segunda-feira, 21 de setembro de 2009

the end



last one here, i'm out the mod.....

porque, como em muita expressão jazz, os círculos se fecham, por natureza, venho fechar este.

recordando, iniciei este blogue porque, sendo a mesma alma que escrevia o "romãs", estava longe da alegria com que o caracterizei. a alegria dorme agora a meu lado, fechado círculo amargo, consequências prioritárias facilmente sanadas (porque o meu puto tem alma livre). sem motivo ácido para continuar a escrever aqui, tenho o mundo outra vez direito (frágil como sempre, mas direito como sempre devia), venho com prazer encerrar isto.

começar algo e terminar algo são momentos marcantes desse algo. o início jorrou, teve muito de irracional. o final está escrito (mentalmente) há muito, desde que comecei a racionalizar o início. eu costumo funcar assim, primeiro sinto, sem muitos entraves racionais; depois racionalizo, sem muitos entraves morais. on est c'est qu'on est.

a frase final deste blogue, a que ambiciono não ter de regressar, é talvez (re)conhecida para alguns: the lion has rejoined his cub and all is right in the jungle.

p. s.- voltamos a cruzar-nos nas romãs, http://romasedesejos.blogspot.com. queiram ter a gentileza de me seguir.......

domingo, 20 de setembro de 2009

o que falta



de quando em vez, umas vezes, de vez em quando, outras, acontece deparar-me com uma definição que me satisfaz ao limite.

este fds dei de caras com uma (acho que foi ela a vir ter comigo, detalhe sem a mínima importância): pode não ser assim para todos, para muitos não será, mesmo para os que o é, pode nem sempre ser, mas acontece haver uma coisa na vida de cada alma que tem mais importância que todas as outras. é pessoal e pouco transmissível, penso que normalmente inconsciente ao nascer, depois damos por ela e devemos aceita-la, por genuína. pode ser passageira (muitas vezes é), pode nem haver em determinado período....

bollocks, acerca dessa coisa, apraz-me escrever que tendo-a connosco, podemos olhar para tudo o resto que possa faltar. sem ela, não resta nada em falta, porque já falta tudo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

fds mesmo bom


para quem vem ler-me, um fds tão bom como o meu vai ser.

confidentes



tenho talvez uma dúzia de pessoas que considero confidentes, pessoas que sabem da minha vida, nas suas várias vertentes. umas mais próximas fisicamente, outras mais próximas frequentemente, mas a característica mais abrangente (para além de disponibilidade para me aturar os delírios e se divertir, por vezes às lágrimas, com eles) é o sexo.

com excepção do meu irmão (e fraternidade é isto e muito mais, é uma relação com carácter particular), todas as pessoas a quem me confidencio são mulheres. amigas de anos, encantos ou amores antigos, todas mulheres.

uma delas veio beber novidades, ao café. como todas as outras, é a minha confidente preferida, sendo que o que a torna preferida, a ela, é a facilidade com que se ri das minhas histórias e se deixa navegar no meu mar de sonhos.

falamos de filhos (de ambos) e amores (mais dos meus, porque tenho mais, e mais divertidos), de tribunais (jurista) e negócios (nestes sonhos ela também navega).

uma das coisas que me dá prazer à alma é saber que há quem fique feliz por eu estar, sem interesses nem fábulas. simplesmente porque estou. e a mutualidade do sentimento.

chama-se amizade, não se agradece, cultiva-se e desfruta-se.

p. s.- aplica-se o sentimento a todas as outras, igualmente minhas preferidas.

a loira e o pinguim



hoje é dia gordo, acordou bem molhado mas já raia o radioso. por causa de boa disposição infantil, deixo piada que uma amiga enviou para o mail. é anedota de loura que não percebe o evidente, o que é discriminação cromática de pêlo, mas asseguro que é inocente e não direccionado a ninguém. cá vai...

"uma loira acorda, chega ao quintal e depara-se com um pinguim.
ao mesmo tempo olha para o lado, vê o vizinho e diz: - já viu o que está aqui? um pinguim! o que é que eu faço?
o vizinho responde: - não sei. olhe, leve-o ao jardim zoológico.
no dia seguinte, o vizinho olha para a casa da loira e vê-a sair com o pinguim preso numa coleira e pergunta: - então, não levou o pinguim ao jardim zoológico?
a loira: - levei, gostou muito, hoje vai ao portugal dos pequenitos...."

