sábado, 30 de maio de 2009

elogio da dança, cossacos a bailar



your's truely é um apaixonado da cultura russa. que diabo, um povo que se aquece a vodka, sem ter de a enfiar no congelador, é digno de admiração...

cossacos russos e ucranianos tem uma dança muito ginasticada, feita de festa e competitividade, camaradagem militar. também existe variante popular, onde participam as belas camponesas da estepe, aqui ao som da kalinka. até há uma versão animada de marionetas...

sexta-feira, 29 de maio de 2009

elogio da dança, pistas de dança



mais post's, para enganar a tristeza. haja música e com quem dançar. take it away...

pistas de dança, locais sociais, onde se sobe para dançar (apenas), mas também para ser visto e criar conexões. não é sítio onde calhe estarmos, vai-se com propósito de ir (pelos motivos (d)escritos), ambientes de cenários, paredes de luz, perfume de tabaco (agora parece que menos) e cheiros variados, toques, muitos toques, muitos olhares, pouca comunicação.
dança como negócio, parece que é rentável. e há muitas variáveis, afro, latina, retro, metro, temáticas...

pré-conceito meu, não se dá, mostra-se.
e a cena dos porteiros (adaptando groucho, nunca entraria num clube que permitisse entrada a alguém como eu)...

you see me laughing, just to keep from crying

elogio da dança, alma cigana



tempo de ciganos...

acampamentos poeirentos, casamentos com mil pessoas, música sensual, alegria de um povo livre, dança popular e comunitária, convívio sem tecnologias, expressão de paixões e pecados.

há pessoas que vivem umas com as outras, e não precisam de mais nada para além de uma viola, um violino e um acordeão. chamam-lhes desenquadrados, mas com o quadro que existe, nem soa mal estar de fora...

p.s.- vou buscar o meu miúdo, provável é voltar outra vez sozinho para casa. parece um filme de kusturica...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

elogio da dança, tango



p(re).s.- de volta, papo cheio (ler post anterior...).

da irlanda para a argentina, continuamos na dança popular. neste caso, não é uma dança de folclore, é uma dança íntima, ainda que dançada em público. dançada pelo equivalente argentino do marialva de lisboa e do malandro da bahía, homem de faca pronta e paixão ardente, que ama e dança com mulheres semelhantes. onde a dança irlandesa era encanto e misticismo, tango é paixão, ciume e alma. onde aquela existia num ambiente de floresta de iluminação encantada, este dança-se em lugares cheios de sombras, densos, como a música.

é preciso aqui mencionar gardel e piazzolla. e os tempos modernos (para admiradores, deixo uma versão disto com a deslumbrante j lopez, ficam as duas porque a dos gotan vale pelo imaginário (de imagem) deles).e as variáveis main stream.

si, cariño, me gusta eso.

elogio da dança, lord of the dance



também vamos ter ciclo de elogios, aqui, e vai ser dedicado à dança. "quem não tem cão caça com gato" e quem não consegue dançar faz um ciclo de elogios da dança, estão a ler a ideia?

fiquei indeciso por onde começar, mas a minha veia de fadas e duendes venceu (vence sempre, ráisparta o encanto).

lord of the dance
(como riverdance) é um espectáculo de música e dança celta, universo de florestas e misticismo, pulsante de vida e ritmo, pipes and fidles, bons e maus,
conta histórias de lutas e amores, onde as muitas personagens secundárias parecem gotas de chuva ou ervas frescas, e quando se juntam desenham geometrias fascinantes.

p.s.- volto depois de jantar, arroz de favas e filetes, porque a vizinha de baixo (ontem de tarde cantava, e os meus males espantou) se lembra de mim muitas vezes...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

momentos felizes



não resisti a escrever isto....

deu-me uma daquelas disposições parvas de quem foi buscar o que queria e trouxe para casa.

estava eu a divagar, pausa entre um corte e um alçado, e dou de olhos com isto, cena excelente de um filme cheio delas. esta é uma das minhas favoritas, sonho puro, daqueles que se realizam.

delicioso, delicioso, é o touro do final. a felicidade de uns incomoda outros....

terça-feira, 26 de maio de 2009

perseverança



este post é acerca de pessoas que não desistem até terem o que querem. não é o que precisam, é o que querem.

estava eu entretido com nada mais coisíssima nenhuma e dei de caras com o vídeo. e apeteceu-me escrever acerca de nunca considerar nada fechado until the fat lady sings (expressão preconceituosa americana que imagino vir da ópera, em que uma senhora gorda canta uma nota muito audível no final, para acordar a audiência, parece que dizia salieri).

