sexta-feira, 31 de julho de 2009

quarta-feira, 29 de julho de 2009

água fresca e sede



this one goes out to the one i love.

cada um que escolhe o caminho que quer, por mais que os amigos vejam desvirtudes nas escolhas que fez, tem direito a andar vertical e a olhar a direito para todos e cada um, sem nunca pedir desculpas de ter escolhido por si.

e quem, por consequência de proximidade, vê os que ama escolher caminhos áridos e pensa diferente, vai continuar a gostar, igual e refrescante.

nunca se pede desculpas de ser quem se é (a menos que se tenha mentido acerca de quem se é, been there, seen that, gone out, e aí nem vale a pena desculpar-se).

p.s.- hoje de tarde estava a falar com uma cliente, e rimos acerca de o pão fresco ser o mais quente e o peixe mais fresco não ser o congelado....

tic tac



"(...) i can wait another year or two / but not a moment more (...)"

porque o tempo é relativo, muito relativo (ando a escrever assim, não sei de onde me vem, é inconsciente).

há coisas para as quais um ano ou dois parece adequado (pagar as prestações de um carro, fazer um mestrado, aprender finlandês (versão optimista e com uma professora autóctone), resolver um desamor) e outras para as quais um momento já é demais (a hora de saída do trabalho, a espera por um resultado importante, a demora em saber o sabor de determinados lábios, resolver um desamor).

o tempo não resolve nada (importante, excepto o caducar de alguma multa ou afim...), mas há coisas que necessitam de tempo para resolver.

não tendo horários, o tempo costuma ser meu amigo, há períodos em que parece bailar à minha volta. faço muitos planos (quase todos mirabolantes), mas raramente tem componente tempo, data. e quando resultam (quase sempre), não espero durabilidade, resulta se acontece, independente de durar.

há um dizer que diz que "o tempo o dirá", mas o tempo é mudo, não diz nada. para compensar, penso que ouve bem, muito bem.

outro dizer diz que "a vida são dois dias". duvido, noites são muitas mais, seguro.

uma vez um amigo (no sentido menos rico) disse-me: "time and tide wait for no men". o inglês dele era tão mau como o meu finlandês é (ando a ver se melhoro) que teve de repetir (tempo desperdiçado) o que é uma verdade irrefutável, se acrescentarmos género: "... nor women". claro, fica ao critério livre de cada um(a) escolher marés e utilizar o tempo.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

foi a pomba, sim senhora



e agora, a nossa senhora de fátima (ler post anterior)!

hoje só posto indignação, é da maré (de manhã disse ao meu irmão que deve estar para acontecer algo muito, muito bom, porque tem sido só barracada... fosse eu supersticioso....).

ora bem, nem sei como nunca escrevi acerca da virgem. aqui vai:

eu admiro a fé das pessoas, o que elas retiram da fé que tem. a minha não está em deuses nem demónios, santos ou virgens, mas como quero que respeitem a minha, respeito a dos outros. tive uma educação de princípios cristãos e não lamento, porque em todas as religiões há coisas boas, e parece que é por essas coisas boas que se começa, com os catraios. depois, cresci. sou agnóstico convicto de que uma fé não me vai ajudar a ser quem quero ser. acredito (não tento, acredito mesmo, por isso escrevi no post anterior a minha vergonha) nas pessoas (há excepções, vocês sabem de quem eu estou a falar....). para terminar a introdução, não acho que haja uma fé melhor que qualquer outra ou uma maneira correcta de sentir fé mística.

e agora, à virgem:

vivia-se em estado novo, e três crianças viram a virgem, apareceu-lhes por trás de uma oliveira, acho (até aqui, é razoável, em puto eu vi tanta coisa). mas disso até hoje haver uma cidade pujante e dinâmica no local da oliveira, vai muito negócio. e o negócio chama-se aproveitamento descarado da fé das pessoas.

