade, daí o inesperado dos acontecimentos:

o primeiro ocorreu há umas duas semanas, um cliente muito complicado (custa-lhe a perceber certas coisas, ou a mim perceber que ele as percebeu), relativo a um projecto com várias fases, todas elas de "contas difíceis" (apesar de leves), ligou a dizer que queria pagar a última fase do trabalho, mesmo antes de estar pronta (pronta está, falta imprimir e entregar, mas não estava em dívida)! foi muito menor a fortuna que a surpresa, mas este post é acerca de surpresas, não de fortunas.

ontem, de novo com visitas cá, ligou-me um fulano que tenho por ser o segundo maior aldrabão (em conjunto com o sócio. faziam lembrar o ditado "só se estraga uma família", na versão comercial, "...uma empresa". que, aliás, faliu) que tive o desprazer de aturar. foi artista para me passar cheques sem cobertura (o único, ficou-me de experiência para não morrer estúpido), nunca diz que não, paga-se sempre, logo que possível, confia em mim... não fosse eu um gajo com sorte ao jogo, e o rapaz estava no topo da lista, mas estando quem está, pode-se considerar que não podia humanamente fazer melhor. pior.

pois o rapaz ligou e quer-me pagar. claro que ainda latou que o valor em dívida não era aquele, de acordo com o que se lembrava (chatice ter passado os cheques, com o valor descrito...), que o melhor era rever os cálculos daquele valor (cujos cheques assinou, há uns seis anos...), e que eu tinha um problema, que ele queria ajudar a resolver, pelo que me propunha fazermos um trabalho juntos (daqueles que dão gosto) e ir pagando.

yours truly, que sou um gajo fudido para este tipo de arte, disse que o problema era dele, que me devia uma pipa de massa há anos, não meu, pelo que a solução teria sempre de ser dele, dono do problema, e não minha. mas que de mim podia contar com toda a disponibilidade para receber o que me deve, basta trazer o dinheiro (porque de cheques, já fui instruído).

há pouco tempo, escrevi um post (que uma amiga gabou) acerca de dignidade, em que descrevia situações deste teor. lá escrevia que, salvo circunstâncias excepcionais, se deve (deve em imperativo, não em aconselhável) deixar que o outro se levante.

como diz uma outra amiga, de férias na terra do júlio (césar) depois de se safar da terra do júlio (private joke), "hesito".

terça-feira, 18 de agosto de 2009

aurora a baloiçar



já não me lembro de ver o nascer do sol sentado num baloiço.

aproveitei um trabalho que demorou demais a terminar, saí e sentei-me num onde o meu pequenito gostava de baloiçar. parecem dias melhores a chegar, já fazem falta.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

jamaica, man



ainda com o muro em pé, ao lado dele, kennedy afirmou "ich bin ein berliner". com isso, (re)afirmava de que lado do muro estava, identificava-se com uma população que não era a sua, de nascença. porque os homens, para além do sangue que os percorre, também são o suor que transpiram e os medos e os sonhos que têm.

por estes dias, i'm a jamaican. não por usain bolt, campeão do mundo de 100 metros, em berlin (é o centro do mundo), mas pelo povo a quem deu alegria ao fazê-lo, pelos que acreditam num mundo diferente. e, por estes dias, ser "jamaicano" é mais do que costuma ser: gente que pensa livre, ouve marley e lee perry, usa rasta e marijuana e está contra os fundamentos de merda em que acenta o mundo.

por estes dias, ser jamaicano também é puder apreciar a vitória de um dos "nossos" no terreno "deles".

domingo, 16 de agosto de 2009

criancices



é altura de guardar sonho bonito (gracias por ello, cariño, siempre aquí), coloca-lo num lugar confortável e ir fazer criancices elsewere. criancices é uma das minhas especialidades, sou genuíno, faço com gosto e partilho.

à la puto, estou excitado, vou fotografar esta semana, penso que venha postar alguns resultados aqui. tenho o equipamento, ideias a tentar concretizar, ajuda chega na terça. preferia lua gorda, está nova, mas as maiores surpresas saem de onde menos se espera (daí serem surpresas, claro).

por escrever desta lua, não sei se alguma vez contei isto aqui, mas faz lógica contar no texto de hoje. tive numa noite de lua nova uma experiência marcante, fica de sugestão: experimentem boiar no mar, (quase) sem ondulação, céu límpido de estrelas divertidas, ouvidos dentro de água. depois, fechar os olhos, esconder as estrelas. ir alternando ou escolher preferência. para apreciar como catraio ou adulto.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

os lados da moeda



hoje de tarde vinha a passear pela ferreira borges, depois de aproveitar a esplanada, e vi os dois lados de uma moeda importante.