quantas vezes foi já a rasar o chão que nos levantamos num gesto confiante, apenas decididos a cair de vez com dignidade, e eis que em vez do murro final se estende uma mão carinhosa, algodão embebido em água oxigenada, sopro delicado por detrás?

quantas ficamos a olhar uma porta fechada ao tempo, sem a conseguir abrir, e ouvimos atrás de nós uma outra abrir-se, um anjo
enquadrado entre ombreiras, num caminho mais proveitoso que o que nos fecharam na cara?

quantos sonhos por cumprir apenas porque quando a ocasião surgiu para eles, quem os sonhou tinha acordado?

nada como perseverar até a senhora cantar, o que normalmente só acontece depois de concretizarmos. escrevo eu...

danças com pessoas



sou um fulano equilibrado (equilíbrio dinâmico). modesto não muito, sou mais a dar ao realista (realidade sonhada, bien entendu) e para comprovar, hoje venho expor uma insuficiência minha: tenho dois pés esquerdos...

não é deficiência física, coisa de sair em documentários ou vantagem a jogar futebol, escrevo dois esquerdos na perspectiva da dança. não sei, já tentei, já tentaram que tentasse melhor, e não sei, não atinjo.

e tenho pena, é uma das poucas insuficiências minhas que decidi aceitar como definitivas (tanto quanto algo pode ser definitivo). entendam, deficiências tenho muitas, mas estou em processo negocial com quase todas (as que ainda não resolvi), nalguns casos, estamos a chegar à fase de contracto final. tenho mais jeito para negociar que para bailar.

ora bem, estou a derrapar no assunto, que é eu não saber dançar. não tenho inveja quando vejo o travolta na febre, mas tenho dele no pulp fiction (e nem é pela companhia). acho um exagero gestual as danças de salão, a modos que equiparado aos desfiles de orgulho gay, vejo ambos como o exagerar de uma realidade bem sonhada (exagerar uma sensação de libertação). não sou grande adepto de exageros, mas sou de excepções...

pois eu, quando tento dançar, perco o controlo do corpo, parece que a música me descontrola, em lugar de apenas me dominar. deve ser um bloqueio qualquer, uma racionalidade que prende. normalmente, sinto que vou cair estatelado, vezes repetidas.

talvez um dia eu me resolva a resolver isto também, e venha aqui postar menos uma insuficiência. parceira já tenho, por aí não invejo o stefano, do vídeo. da roupita dele, nem escrevo. mas diabo, aquela confiança a dar ao rabo...

estranho mundo desejável



sem sono. casa vazia, garganta a ameaçar inflamar, preocupações várias. noite estranha...

aliás, o mundo é um lugar estranho. temos de nos ralar com tgv's que vão passar onde não dá jeito nenhum (já sem escrever que o próprio tgv, de per si...), com inseguranças maldosas, com distâncias físicas para aqueles que amamos (não os puder abraçar...), com cartas que trazem contas em lugar de novas boas, com medos que vemos no pensar de quem vê curto.

a primeira vez que usei a expressão "há seres que são realmente humanos" foi em conversa amiga, há uma dúzia de anos, acerca de uma exposição de aguarelas de paul klee, no museu arpad/vieira da silva. são as maravilhas da arte, mostrar o mundo de uma perspectiva suportável, naquele caso, mesmo desejável.

parênteses (há pessoas que afirmam que certos desenhos, de tão infantis, poderiam ter sido desenhados por uma criança. costumam ter razão, e poderiam até ter a razão toda, se completassem dizendo que é fascinante alguém chegar à idade adulta e ser capaz de sonhar como uma criança. a mim fascina...).

bem, regressando a klee, a recordação dessas aguarelas ainda hoje me adoça as noites estranhas. tal como saber que cada noite que passa é menos uma noite para o fim da saga. e que tenho um nome para pronunciar, significado de promessas de noites melhores.

o mundo é estranho, mas pode ser suportável. desejável até.

domingo, 24 de maio de 2009

cheios e vazios



ando quase há uma semana com isto na ideia, sem saber bem como queria postar (a perspectiva com que se afirma algo é parte da afirmação), hoje de manhã cheguei lá. cá vai:

(...) uma porta não é uma porta se não tiver um palácio em volta, senão seria só um buraco, que digo eu, nem isso, porque um vazio sem um cheio que o circunde nem sequer é um vazio (...), escreveu umberto eco no "baudolino" (livro curioso, acerca de um personagem que passou a vida a inventar mentiras e tem dificuldade em reconhecer quais delas foram verdade...).