voltemos dois mil e picos anos no passado: uma mulher, digna e pura (ui, deus me livre dessas mais a mania delas de se enfiarem nas igrejas...) ficou grávida, sem sexo. o marido, digno e puro, mais a aldeia toda, vai de acreditar que tinha sido inseminação divina, coisa de anjo em forma de pomba. e da pomba mais a mulher pura e digna, que ainda no século passado entretinha pastoritos nas beiras, nasceu uma fé bi-milenar.

não adianta falar das aberrações (inquisição, autos de fé, guerras santas (sim, os cristãos já as faziam há séculos, agora é que são mal vistas pela cristandade), regras sexistas e retrógradas) ou das virtudes (fico-me pelo conforto espiritual que quem acredita retira). e qualquer outra fé terá as suas próprias aberrações e virtudes, não são exclusivo do cristianismo. até a minha as tem, profusas.

o que me incomoda, mais ainda que a chico-esperteza política, é a hipocrisia com que se bate nos paramentos a jurar histórias sem fundamento, mas lucrativas, muito lucrativas. aliás, se não fossem lucrativas, nem tinham arranjado as histórias...

os portugueses



não gosto de dar importância a gente malcriada, mas é pré-época de eleições, e confesso que fiquei abismado com a notícia. pensei deixar no anedótico, mas chiça, ça suffit!

não é que uns chicos-espertos madeirenses (pá, deve ser qualquer coisa que se come (ou bebe, provavelmente, que se bebe, em quantidade) na bendita ilha) decidiram fazer voar um zeppelin com publicidade partidária mesmo durante a festa do alberto joão! ele há gente sem respeito a nada, imagine-se virem uns hereges quaisquer perturbar o passeio da senhora de fátima em redor do santuário mais da basílica novinha em folha (folha de papel moeda, isso também é assunto, calhando vai de balanço e segue a seguir).

pois a ideia era boa, causava impacto, era mesmo um estouro (o zeppelin, é acerca do zeppelin). era chico-espertice, convenhamos, mas era coisa ligeira, de amadores. e quem não sabe jogar o jogo, fica em casa...

porque os meninos crescidos não gostam que se lhes entre nas festas sem convite, e isto de o ar ser de todos é cá no contenente, porque lá, na pérola, ar, terra e atlântico é tudo do alberto joão e amigos (os amigos são importantes, nestes esquemas). vai daí, uma vez que a polícia não conseguiu impedir o descolar do zeppelin (descarados, tinham TODA a papelada em ordem), houve uma alma qualquer, plena de indignação, que achou que o melhor era enfiar uns balázios no balãozito, a ver se era tão à prova de chumbo como de burocracia. não era....

eu sei que políticos em geral são uma classe desvalorizada (não no sentido de não a valorizarem, no sentido de não se valorizarem, eles a eles), que o nosso primeiro é uma fonte de anedotas (de ir às lágrimas, se dermos atenção), mas na madeira é mesmo fartar vilanagem.

quando era puto (sim, já é assim desde essa altura, tenho quase 40), achava-lhe piada. depois cresci, abri os olhos para o mundo, tenho vergonha. não é dele, ou das fátimas felgueiras, ou dos isaltinos. nem dos armandos varas, dias loureiros ou majores valentes.

é das pessoas do meu país.

p.s.- créditos pelo cartoon ao henrique monteiro. quem gosta e não conhece, aqui fica o site.

as vizinhas do saguão



quase três da manhã, noite tranquila, arejada de janelas abertas. estava deitado, tentava organizar a semana que vai começar, focava no dia de amanhã, fui distraído e vim escrever.

eu moro no 3º andar de um prédio antigo, com a idade da minha avó. o prédio tem um saguão (coluna vertical não edificada, que permite iluminação e ventilação a compartimentos que, sem ele, seriam interiores). este saguão tem a particularidade de servir dois prédios, o meu e um vizinho, também ele quase vazio, com excepção do 1º andar.

nesse 1º andar vivem duas irmãs, solteiras (pelo que me contou o presidente da junta), quase tão antigas como o prédio e a minha avó. discutem, são três da manhã e elas discutem. discutem com muita frequência, nunca percebo acerca de quê, parece ser acerca de muitas coisas poucas, e discutem a qualquer hora.