ao primeiro lado, comecei por ouvir, estava um maduro a tocar saxofone alto, meio da rua, sozinho, roupa fresca, mala do instrumento aberta, a chamar moedas. tocava muito bem (a mim soube excelente), piscamos os olhos, fui a ouvi-lo visconde da luz abaixo. há pessoas que me provocam admiração, não pelas capacidades que possuem, mas por as utilizarem.

ainda ia a ouvi-lo quando vi o outro lado, silencioso. deitado no chão, outro maduro dormia, rodeado dos haveres, cartaz encostado à cara. no cartaz tinha escrito "como se pode viver sem trabalho?", acompanhado de uma história triste. estive para acorda-lo e apontar-lhe o saxofonista, mas suponho que nenhum pesadelo dele seria maior que o acordar. eu sei que se desiste, conheço mil motivos para desistir, cada um tem as capacidades que tem. mas há escolhas que as pessoas fazem que me provocam pena.

cada um ocupa o lugar na sociedade que lhe é confortável. nalguns casos, ainda bem. noutros, infelizmente.

competitividade



ando para escrever disto há tempos, é hoje.

toda a gente fala, cheia de razão, que o mundo é competitivo, que os catraios devem ser educados nesse mundo, que os adultos tem de tomar atitudes competitivas. concordo e discordo...

concordo porque o mundo gira muito rápido e em sentidos quase aleatórios (nada aleatórios, mas a cadência tal que se torna quase impossível perceber como e porquê, pelo que os entendemos aleatórios (aleatório não de per si, mas porque não lhe percebemos a lógica)), logo, para termos o nosso lugar, desempenharmos o papel que escolhemos, do modo que decidimos nosso, temos de ser mesmo muito bons, em tudo ou em aspectos específicos (fica ao critério de cada um definir prioridades, ninguém é excelente em tudo). quero com isto escrever que se o mundo avança depressa temos de ser cada vez melhores (daqui a competitividade) para sermos nós a fazê-lo avançar e não termos de ir atrás....

discordo quando se utiliza competitividade como arma de guerra numa sociedade que é vista como competitiva para permitir essa mesma guerra (desenquadramento, desertificação, racismos, sexismos, xenos e outras fobias, ostentação, desumanização e outros pecados mortais).

competir com outros é bom porque nos permite, por um lado, avaliar-nos, e por outro, ter exemplos de como fazer melhor. porque qualquer comparação com os outros só é útil se nos permitir melhorar, a nós, e não se nos permite apanha-los ou ultrapassa-los, aos outros.

não temos de ser melhores que ninguém, em nada. mas temos de melhorar, nós, em tudo (principalmente no que nos define como seres humanos).

a peça



a vida é tão simples como goles e goles de água fresca.

uma das minhas característica mais vincadas (que tenho por qualidade) é uma necessidade olímpica de entender coisas. pode ser qualquer coisa, desde como funciona determinado encaixe numa peça até porque raio tomou certa pessoa determinada posição.

e mói-me (por vezes, sem limite temporal) não entender. muitas vezes, nunca realmente entendo, muitas outras, tomo uma opinião como a mais provável, sem nunca a conseguir provar.

nas outras muitas (imaginem quantas vezes me acontece, se as consigo subdividir em três muitas), chego lá. e é um prazer que chega a ser orgásmico, em certos casos, tal a necessidade que satisfiz. por exemplo, posso ficar a saber algo que me desagradaria, mas sobrepõe-se de tal modo o prazer de saber, que é libertador do que me desagradou ficar a saber.

hoje aconteceu-me. uma coisa que me incomodava há semanas, por absurda de falta de razão, tornou-se pacífica, ao saber como encaixava no resto.

imaginem um puzzle, onde vamos juntando vários conjuntos de várias peças, cada conjunto formando a sua pequena porção de imagem compreensível. temos compreensões soltas, uma ideia desfocada por falta de relação entre os conjuntos. a certo momento, surge uma peça, única, que permite unir os conjuntos de peças que tínhamos, perceber a sua relação relativa, tornar claro todo o desenho.

o desenho pode ser idiota, mas entende-lo permite seguir para o desenho seguinte, daí a libertação.

fechando o círculo, a vida é simples, a sede mata-se.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

beijo(...) de boa noite



suponho que toda a gente que lê isto já passou por (pelo menos) uma situação destas: levar a menina a casa (ou ser levada) e ficar de olhar e alma pendurado nos lábios à frente, sem saber se irá saber a que sabem.