o que me atrai na arte (todas as manifestações, numas mais que noutras) é a capacidade de exprimir tão bem aquilo que sinto, uma questão de empatia, julgo. e também a capacidade de mostrar novas perspectivas, claro...

neste caso, umberto explica magnificamente a necessidade que um "nada" tem de algo, para sequer existir, o que torna compreensível atitudes pequenas, numa tentativa de captar atenção (a modos que alguém a bater uma porta ininterruptamente, até que alguém lhe diga: "já podes parar, já reparamos em ti"). compreensível, que não desculpável, claro...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

o que salva o mundo



nada mais simples, nada mais difícil, passe o exagero (há coisas mais simples e coisas mais difíceis). último post temático que saquei da cartola (gracias, bruxa, pela participação; groze, o terreno é teu, take your time).

podia ser uma pergunta e podia ter várias respostas, podia ser o início de uma afirmação que podia terminar de várias formas. a vida é feita de opções, cá vai a minha.

o que salva o mundo é continuarmos a sonhar.

o muro de berlin caiu; o nuno gomes marca golos; mandela recuperou a liberdade (nas suas condições!) ao fim de quase trinta anos; timor leste (por maiores que sejam as dores de crescimento) auto-determinou-se; há mil exemplos mais, e depois desses outros mil, e por diante.

luther king tinha um sonho, obama diz que é possível; pessoa escrevia que faltava concretizar portugal e agostinho da silva sabia que se concretizará (falta o quando, mas enquanto sonharmos...).

não chego ao extremo de dizer que o mundo pode ser salvo enquanto pelo menos uma alma sonhar, mas acho que não tem de ser todas (não que haja delas, almas, desprezáveis (desprezíveis há)) a contribuir, em simultâneo, algumas podem dormir descansadas na realidade diária sem que o mundo se perca irremediavelmente.

repito muitas vezes que o gustavo vai salvar o mundo, ninguém sonha mais nem melhor.

vendo mesmo bem, não é só o meu filhote, são todas as crianças. e todos somos (ou fomos) crianças de alguém, que nos ensinou a amar e sonhar (se não ensinou, pecou mortal, tinha obrigação de ensinar), mas muitos perdermos a prerrogativa pelo caminho. vendo ainda melhor, todos a perdemos, múltiplas vezes, de forma mais ou menos definitiva, pelo nosso caminho.

depois algo aconteceu, para a recuperarmos: alguém nos sorriu, abraçou, entendeu, perdoou; alguém fez uma música, escreveu um texto, representou uma performance, moldou ferro ou barro, fotografou algo; alguém cozinhou, construiu, limpou, curou; alguém riu, sorriu, chorou, gritou connosco; alguém nos disse "bom dia, pai, dormiste bem?", numa manhã esplêndida de liberdades reconquistadas.

domingo, 17 de maio de 2009

cariño



(...)
si aun por breve tiempo estuvieras a mi lado
envuelto en mi rebozo, suspenso en mi beso
dejando tu cuidado entre flores olvidado
si aun por un momento estuvieras a mi lado
(...)
floricando, lhasa de sela

sell crazy someplace else, we're stocked up here



late, i'm late (como o coelho da alice, que andava a correr de relógio na mão). não foi culpa minha (maneira de escrever), questão logística, estou longe do portátil.

por escrever acerca do coelho da alice, o assunto hoje é loucura (engraçado como tanta coisa encaixa, sem ser forçada), e vivemos num país (mundo) de maravilhas. presta atenção, não foram ervilhas, foram favas! da avó lili, de luísa, nada a ver com alice.

a verdade é que as rosas estão por pintar, a rainha de copas está uma baleia e faz batota, o rei é pequenino (apesar de parecer bem formado) e saem-me tantos duques que já me satisfazia com uma marquesa (a distância, m'selle la marqueese, a distância).

passemos directamente à sentença,
here goes to mental sanity, cause beeing normal is just crazy...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

fome



mais um tema da lista de temas que eu arranjei.

há um dizer qualquer (que adorava recordar em detalhe) que diz algo como "de barriga vazia não se sonha".

remete para satisfação de necessidades básicas como condição sine qua non para que as pessoas possam ser livres (liberdade de amar quem querem, sem barbaridades; liberdade de sonhar com o futuro que querem, sem restrições bacocas; liberdade de falar sem coações). quem tem fome, não é livre.