não é que se dêem mal, acho. opinião minha, vivem sozinhas há tempo demais, talvez não discutissem assim no início. não sei porque nunca casaram (nessa parte o presidente da junta não elaborou, acrescentou apenas que tem bons fundos, ao que eu acrescentei que uma delas é coscuvilheira ao limite), mas também arrisco escrever que se tivessem vivido amores, hoje discutiriam menos.

não conheço a história de nenhuma delas, mas por vezes, as pessoas, pelos motivos pessoais que as motivarem, deixam passar/cair/escorregar situações/relações/ocasiões que lamentam depois ter deixado passar/cair/escorregar.

nas rotinas actuais há mais motivos para que isso aconteça (questões de trabalho, finanças, inseguranças, individualismos) do que na época da juventude delas (as mais das moças, e os moços também, casavam novas(os) e poucas
(os) ficavam para tias/solteirões), mas continua a ser pecado não amar...

silêncio no saguão, já só deve ser rompido pelos passaritos, na alvorada. recolho.

domingo, 26 de julho de 2009

my bad



errei num comentário, há uns posts atrás. concordei com um comentário acerca do final de um filme (zed's dead, baby, zed's dead) e continuo a concordar. mas acrescentei, errado, que devia ser o final de todos os filmes. é de andar meio azedo...

já postei o final "ideal" do filme ideal que conta a história ideal, a insustentável leveza: boy mets girl; ela vai ter com ele, mala na mão, à porta de casa, ficam juntos; depois ela sai de praga, e ele vai atrás; ela volta para praga, ele volta; por não aceitarem regras injustas, vão viver para o campo; última noite, dançam entre amigos, amam-se e morrem; juntos.

o filme é mesmo muito mais que isso e cada história é uma história (cada uma tem a(s) sua(s) nicoletta(s), isto é mesmo muito relativo). porque há histórias que acabam bem, na altura certa, com o final no fim. outras, para acabarem bem, implicam recomeços, novas histórias e novos sonhos.

eu, por mim, quando for altura, gostava de terminar leve. entretanto, ando a pensar na chopper, mas não tenho sítio para ela dormir...

sábado, 25 de julho de 2009

perenidades



mudei o fundo de ecrã, a questão do mundo que pula.

gosto de fotografar texturas, saem-me eloquentes. esta não é de minha casa (essa fase de remodelações já caducou ao tempo), é de um muro, prédio do quarteirão vizinho, a caminho do pingo doce.

imaginem uma coisa: houve uma altura em que este muro estava pintado de fresco, ficava uma palma marcada se encostassem uma mão. há quantos anos foi? 15, 30, 50? e o que é mais importante, a cor da pintura, que descasca, ou os inertes do muro, que, ocultos durante anos, agora se vêm e continuam a manter o muro vertical? o que é mais real, o muro bem pintado e apresentável ou o muro hoje, descarado? o que é importante, o que é perene, o que é mais visível ou o que deixa marcas? e se durar dois dias e marcar a vida toda, vale mais que uma vida toda sem marcas?

por escrever de marcas, há uma que guardo, por mais que o mundo pinche: um desenho do meu puto, no messenger...

hoje



a (des)vantagem de ter uma casa remodelada é que quando se acaba de a remodelar, já ela precisa de uma re-remodelação, and so on, and so on...

fui às compras e tive de lá voltar: faltava queijo ralado e a máquina fotográfica, para guardar uma família de gatos. tan lejos del cielo andas / y tan cercito de díos estas.

foi um dia teso, mas nada como o suor, to get the devil out of me. vamos dormir descansados, eu e ele. a bem escrever, ele vai bailar a noite toda, acho, mas não vai ser comigo...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

estrangeiros em geral



acho que já escrevi aqui algures que esta é a altura melhor para estar em coimbra: poucos conimbricenses e muitos estrangeiros.

esta é uma cidade de mentes curtas (versão delicada) / tacanhas (versão franca). umas das características mais ridículas é a de mais de metade da população residente (sem contabilizar estudantes, esses saem por outros motivos e para destinos variados) ir a banhos para a figueira da foz (estância balnear de luxo, onde não se faz nudismo nem se arranja uma cadeira numa esplanada,
durante o mês de agosto (a parte do nudismo não é sazonal)).

