sexta-feira, 3 de julho de 2009

tecnologias, distâncias e intensidades



sou um adepto moderado das novas tecnologias, como utilizador e como implementação destas em âmbito generalizado.

moderado como utilizador por limitações minhas, coisas de quase 40 anos. desenrasco-me (as mais das vezes recorro ao meu informático particular, mas desenrasco. quem quer faz, quem não quer manda).

quanto ao generalizar da utilização das novas tecnologias (que é o real assunto do post), é boa ideia começar por sumariar as vantagens: multiplicação de meios de comunicação e contacto, eficácia, rentabilização, potencial exponencial de desenvolvimento (estamos por volta de sair da pré-história da revolução tecnológica, acho). mesmo profissionalmente, questões como a domótica (mais do que pré-história, ainda, aí), representação tridimensional, apresentação gráfica, capacidade de cálculo que permite edificar soluções que há 20 ou 30 anos eram apenas sonhadas.

a minha moderação vem de outro aspecto. novas tecnologias desactualizam e tornam obsoletas soluções mais artesanais (apeteceu-me descreve-las assim), substituem-nas e, em limite, eliminam-nas. claro que o mundo é feito de mudança, pulos e avanços (em mil domínios), e isso implica que coisas fiquem para trás. não sou saudosista por saudosismo.

o que acontece quase sempre é que na maré ficam também submersas coisas que não se deviam afogar. neste caso (do assunto do post), a multiplicação de contactos com base tecnológica foi subtraindo aos contactos mais directos.

tornou-se muito raro, cada vez mais, olhar para dentro dos olhos de alguém, pedir desculpa com um abraço, acumular saudades de distâncias físicas. isso ainda acontece em nichos de resistência e regiões menos "evoluídas", o que as torna tão mais atraentes por isso. escrevo eu...

este post nasceu ao ver este vídeo, mas,
para ser franco franquinho, o post remete para uma questão de defesas activas no relacionamento entre pessoas, que as tecnologias potenciam. e para uns versos de uma música de lhasa, "mi vanidad":

ay, ya no se canta/ como se cantaba ayer ahora dicen: "ven, tomamos un café/ besamos en français" no, ya no se canta/ "sin tu amor me moriré" no se grita ya/ "no aguento ese sufrir.../ quiero vivir...". linda cancíon

1 comentário:

  1. uma faca de 2 gumes, diminui algumas distancias e mantém ou aumenta outras...

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