depois há o outro extremo. gente anafada por excessos, mordomias herdadas e não merecidas, facilidades que irresponsabilizam almas fracas. essas (almas) também não são livres, atrofiadas por calorias a mais e auto estima a menos.

há outras fomes (também podia ter escrito sedes): de justiça (que tarda, mas não falha, dizem), de sexo (sugar driping), de amor (......), de conhecimento (adoro esta), de vitórias desportivas (sportinguista e knics fan...), sei lá, o mundo anda cheio de fome(s) e sede(s).

porque hão-de as pessoas, no meio disso tudo, ser mesquinhas (nem é só dinheiro, bruxa, dinheiro é o menos)? com tanta fome pelo mundo redondo, porque se preocupam mais em tirar o pão da boca dos outros em lugar de tratarem de amassar o seu? que ganham em ver os outros tristes, como pode isso contribuir para a sua felicidade? não é tão melhor fazer pão e partilha-lo? de preferência com quem tiver manteiga (ou marmelada)...

p.s.- o jantar, hoje, são umas favas deliciosas que a vovó lili fez e me trouxe cá acima. matam a fome de comida e de carinho...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

a relação perfeita



mais um post dedicado a tema, e o tema desta quinta feira é o do título, já aqui em cima. acerca deste, lembro-me de porque o escolhi e do que queria escrever acerca...

como enquadramento, faz falta escrever que há vários tipos de relações e nenhuma delas é perfeita. pegando no final da afirmação, perfeito está aqui utilizado de uma forma desfocada, imperfeita. recuperando o início, dos vários tipos que existem (a arquivar segundo vários parâmetros: boas/más; envolvendo duas ou mais entidades; envolvendo pessoas, animais, conceitos, etc; de carácter pessoal, familiar, profissional, económico/financeiro, sentimental, desportiva e mil outras; saudáveis ou doentias; bem, isto não tinha fim e mudavam de canal...), eu escolhi o tema focando em relações de amor, paixão, encanto. nada como ser franco e objectivo. e modesto. aham, adiante...

prolongando a franqueza (que é uma força), confesso que estive quase a fazer um ciclo, aqui, dedicado a relações perfeitas, ciclo que teria como (curioso) título "relações perfeitas". depois eu fazia cada post dedicado a uma delas, mas, culpa daquela bruxa que plantou a semente do desafio, acabei por concentrar todas as perfeições imperfeitas num post único. concentrar (im)perfeições só pode ser bom, e quem não gostar, é favor diluir... adiante.

estive na noite passada com um amor antigo, amiga de hoje e para amanhã. calhou a conversa (nada como vinho tinto para a conversa melhorar) derrapar (foi do vinho, leitores, foi do vinho) para o tema do post de hoje (reparem que a conversa foi ontem e escolhi os temas há uns três dias).

no final, tudo se resume a complementaridade, seja por divergência seja por coincidência. tem a ver com o facto de duas almas, mantendo sempre as suas individualidades de alma, se potenciarem, ganharem amplitude e outras capacidades, por estarem a distância zero da outra (ver post acerca de abraços, deste blogue).

quando isso acontece, criam uma terceira entidade, chamada casal (ou outra coisa qualquer que lhe queiram chamar, o nome é o que menos importa). o que motiva o casal, para além de sentimentos, é o facto de ambas as almas que o constituem entenderem e enfrentarem o mundo de uma perspectiva melhor do que cada uma o faria fora dele. o que o estrutura, para além da base de complementaridade, é admiração (única forma de gerar respeito), compreensão (gosto de palavras com dois "ee" seguidos) (saber quando falar e quando estar calado, quando vir a direito ou com percurso decorado de flores), e... assim de repente, chega.

bem, há algumas coisas menores, que não sendo estruturantes podem, em caso de falta, escassez ou má qualidade, estragar a relação. sexo (não resolve, por melhor que seja, sei de mote próprio. mas se faltar, for escasso ou de má qualidade, corrói), dinheiro (depende das ambições de cada uma das almas, mas mesmo as cabanas custam euros, hoje em dia, e os arquitectos pagam-se num dinheirão), inteligência (pá, a mim faz falta), pés elegantes e tatuados (estou a derrapar, já sei, vou encurtar isto) e outras coisas que tais, de acordo com necessidades pessoais de cada uma (das almas).

posto isto, quero escrever mais uma coisa (prestem bem atenção, é importante). as relações perfeitas existem! não, já não é o vinho tinto a escrever, eu afirmo com conhecimento de causa. podem é ter várias formas, desde a do príncipe no cavalo branco ou na harley, à do sapo que beija bem ou à do lobo mau com língua a salivar. e podem durar mais ou menos tempo (perfeição não implica eternidade, nunca, antes pelo contrário). e podem deixar mais ou menos marcas (cicatrizes ou outras).