das mais ridículas e das mais saborosas, porque coimbra atrai centenas de estrangeiros.

não há altura melhor para ficar numa esplanada (porque as de coimbra tem mesas vagas...), sempre gente curiosa em volta (para variar dos sabe-tudo, que estão na figueira, como se sabe bem), gente que mete conversa, pergunta, sorri, não grita com os putos, que andam soltos.

estou a ler contos de dostoievski. conjugado com línguas estrangeiras, para mim, resulta muito bem.

p.s.- fiz batota, costumo sair sem a máquina. amanhã troco a fotografia por uma de autor...

italianos



há um vendedor da cais que "conheço" há uma meia dúzia de anos. costuma estar pela ferreira borges, italiano, sessenta anos, magro, homem de passado, penso que tem um filho adolescente. as mais das vezes, cumprimentamos-nos de longe, um aceno. outras, umas palavras rápidas, circunstância, revista a mudar de mãos. raro, acontece parar-me, ficamos na conversa.

o raro calhou hoje. o homem anda triste, desiludido, porque não consegue arranjar trabalho para além das revistas (acho que eles não podem acumular outro trabalho, a ideia da cais é ser temporária, mas regras são para se descumprir). diz ele que está velho, que já não aguenta servir em restaurantes até às tantas, que ninguém arranja trabalho na idade que tem.

pior, depois espetou-me uma faca na alma: "não se pode confiar em ninguém!", acerca de dinheiros que não lhe terão pago.

eu sei que é verdade, que acontecem muitas dívidas por pagar, que mesmo gente honesta falha (porque não consegue continuar a ser ou porque, finalmente, com as facilidades da conjuntura, se encosta). mas chiça, para quem tinha acabado de postar benigni...

está bom de ver que o que os italianos dão com um filme, retiram com um comentário.

p.s.- piada xenófoba. pensei se a devia retirar, mas que raio, mais vale dizer piadas parvas que sê-lo.

p.p.s.- pensando bem: calhando, tudo se resume à nicoletta de cada um...

fantasias



per transmettere la felicità, bisogno essere felice; per transmettere la dolore, bisogno essere... felice.

benigni vive num mundo diferente, com regras diferentes. olha para o mundo dos outros com a mesma ingenuidade do passarola do post anterior, ri do que, sendo normal, lhe é estranho.

a parte fascinante, que demonstra a esperança que o mundo pode ter em si, é que, sendo ele tão à parte, tem a atenção de quem está tão dentro (pode-se interpretar "dentro" como "prisioneiro", aqui).

onde almodôvar é bizarro, kusturica é solto (de largado), burton é fabuloso (de fábulas), benigni é infantil. e o mundo dele não anda de pernas para o ar (ter uma nicoletta ajuda)....

cada um pode escolher o mundo em que quer viver (se for capaz), pode escolher a realidade (se a encontrar) ou criar uma fantasia onde se sinta confortável. ele acho que conseguiu crescer sem deixar de ser puto.

curtas



andava a procurar uma coisa e encontrei isto. bem feito, para os passarolitos, saiu-lhes cara a cegueira do elitismo. curioso, o riso do desenquadrado não tinha vingança nem desprezo, era só ingenuidade.

depois encontrei isto. porque há coisas que valem o esforço.

last but never least, isto. o que eu gosto deste (tenho uma amiga nas ilhas que também vai gostar, se o conseguir ver), finalmente!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

fins e recomeços



whose motorcycle is this?
it's a chopper, baby..
whose chopper is this?
zed's...
who's zed?
zed's dead, baby, zed's dead...

romãs e tecnologias



acabou de chegar, via email. não sei que vos escreva, fiquei meio sem letras. ainda estou alucinado com a máquina de barbear e a de café, mas o toque da harmónica soa retro suficiente para regressar à realidade.

continuo a preferir as romãs à maneira tradicional, descasca-las e saborea-las. agora que escrevo, reparo que ando com falta de romãs...