confesso que é o tipo de interrogação que gosto de satisfazer antes de deixar a menina em casa (ou de ela me deixar na minha, tempos modernos). vendo bem, simplifica o resto da noite (simplifica não será a expressão mais apropriada).

post ligeiro, hoje, porque me cruzei com isto, que me recordou isto.

domingo, 9 de agosto de 2009

digno



acontece-me com frequência ter disputas técnicas (muros de burocracia para derrubar). tenho jeito, costuma correr bem, retiro algum prazer nisso, nos intervalos em que não me desiludo pela pequenez alheia.

outras vezes, são divergências pessoais, discussões que valem a discussão, acesas ou mornas, sérias ou divertidas. gosto mais, porque não me divirto só nos intervalos, posso aproveitar a discussão toda.

também acontece surgirem (ou fazer surgirem) distâncias para pessoas que nos eram próximas (amores, trabalho, amizade). nunca é divertido, parta a distância do lado que partir, é sempre uma perda, mesmo que traga promessa de futuro.

em todas estas circunstâncias, por mais variáveis que haja e salvo excepções mui bem justificadas, há um aspecto que é quase sagrado: tem de ficar dignidade para todas as partes.

quando alguém caí, tem de se levantar com dignidade. quando somos nós a derruba-lo(a), temos de deixar uma saída digna. quando caímos, temos de garantir dignidade no levantar.

porque quando fica a dignidade de alguém no chão, a pessoa nunca se levantou realmente.

p.s.- suponho que regresse a isto breve.

sábado, 8 de agosto de 2009

teologias



hoje fiquei a saber que deus é um piano de cauda. calhando, ainda me converto.

ute lemper cantava "moi j'aime a point, c'est tout / peut-être un point de trop / mais au fond je m'en fous / j'ai l'amour qu'il me faut". a fé final.

muitas circunstânciaa há em que a única maneira decente de ir até alguém é a direito. qualquer subjectividade ou coquetterie é pecado, dos maus.

há algo de redentor em tocar uma mulher que amei e sentir uma amiga. confesso.

"mas há sempre uma candeia / dentro da própria desgraça / há sempre alguém que semeia / canções no vento que passa". trova do vento que passa, ressurreição.

um santo fim-de-semana para todo(a)s, excepto a quem apeteça algo diferente.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

true collors



há sítios onde sempre que vou, corre bem. com algumas actividades acontece igual, sempre que pratico, corre bem.

diz-se que de noite todos os gatos são pardos, é um dizer parvo.

porque é de noite que se pode realmente ver a verdadeira cor de tudo, durante o dia há muita intensidade de luz (concedo, durante a manhã também há verdade, na luz, uma verdade feminina, infantil, serena), é quase um manto sobre a realidade, algo semelhante a um tecido translúcido sobre um corpo feminino (a minha verdade é feminina).

de dia, as pessoas são mais sociais, cumprem horários, funções, papéis. de noite, não se identificam limites.

fotografar pode ter várias virtudes: captar um momento (perspectiva purista), enaltecer um momento (perspectiva intervencionista), comunicar (através de escolha de tema e da perspectiva que se utiliza), descoberta (perspectiva nocturna, exposição prolongada), são algumas.

todas essas virtudes podem ser metamorfoseadas em defeitos, se utilizadas de má fé: distorção da realidade (ilusão de óptica, pode nem ser negativo), dramatizar um momento (perspectiva "tvi"), enganar (idem), encobrir (tratamento gráfico), por exemplo.

o que escrevi hoje é tremendamente relativo, no geral. e absolutamente absoluto, in the mood i'm in.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

allo allo



já debati este assunto algumas vezes (não aqui), sem nunca chegar a conclusão, minha ou de quem debateu comigo: que utilização teria o batedor de claras nas mãos de yvette e maria para deixar tão entusiasmados o coronel von strohm e o capitão?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

animais



não sou uma pessoa que me perca por animais
(animais/animais, não escrevo de animais/humanos), gosto, mas consigo viver sem eles.

e faz-me impressão má ouvir pessoas dizer que mais vale estar com animais/animais que com animais/humanos. pode haver muita razão, mas a mim impressiona, relaciono com descrença e desistência (nunca vi um animal apontar defeitos...).

escrito isto, acho que é sinónimo de civilização respeitar os direitos dos animais (quase tanto como os humanos, mas isto é acerca dos animais, repito).