é possível construí-las (tinha olvidado de escrever que as relações, perfeitas ou não, se constroem). não existe fórmula, cada um constrói como gosta, depois de arranjar a alma para construir consigo. começa-se por encontrar a outra alma (gémea ou não, é assunto de debate), faz-se cerco e absorvem-se encantos, aprende-se o outro e deixamos que nos aprenda. se há complementaridade, as coisas encaixam naturalmente, se não há, inútil força-la. c'est tout.

já escrevi mil palavras e ainda nem comecei o que queria dizer, vou concentrar. eu tenho algumas relações que admiro como ideais de perfeição (esta perfeição imperfeita que estou a descrever). alguns são de pessoas que conheço pessoalmente, a modos de exemplos que me fazem recordar que há coisas que valem a pena, quando não o consigo ver sozinho (alguns desiludem-me, mas a culpa é minha, tal como a ilusão), não vou expor aqui. outras são apreendidas à distância, sem conhecimento pessoal, e era dessas que o post devia tratar. em concentrado, aqui ficam: arpad (é a terceira vez que ilustro post com o "couple" dele) e maria helena; mickey e minie; as insustentáveis levezas de tomás e teresa; benigni e nicoletta; kareninna e vronsky; raskolnikov e sónia; joão de deus e joana.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

medo



p.(re) s.- tema que escolhi para quarta-feira, acho que tinha uma ideia da abordagem que queria fazer dele, mas olvidei. roll down.

curiosity killed the cat.

que quero dizer com isto? que se a curiosidade vencer o medo, o gato morre pela curiosidade, como o peixe pela boca e as batatas pela lógica (batatas não morrem, certo, mas apodrecem, tive umas cá em casa que eram dignas de ver).

o facto de a curiosidade matar, remete para uma perspectiva que tenho deixado nos post's mais recentes: é preciso estar vivo para morrer. se a curiosidade pode matar, implica fazer parte da parte de estar vivo.

onde cabe o medo, nisto? basicamente, é um obstáculo, um inibidor, um problema, com intensidades várias, de temor a terror. é um sentimento (estive na dúvida se prefiro escrever sensação) com conotações negativas, porque cria paralisia, atrofio, imobilidade, insegurança. se for medo a dominar-nos, não estamos vivos.

eu vivi medo de uma forma inibidora durante muitos anos, era uma pessoa contida. não sei muito bem como, parte inconsciente e parte consciente de que queria mudar coisas que me desagradavam em mim, fui evoluindo a minha relação com o meu medo.

hoje, sinto-o chegar, tomar conta de mim, confesso que gosto de o sentir fazê-lo. depois, tomo conta dele, vejo como tudo vai acabar, como quero que tudo acabe, passo por cima dele (prazer menor do que senti-lo invadir-me, confesso), uso-o. comigo, resulta mui bien.

é que nunca deixamos de ter medo, mas é possível (e desejável) ter com ele uma relação produtiva, utiliza-lo como catalisador, como à raiva, ao desejo, à fome (isto é noutro post, sorry, melhor escrever "à sede"), sentimentos (ou sensações) que geram (re)acções.

quase todos os problemas podem (de)ge(ne)rar (em) bens maiores, quase todas as dificuldades são portas fechadas que podem abrir-se, quase tudo que é mau pode (vir a) ser bom. quase todos os medos podem levar a descobertas, one little baby step at a time ou com um único gesto largo.

parênteses, (repito-me, mau, mau, mau é a estupidez, que, por inerência, impede crescimento).

acho que deslizei um pedaço, hoje, e em continuidade, deixo uma versão desfocada do clássico da disney, "who's afraid of the big bad wolf"

mesquindad



pré-scriptum- ora bem, não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe. entretanto, porque me andei a divertir com os post's (do desafio d'aquela bruxa) apeteceu-me criar os meus temas:

3ª, "mesquindad"
4ª, "medo"
5ª, "a relação perfeita"
6ª, "fome"
sábado, "sell crazy someplace else, we're stocked up here"
domingo, "cariño"
e para começar a semana com um final, 2ª, "o que salva o mundo"

quem quiser acompanhar, pode ver o blogue da bruxa e o do groze

posto isto, vou ao que interessa
, o assunto de hoje é mesquindad, que é a palavra espanhola para oposto de grandeza.