terça-feira, 21 de julho de 2009

não lhe chegam aos calcanhares



de há uns dias, tenho-me deparado com um problemita. esta é a minha altura favorita do ano, sandálias, são os putos nas lojas de brinquedos e eu nas esplanadas, no verão.

mas ultimamente, olho e fica uma sensação de "não lhe chegam aos calcanhares"...

hoje, finalmente, lembrei-me desta piada (a do título), e já não fico (tão) aborrecido por não chegarem.

recuperando a questão de posse: há marcas que duram para sempre.

les uns et les outres



c'est pas parce que la voix est belle, c'est parce que ce que tu dix est belle, victor démé.

há pessoas que se apresentam muito bem apresentadas, excelentes performances, imagem pós e ultra, referências a pipas de cultura e coisas interessantes.

e há pessoas que tem realmente algo a dizer, são um gosto escutar, porque acabamos a reparar no que nos faz falta.

a vida é simples, a maior parte das pessoas complica.

rios



eu vejo a vida como um rio, fluente. há questões de corrente, de nadar bem ou mal, de a que profundidade se percorre o rio. e há a questão das relações de proximidade entre pessoas (que é o assunto do post).

pessoas aproximam-se, nadam juntas, ajudam-se (muitas há que tentam atrapalhar os outros, mas essas ficam fora deste), tocam-se.

algumas ficam sempre. outras, julgamos que ficam sempre, quando somos novos. depois, sempre passa a ser relativo, desde que seja inteiro enquanto acontece. outras ficam perto suficiente para nunca estarem longe. de outras não nos parecemos conseguir livrar (as que não encaixam neste).

a questão de saber nadar é importante, porque os que sabem podem escolher. direcção, sentido, momento, velocidade (e, em consequência, com quem).

para mim, cada vez mais a distância é menos definitiva, porque já senti muitas pessoas virem, irem, voltarem, deixarem.

para quem gosta de coisas muito bem definidas, o mundo é ingrato, porque é fluente. para mim, é gentil, porque permite todos os sonhos.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

músicas do mundo



paragem rápida, estou de saída.

venho só falar de vacaciones, intercâmbios, interpenetração cultural. coimbra está a encher-se de visitantes, é a minha altura preferida na cidade (sou avesso ao espírito coimbrinha). no entanto, vou de fds para sines, por vezes é mecessário deixar espaços para trás para olhar para a frente.

também é altura de música e concertos de verão. em sines, estão as músicas do mundo, por uns dias valentes. mas há mais, muito mais, para todas as preferências e oportunidades (porque o mundo é feito destas coisas). lisa ekdahl canta em cascais, a 23. por vezes é necessário ouvir algo fresco para refrescar a alma.

have a fun weekend, i most certainly will (try)...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

sargento garcia



está a passar na rtp memória, pela hora do almoço (vantagens de não ter horários), uma série do zorro, que para mim passa por ser o zorro original (consequências da idade).

o meu personagem favorito é o sargento garcia, gordo, comilão e beberrão, fácil de embalar na conversa.

em versões mais modernas, filme ou televisão, o personagem soa-me curto desse carácter que para mim é original, muitas vezes trabalhado demais, perde simplicidade e genuinidade. bem, o imaginário de cada um é isso mesmo: de cada um.

quando calha estar em casa e lembrar-me (o que acontece raro, sou de carácter distraído), ou, não me lembrando, tenho sorte no zapping (acontece mais), confesso que fico feliz por ver o bom sargento, sempre apanhado a comer e a beber, sempre enganado pela conversa do zorro, sempre voluntarioso, mas um passo atrás.

por estes dias, sinto empatia com ele. alma pura, para quem tudo é simples e se vê confrontado com uma realidade um passo à frente.

vou para sines, ouvir músicas do mundo, comer e beber. é o que faz o sargento garcia, para enganar tristezas...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

uma nova luz



existe desde 1973, fevereiro, uma lei que tem atrapalhado o país (a opinião não é unânime, mas talvez seja maioritária) e a algumas pessoas duplamente (é o meu caso). basicamente, a lei permite que técnicos sem qualificações façam projectos de arquitectura, e ficou conhecida pelo cognome de 73/73, em virtude da coincidência de ser o decreto-lei nº 73 do ano de 1973. uma bizarria engraçada.