e faz-me muito pior impressão ver pessoas "civilizadas" e "sociais" participar e incentivar práticas bárbaras, nesta área: a questão da extinção de espécies por motivos de confecção de roupas ou aquisição de troféus; a utilização de cobaias em experiências (mais ou menos úteis) sem condições de humanidade; maus tratos a animais "domésticos" (abandono, desterro); e a "arte tauromáquica".

acerca desta, vêem sempre uns iluminados apagar a luz, que é tradição secular (em igualdade com escravatura, discriminação sexual, religiosa, política), que os bichos são criados de propósito para aquilo (belo argumento), que faz parte da cultura nacional (minha não, e não sou menos nacional que os toureiros), que é "pitoresco" (tal como as candeias a petróleo) e são um motivo turístico (deve haver uns melhorzitos...).

eu vejo um animal a ser barbarizado, com único motivo dar satisfação a gente "civilizada".

p.s.- qual a diferença entre tourada e luta de galos? entre os galos, as hipóteses são semelhantes.

p.p.s.- não me incomoda a utilização de animais em acontecimentos "humanos", exemplo excelente são as corridas de s. fermin. aí, os que não tem a vantagem por eles, estão por escolha consciente.

p.p.p.s.- reparo final, sem conceder em nada do que escrevi atrás: passe o exagero e a diferença temporal, concordo com o pai do carlos da maia (se não me falha a memória, era ele que afirmava que se alguém em portugal era capaz de desferir um murro decente, eram os forcados e por o serem, algo assim) no valor dos forcados. é preciso tê-los no sítio.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

(n)a minha casa



dias melhores a caminho, a começar já amanhã: gente que vem, gente que volta, gente que mistura o carinho deles ao meu. ainda não são dias mesmo felizes, mas cada dia é menos um dia que falta até serem...

nunca contei a história da minha casa aqui (há quem conheça e há quem faça parte dela, entre os que lêem), vou contar (porque há que tempos não conto histórias, não tenho a quem contar, por esta altura).

a minha casa é materialização de um sonho, não meu, mas nosso, dos que o sonharam juntos. não é um sonho pessoal, económico, financeiro, logístico, social ou arquitectónico. é um sonho comum de pessoas que quiseram sonhar juntas.

várias pessoas, com características pessoais e profissionais diferentes, escolheram transformar um prédio com oitenta anos numa habitação colectiva, portas abertas, como um apartamento gigante. foi teso, éramos todos tesos (que raio, apesar de sermos menos, ainda somos), aconteceram histórias mil (eu discuti com 3/4 dos notários de coimbra, à data, mais o de pombal; tivemos um fiscal a entrar esbaforido às 10 da manhã pelo prédio adentro, sorte eu ter passado na câmara às 9 e ter deixado o meu contacto, nunca mais o vimos; uma velhota, cujo filho tentava aproveitar o direito ao arrendamento para capitalizar, morreu na véspera da escritura (nã fomos nós); vivemos em casa uns dos outros, trabalhamos na casa uns dos outros, partilhamos suor com os que amamos (muito suor, misturado com serradura), vencemos burocracias, enchemos isto de carinho, três andares com pé-direito mui alto cheios de carinho).

depois, o mundo girou, uns foram para sul, outros para oeste, eu fiquei. tive o meu pai a viver comigo, depois este ano que passou já tive os pequenitos e os avós a viver em baixo. agora, vamos cumprir isto como deve ser, porque há sonhos que não se deixam, mesmo quando parece que não há maneira de os realizar. e o gustavo vai estar.

p.s.- uma de nós dizia que só falto eu, de amores, para tudo ficar arrumado. não sei se ainda pensa igual, não tenho jeito para prateleiras, mas não me importava de cumprir isso.

p.p.s.- piada fora de horas: como se sabe que amámos uma mulher fascinante? quando ela nos deixa e deixa uma garrafa de cachaça, para curar os males de amor (há mulheres que, n'importe quoi, valem a pena. isto faz-me lembrar a mercedes ruehl: it all got burned... acidently (acho que já tinha postado, se si, sorry for the repeat), mas para melhor. here's looking at you, kid)...

p.p.p.s.- amanhã coloco fotografia do prédio, não encontro nenhuma.

domingo, 2 de agosto de 2009

as mulheres



elogio ao género feminino, no geral, e a uma em particular (porque há sempre uma que é especial).

porque não as entendemos, nem sabemos se o que dizem é assim ou tem de ser interpretado...

porque são elas que realmente fazem girar o mundo, gire ele para onde girar...

porque nos enchem de orgulho...