quem me segue já leu acerca várias vezes, passo a elaborar: mesquindad é-me caro por causa de uma música de mercedes sosa, de um cd que me foi mesquinhamente surripiado (o delicioso é que quem o levou não é capaz de o entender. a verdadeira posse nunca é a física, antes a da compreensão. trata-se de um roubo por consumar, sem efeito prático, hino à impotência).

mesquindad é o sentimento que gera movimentos pequenos para estorvar gestos grandes, generosos, por incapacidade do mesquinho em alcançar grandeza, acumulado com necessidade de protagonismo. basicamente, é alguém a colocar-se em bicos de pés e esticar o pescoço para parecer grande e evitar olhar para a menoridade própria.

o mal disto não é haver menoridade (porra, é o que mais grassa, a par de ignorância e estupidez (esta sim, um mal de per si)), é que esta não seja utilizada como motivo de crescimento (como a ignorância para motivo de aprendizagem) e apenas se manifeste, expondo-se obscena.

toda a gente tem direito a parecer o que quer ser, estar onde se conseguir enfiar e respirar ar. mas como escrevi ontem, isso não basta para viver. não no meu mundo, pelo menos...

deixo-vos uma das minhas chacareras favoritas, y dejamen que me vaya...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

vale a pena?



hoje escrevo de morte. escrevendo de morte, escrevo de falta de vida, falta de sonhos. há uns post's atrás, defini morte como o facto de deixar de viver (no sentido riquíssimo da expressão, de sonhar), por oposição a morte física, cérebro, coração, pulmões.

hoje, ao ler um blogue que sigo, li que alguém morreu. a uma pessoa que me é mui cara, há muitos anos, também alguém morreu, assim. faz-lhe falta, ainda e sempre...

por vezes, é apenas demais, somos apenas mortais, as coisas que amamos saem-nos das mãos, caiem e perdem-se. e deixa tudo de valer a pena.

não julgo, não condeno, apenas choro.

n' "o tigre e a neve", do benigni, há um poeta (um poeta!) iraquiano que se mata, porque deixa de acreditar no futuro do país (e com o país, toda a sociedade, todos os seus sonhos) que ama. fuad (jean reno) enforca-se numa árvore e é encontrado por attilio (benigni), um amigo que arranjou maneira de ir a bagdad, na mais bizarra busca pela salvação de vittoria (nicoletta braschi), la moglie della sua vita.

numa cena anterior do filme, informado pelo médico que vittora morrerá em quatro horas se não tomar determinado medicamento, de que o hospital não dispõe, attilio fica feliz, ilumina-se-lhe o rosto e afirma algo do género: "quatro horas? tanto tempo, quase dá para bebermos um café, primeiro...". estão em bagdad, debaixo de fogo, o hospital nem pensos tem e ele, porque ama e nem lhe passa pela cabeça que ela morra, fica feliz por haver uma solução. e, por acreditar, concretiza-a.

deixei em comentário, acho que é preciso ser louco para suportar tudo que nos cai em cima. é por isso que quando me atiram mesquindad me dá nojo, pena, raiva. feliz, sou louco suficiente para a remover...

porque o mundo é feito de opções pessoais que merecem respeito (por mais dor que provoquem), porque erramos todos os dias, mil vezes, porque gostamos de outros seres humanos, mesmo quando nos deixam para sempre, um carinho aos que partiram (e ficaram, na medida em que os amamos como amámos).

sábado, 9 de maio de 2009

quinta-feira, 7 de maio de 2009

o almoço



pois cá vem o almocito, com atraso de um dia (é o que se chama dieta compulsiva).

se isto tivesse calhado de outra maneira (e nunca sei como calha), tinha almoçado num refeitório de uma instituição de idosos (meus clientes), onde se comem uns carapauzitos com feijão frade, de chorar (e a dra, ah, a dra).

calhou comer em casa e nem a dra fez falta... pena já ter acabado a tarte de pêra, mas o jangling jack atirou-se a ela como se não houvesse amanhã, no domingo (e realmente não houve, para a tarte, que se finou no próprio dia. o meu mano é um gajo prevenido, e a comer tarte, vale por dois. a seguinte é de ginjas, está prometida).

estive para fazer bacalhau à brás (o meu mais recente e maior orgulho culinário), vinha aqui gabar-me, e assim. confesso, nada do que comemos fui eu que cozinhei. mas fui comprar o pão. e as uvas, que também lavei. e também lavo a loiça. entre outras mais valias que tenho... (batidos, sou um "bês" a bater...).