tendo passado 36 anos, pode-se perguntar como raio é possível que esteja em vigor ao fim de tanto tempo? mais espanto provoca se tomarmos em consideração que estamos na união europeia desde 1986 (à data, cee, comunidade económica europeia). esta parte é fácil de explicar, nunca devem os legisladores europeus ter imaginado que deveriam publicar legislação a exigir que fossem arquitectos a elaborar projectos de arquitectura (tal como nunca lhes passou pela cabeça que tivessem de legislar acerca das habilitações necessárias aos técnicos que fazem cirurgia, por exemplo, seria uma bizarria).

pois agora, ao fim de tantos anos, nova lei define como exigível que projectos de arquitectura sejam elaborados por arquitectos, assim como define também a qualificação técnica necessária para elaboração de outros projectos (penso que continue a não haver legislação específica acerca das qualificações necessárias para fazer cirurgia....).

a partir de novembro (quando a lei entra em vigor), poder-se-á responsabilizar os arquitectos pelas obras de arquitectura. todas, sem excepção. escrevo por mim mas sei que muitos colegas partilham: gostamos dessa responsabilidade.

para finalizar, não deixa de ser curioso que a nova legislação seja publicada durante a vigência de um governo cujo primeiro ministro se fartou de assinar os pontapés que os amigos davam na arquitectura. bizarria suprema, escrevo eu.

p.s.- isto vem comprovar que a razão é como o azeite, vem sempre ao de cima e é saborosa com broa. faz-nos ficar convictos que tal facto se aplique a outras razões que demoram a elevar-se e saborear-se.

p.p.s.- gosto de bizarrias, sempre gostei, saboreiam-se muito bem. ultimamente, gosto ainda mais. barbaridades é que não suporto...

here's looking at you, kid



casablanca é um filme excelente, em quase todos os sentidos: história, cenários visuais e sonoros, carácteres humanos, frases que fizeram história.

uma delas, que titula o post, dizia repetidas vezes bogart (o original rebelde sem causa) à bergman (mulher adorável, apesar de não caber nas minhas preferências), a jeito de brinde ou despedida.

ontem estavamos a jantar e o "here's looking at you" ganhou mais um significado....

terça-feira, 7 de julho de 2009

lila downs



há sítios onde ficamos muito tempo sem ir, e depois vamos várias vezes em pouco tempo. tenho ouvido lila downs, talvez se lembrem de a ouvir no "frieda"....

... ... ... ... ... e ...

abuelita



ontem jantei bife com ovo a cavalo e batatas fritas, como a minha abuelita fazia, era eu catraio. ontem, não foi ela que fez, foi amor mais recente, mas soube mesmo bem.

abuelita fez 89 anos no domingo. por vezes, apesar de tão frágil, parece-me indestrutível.
está tesa, rija, discute, fala pelos cotovelos, lúcida como um dia claro. sentiu falta do bisneto, claro.

mas fez bôla de carne! já não usa receita, sai-lhe sempre bem (deve ser magia, ela mal consegue amassar a massa). depois, ela gosta de perguntar se está boa e eu gosto de responder que está excelente.

minha avó teve uma vida dura, começou com quase nada para além da família, passou muita coisa, criou a minha mãe e deu uma boa ajuda na minha educação e na do meu irmão. ainda hoje é difícil evitar que vá lavar a loiça (que lava muito mal, mas adora), se apanha uma cama a arejar, vai fazer, se fica uma roupa fora da máquina, vai lavar no tanque, água fria de gelar, tantas vezes.

minha avó vai morrer. daqui a muitos anos, acho, mas vai morrer, porque viveu. e vai ver o bisneto crescer, até lá.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

tecnologias, distâncias e intensidades



sou um adepto moderado das novas tecnologias, como utilizador e como implementação destas em âmbito generalizado.

moderado como utilizador por limitações minhas, coisas de quase 40 anos. desenrasco-me (as mais das vezes recorro ao meu informático particular, mas desenrasco. quem quer faz, quem não quer manda).