porque nos preenchem os sonhos...

porque nos dão as fantasias...

porque estão, quando estão, e nunca nos deixam, quando vão...

porque nos aturam...

porque se entranham...

e porque, algures no tempo e espaço, nos salvam.

sábado, 1 de agosto de 2009

200



pitágoras foi pai do teorema e da matemática (há abuso simplista, nesta), entendia o mundo numa perspectiva numérica. eu gosto de números, acho-os úteis, com vida própria, quase, numa espécie de realidade em paralelo.

números aplicam-se a tudo, de um modo ou outro: contas para pagar, horários para cumprir (iap, números também coordenam o tempo), coordenadas geográficas e áreas (e o espaço), histórias (era uma vez três porquitos...), culinária (...cem gramas de açucar mascavado...), moradas (nº 78, 3º), amores (quem os conta?), características pessoais (peso, altura, calçado nº...), potência e velocidade (os cavalos que vivem nos motores e ficavam mais baratos se fossem burros alimentados a pão de ló), resultados desportivos (aqui o exemplo final são os torneis de sumo (basho), fascina-me a simplicidade da pontuação, quase tanto como a simplicidade das disputas), cores (ral) e mil outras coisas.

e os binários, o que é possível fazer em informática c
om 1s e 0s? e aplicados a tudo o resto: sim/não; triste/contente; cheio/vazio; tudo/nada; limpo/sujo; luz/sombra; branco/negro; com/sem; acompanhado/sozinho.

p.s.- este é o post 200, contabilizando também as romãs. o problema é quando for o 300, porque já dei título a um post "300", acerca de um filme. quando chegar aos 300, aqui ou nas romãs, tenho de titular por extenso, "trezentos". as letras também tem vida própria, numa realidade mais próxima da real.

sonhos



contrariando o gaston lagaffe, hoje foi um dia agitado, começou cedo e acabou tarde, corneta com casa lavada (o peixe até está mais encarnado e deixou de vir à tona respirar. acho que houve um momento em que ficou a olhar para mim, não sei se a pensar que rei faria anos ou porque raio eu não tinha limpo o aquário antes....).

já estava deitado e ocorreu-me isto. há assuntos que só valem a pena debater pelo prazer do debate, este até poderá valer por outros parâmetros, mas no caso, é mesmo discorrer pelo prazer de discorrer. aqui segue:

eu tenho consciência do que me faz encantar, apaixonar e amar algo. é o sonho que isso me provoca.

há várias formas de amar (tem a ver com o tipo de sonho), várias intensidades (com a riqueza do sonho), vários inícios (com a forma como se percepciona o sonho) e fins (como ele acaba). elaboro...

acerca da forma de amar, amo o meu filho com amor diferente do que tenho pelo modo como exerço a minha profissão, amo cada mulher de modo único porque cada uma me permite sonhos irrepetíveis, amo a minha família por um ideal que foi sonhado por gerações anteriores (daí escrever que me ensinaram a amar, antes de todos).

acerca da intensidade, nada a escrever.

acerca de inícios, muito a escrever, vou sucintar. há sonhos que surgem evidentes e outros que tem de ser descobertos, construídos. sucinto.

acerca de fins, tentando continuar sucinto, dou exemplos de saídas: quando percebo que me enganaram despudoradamente, mentiram acerca de tudo, fica uma sensação de ter sonhado sozinho, em cima de nada mais coisíssima nenhuma (a aldrabice, desprezo, fica nas costas de quem aldrabou, porque consciência nem todos tem, questão de inimputabilidade); quando o sonho se cumpriu, realizou, deixou de ser sonho e passou a realidade, e, do nada, deixou de ser para sonhar (a alguns nunca acontece, sonho-os sem final); ou quando deixa de haver um qualquer parâmetro fundamental para o continuar a sonhar.

isto tudo acontece-me de uma maneira instintiva, só depois racionalizo. se racionalizasse antes, tinha evitado barbaridades.

poucos sonhos são exclusivos: pudemos amar quantos filhos tivermos, igual intensidade mas modo diferente (porque cada filho é uma criança e cada ser humano é único), toda a família e mil amigos, intensidades e modos diferentes, o mesmo relativo a locais, cidades, músicas, desenhos, filmes, livros, personagens....

mas mulheres criam um tipo de sonho exclusivista.

p.s.- o próximo post vai ser especial, ainda não sei tema, mas sei que vai ser especial.

p.p.s.- ando numa "fase dali", para os não apreciadores, esperança, talvez evolua para picasso, velasquez, miró....