isto derrapou um pedaço, hoje. para usar linguagem adequada ao tema, caiu uma nódoa no melhor (gaba-te cesto) naperon.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

auto retrato / descrição



p(re).
p(re). s.- é verdade, para aqueles mais atentos que vieram saber que ia eu almoçar hoje, troquei a ordem dos temas do desafio, fica o almoço para amanhã (só em tema, tenciono almoçar...) e o meu retrato para hoje. podia alegar vários motivos: que o almoço de amanhã é especial; que descobri a fotografia do post de hoje ao descarregar as fotografias da máquina (explico mais abaixo, é descer); que isto andava muito certo e não me dou bem com rotinas; ou outro motivo qualquer que me ocorresse. para ser franco, apeteceu-me, c'est tout.

p(re). s.- acerca da fotografia, foi o gustavo que a fez. o meu filhote adora máquinas, a primeira vez que fotografou ainda não devia ter dois anos, apanhou um chão lindo, sombras fortes num dia de sol forte (acho que ainda aparecia a ponta das botitas)... a fotografia de hoje deve-a ter feito numa manhã, antes de eu acordar, ele sabe usar a máquina. fiquei feliz quando a encontrei, no domingo.

agora acerca do tema...

eu sou um fulano anormal (porque não me encaixo bem em parâmetros normais). com propriedade, chamam-me louco (na perspectiva de kalil gibran, de quem não tem máscaras e sente o sol atingir ao mesmo tempo o rosto e a alma), doido e tolo (estes mais carinhosos, a adocicar sofrimentos).

quem gosta de mim, aprecia-me a generosidade, a frontalidade, a convicção e a coerência. quem gosta de mim, não é por ser modesto, adaptável, normal ou enquadrado. quem não gosta, deve ter bons motivos... (e depois, há artistas que dizem que não gostam e se vem tentar enfiar no que é meu, diversions).

sou amigo franco (por vocação), filho desleixado (não muito, mais do que devia), arquitecto preguiçoso (mas dedicado), amante encantado (...l'amour...), sonhador inveterado (mas vertebrado), provocador descarado (sem nunca esconder a cara) e, acima e melhor que tudo, sou pai do gustavo.

amanhã, não percam o almocito...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

os pés



finalmente é terça-feira! é dia de post de pés! gracias, bruxa, pelo motivo de hoje...

com excepção de princípios (e convicções) e sonhos (nem todos), não há assunto melhor para mim. eu sou um daqueles fulanos que começa seja lá o que for, com uma mulher, por baixo.

parênteses (recordo muitas vezes uma conversa do meu tio com a minha mãe, era eu miúdo, disse ele a certa altura, acerca de um espectáculo de sexo ao vivo num bar do porto, pérola negra, e por um dos performers ter uma prestação apressada, que ele sempre tinha ouvido dizer que "um serviço bem feito começa pelo fundo da cama". as coisas que a memória guarda...).

suponho que poderia dissertar acerca de outras perspectivas para o tema de hoje (serem os pés a base do nosso equilíbrio, o nosso contacto físico com a terra, os xutos), mas confesso-me impotente para tal (é engraçado um homem confessar impotência de bom humor). este é o assunto para onde o meu cérebro (a parte racional e a do imaginário também) está magnetizado. por mais que tente, só me vem sapatos, sandálias, unhas pintadas, tatuagens a subir tornozelos, gotas de óleo a escorrer entre dedos, vídeos de podolatria, cubos de gelo a derreter, gotas de cera a pingar, pavimentos (e paredes, e lençóis, e água) de mil texturas e temperaturas.

há um dizer que diz que o caminho mais directo para o coração de um homem é pela barriga. pois até mim chega-se pela barriga, confesso, mas directo, directo, é calçar umas sandálias de salto ou aparecer-me descalça.

fica ainda um mignon do youtube, andava há que tempos à espera de motivo para posta-lo (já agradeci, não já, bruxa?).

p.s.- sou franco, não me aguentei e escrevi isto ontem...

alguém ao acaso na rua



por acaso foi alguém especial e não foi exactamente na rua. é uma amiga, que encontro muitas vezes no centro comercial perto de casa, cujo ar condicionado me sabe tão bem nestes dias de ressaca de escaldãozito.