quanto ao generalizar da utilização das novas tecnologias (que é o real assunto do post), é boa ideia começar por sumariar as vantagens: multiplicação de meios de comunicação e contacto, eficácia, rentabilização, potencial exponencial de desenvolvimento (estamos por volta de sair da pré-história da revolução tecnológica, acho). mesmo profissionalmente, questões como a domótica (mais do que pré-história, ainda, aí), representação tridimensional, apresentação gráfica, capacidade de cálculo que permite edificar soluções que há 20 ou 30 anos eram apenas sonhadas.

a minha moderação vem de outro aspecto. novas tecnologias desactualizam e tornam obsoletas soluções mais artesanais (apeteceu-me descreve-las assim), substituem-nas e, em limite, eliminam-nas. claro que o mundo é feito de mudança, pulos e avanços (em mil domínios), e isso implica que coisas fiquem para trás. não sou saudosista por saudosismo.

o que acontece quase sempre é que na maré ficam também submersas coisas que não se deviam afogar. neste caso (do assunto do post), a multiplicação de contactos com base tecnológica foi subtraindo aos contactos mais directos.

tornou-se muito raro, cada vez mais, olhar para dentro dos olhos de alguém, pedir desculpa com um abraço, acumular saudades de distâncias físicas. isso ainda acontece em nichos de resistência e regiões menos "evoluídas", o que as torna tão mais atraentes por isso. escrevo eu...

este post nasceu ao ver este vídeo, mas,
para ser franco franquinho, o post remete para uma questão de defesas activas no relacionamento entre pessoas, que as tecnologias potenciam. e para uns versos de uma música de lhasa, "mi vanidad":

ay, ya no se canta/ como se cantaba ayer ahora dicen: "ven, tomamos un café/ besamos en français" no, ya no se canta/ "sin tu amor me moriré" no se grita ya/ "no aguento ese sufrir.../ quiero vivir...". linda cancíon

quarta-feira, 1 de julho de 2009

continuação do post anterior



p(re) s(criptum)- o que eu gostava de escrever nos sumários da formação "continuação da aula anterior"... sempre gostei de me desviar de formalidades e obrigações, foco mais noutros aspectos.

acho que estou a entrar em modo férias...

ontem utilizei extractos de um filme acerca de um herói escocês,e acabei a falar de uma queda (nos açores, chamam quedas aos saltos altos!) que tenho pelo imaginário celta.

escrever de celtas remete para uma cultura com raízes na idade do ferro (mais século menos século), com mitologia pagã, e que se difundiu por quase toda a europa, onde ainda tem manifestações, principalmente na britânia.

o que eu mais gosto é a ligação com a terra, o sentido de clã, a mitologia mágica e a música alegre (eu era capaz de aprender a dançar isto, depois de umas guiness).

por escrever em guiness, não gosto, mas há certos sítios onde vou em que não consigo evitar. a minha alma também deve ser parte celta...

rob roy mcgregor



do filme "rob roy", cena de pic-nic familiar, à pergunta de um dos filhos acerca do que é honra, cito de memória:

"rob- honor is something no man can take from you and no man can give you. it's a gift from man to himself.

filho- and what about women?

rob- women are the heart of honor."

escrevo eu que também é o que nos permite estar verticais e responder sempre aos filhos francamente.

outra passagem, rob discute com o irmão, após um amigo ter desaparecido com (muito) dinheiro que lhe devia ter trazido (estava morto, traição e roubo). o irmão desconfia do amigo, rob responde (cito ainda de memória):

"rob- he have never fail me before.

irmão- he have never had 1.000 pounds before...

rob- he had much more than that, he had my trust."

há coisas que não se compram, há coisas que não se vendem., constroiem-se, conquistam-se, merecem-se.

uma última, acerca de amor mentiroso, diz a mulher de rob:

"love is never a sin, only the lack of it is."

as highlands devem ser um sítio fascinante para apreciar os últimos anos. imaginem os açores com castelos centenários, runas, reels, duendes, lagos com monstros e pipas de escoceses...