é mãe de um amigo, que também é meu sócio (unoficial), vizinho e a modos que família. ela, a mãe, o meu alguém ao acaso de hoje, é uma pessoa difícil, "um poço de stress" penso que seria uma definição mui adequada. tem mais defeitos para além desse (é um defeito, no meu mundo, o stress), mas entre nós há uma relação de carinho sincera. gosto de me meter com ela, digo parvoíces que ela leva a sério, quase sempre, e reage com um senso de humor excelente. questão de compatibilidades de humores.

ela retribui com uma amizade que me comove, por vezes. uma delas, por circunstâncias de uma dívida que um filho de uma amiga dela tinha para comigo (dívida profissional, trabalho por pagar), ela foi comigo (arrastou-me), pessoalmente, até casa do rapaz (modo de falar, adulto mais velho do que eu) e espetou-lhe uma descompostura à minha frente! verdade que não resolveu, mas a disponibilidade foi genuína, e por isso, admirável.

recente, semana passada, fez algo que me atingiu de novo, interessou-se por mim e pelo meu filho. ela foi parte de nós termos conseguido jantar juntos na terça passada (outras partes houve, a todas estou reconhecido), nesta fase de barbaridades activas, tempo de guerra contra inseguranças alheias. e mais que o facto de ter participado, atingiu-me o interesse dela em saber se o menino estava bem, quanto a ele e a mim tinha sabido bem a alegria (soube, soube-nos muito bem).

hoje cruzamos-nos, ela ri-se de nos cruzarmos quase sempre no mesmo sítio, eu brinco que tínhamos combinado e nenhum se atrasou.

p.s.- hão-de reparar no horário do post, já estou a escrever em horário greenwich (antes saiam umas horas maradas, qualquer coisa algures no pacífico, acho).

p.p.s.- este é mais um post da série "desafio daquela bruxa". eu dou o título do desafio do dia aos post's, fica mais fácil acompanhar, mas gosto de ir mencionando que se trata de um post dessa série.

p.p.p.s.- (nunca tinha feito tantos pos) sei que isto também é um desafio fotográfico, o de amanhã irá incorporar essa vertente. e vai ter vídeo também. o tema são "pés", nunca mais é terça-feira...

domingo, 3 de maio de 2009

algo para recordar para sempre



é mais um post com tema, este.

tenho muitas coisas que guardo há muito, provavelmente para sempre, o difícil foi escolher. o critério foi nenhum, lembrei-me de várias e esta foi talvez a que efeito mais profundo produziu em mim.

eu tenho escrito que as pessoas se salvam por outras, é a minha verdade. no caso que recordo, foi diferente, salvei-me sozinho. para ser preciso, até foi outra pessoa que me salvou, mas era uma pessoa que já não estava. passou-se assim...

eu estava sentado no chão da sala, estava sozinho há um ou dois dias, olhava para uma estrutura de vida que tinha perdido e tentava saber se tinha valido a pena tanto sonho. era noite, eu estava sentado no chão, chorava como um menino, mundo ao contrário. acho que tinha bebido, menino parvo.

chorava perdido, estava mesmo sem saber o que pensar, a questão que me prendia era "valeu a pena?". suponho que seja algo comum de pensar quando se perde algo importante, em que se acreditou. eu tinha os sonhos todos em cima daquela relação, em cima ou ao lado, e agora não tinha onde os pôr. estive para me perder, essa noite, muito perto.

o que me salvou, mais do que a resposta, foi a simplicidade e clareza que ela trazia. saltou-me o que tinha crescido, a diferença da pessoa que era há uns anos atrás para a que estava sentada no chão, lágrimas pela cara. a que chorava era uma pessoa que me agradava, sabia amar, confiar, querer coisas parvas, tomar decisões, correr riscos.

acho que vou recordar sempre essa noite, desde aí sei o que quero e que existe.

sábado, 2 de maio de 2009

a primeira coisa que vi ao acordar



p.s. (pré scriptum)- série de post's ao desafio (ver coments nos post's anteriores), como se fossem sonetos, mas em post. sinto-me um luis vaz moderno. com os dois olhos, ainda, e sofrendo por dinamene's várias. erros meus, má fortuna, paixões ardentes.

ao que interessa...

no wake up sex, today...

no "bom dia, pai, dormiste bem?", e devia ter havido, barbaridades (erro meu, péssima fortuna).

acordar é a parte mais penosa do dia, para mim, e sem incentivos, é um esforço. em minha casa acorda-se com mil decibéis de luz (eu sei que é cientificamente inexacto, aplicar decibéis a intensidade de luz, mas tenho a sensação que aplicando-o poeticamente, consigo descrever uma luz intensa. digam o que acham, isto serve como câmara de teste para outros textos). se não fosse pela luz, acordava normalmente sozinho.

tenho companhia, por estes dias. hoje ela estava a dormir, quando acordei, chuchava no dedo. acordei em casa.