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

patologias



amanhã pode ser dia gordo.

se não houver mais barbaridades, vou passar o fds com o meu filhote, depois de meses, o que já raia a patologia. consequências de opções minhas, nada a ver com destinos.

acaso (vulgo destino) foi tê-lo visto hoje, depois de tanto tempo sem. já percebi que é para continuar a aturar circos, infelizmente.

porque há quem não consiga ver os outros felizes sem sentir que a felicidade deles está a descontar na dela. que raio, será tão difícil perceber que o facto de quem gostamos estar feliz elsewere, deve acrescentar à nossa? não seria mais fácil cada um tratar de construir a sua alegria sem para isso precisar de empecilhar a vida dos outros?

destino aleatório



acerca de destinos. já escrevi do tema algumas vezes, umas de forma centrada e outras mais marginal. hoje escrevo de uma forma exemplar (com exemplo....), motivado por divergência de opiniões (muito boas, estas divergências) com autora de outro blogue.

é fácil de aceitar que ninguém gere a sua vida completamente, em absoluto, porque há (mais de) mil factores externos que a influenciam (com quem nos cruzamos, com que disposição e disponibilidade essas pessoas estão no momento, que acontecimentos não provocados por nós nos influenciam, por aí).

relativamente a estes factores externos, ainda assim, há duas maneiras de olhar para a sua génese: são fruto de um ordenamento superior (conceito de deus, espiritualidade); ou apenas aspectos random, ocasionais, sequência aleatória das decisões pessoais de cada indivíduo e do seu impacto (igualmente aleatório) no ambiente em que interferem.

o que acontece, em complemento a esses factores, é a individualidade de cada indivíduo, que se manifesta em reacção a eles e/ou provocando-os (por reacção deles a atitudes nossas que, para eles, são externas).

ou seja, neste ponto de vista, somos parte do "destino" dos outros. o que me leva a duvidar da intervenção divina, porque para a aceitar pacífica teria de me considerar seu instrumento. pudendo estar errado, não mo considero.

custa-me a aceitar válida uma posição que aceite todos os avanços (por mais bárbaros que sejam, e muitas vezes são) da humanidade como mero fruto do destino (seja ele divino ou aleatório). no mínimo, aqueles que os promoveram (aos avanços), tomaram o seu (e nosso, por consequência) destino nas mãos dos sonhos.

o que me parece justo, a minha opinião de conforto, é que, surgindo factos aleatórios nos nossos percursos, constantemente, ainda assim temos (devemos ter) meios de os manipular, pessoalizar, tratar, gerir.

o exemplo: há uns dias atrás, numa conversa acerca de algo que aconteceu e me magoou, disse há pessoa com quem falava que tudo que me acontece é consequência das minhas escolhas e da minha capacidade de as fazer evoluir, de lhes acompanhar a evolução. é claro que há factores externos, e gente civilizada pede desculpa quando percebe que errou, mas se eu acreditei num sonho ou numa mentira, bem, fui eu que acreditei......

a consequência maligna de colocarmos a responsabilidade do que nos ocorre nos outros, é perdermos capacidade de ter impacto sobre isso, é retirarmos o destino das nossas mãos e o colocarmos, bem, não sei, mas não me agrada.

p. s.- tive de sair à pressa, duty calls. depois posto fotografia.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

justicia



"sigo creyendo / que lo malo acaba / que lo bueno viene / la consciencia te llama", lila downs, justicia.

dia feliz, promessa de dias felizes, de ter a vida como goles de água fresca outra vez.

ou, dada a época, como castanhas assadas, acabadas de assar, que se dividem com quem se gosta.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

personaliadde II



p(re) s.- a personalidade I está em baixo, podem começar por aí.....

outra coisa que me desgosta na atitude generalizada dos putos do secundário é a facilidade com que julgam os outros pela imagem e, principalmente, pela atitude de tentar aumentar-se diminuindo os outros.

esta perspectiva quase me aterra, porque distorce todo o mundo (e o meu tem andado muito ao contrário, nestes últimos meses). cada um, principalmente em puto (quando se tem os sonhos por corromper. quer dizer, quando se deveria ter....), deveria tentar ir o mais longe possível em si mesmo, e usar qualquer comparação com os outros como meio de conhecimento, de incentivo, de ajuda para se melhorar. ao invés, conheço muita gente que pensa que se aumenta por diminuir quem lhe está próximo
(até "adultos", mas o post é acerca de adolescentes, com maiores possibilidades de se corrigir do que almas de mesquindad enraizada há basto).

acho que me repito, mas a história é boa e abrevio-a: tive um professor na faculdade que um dia disse que o que o incomodava nos portugueses (ele é português, mas tinha estudado em itália, penso) era que, perante alguém que os ultrapassava em algo, em lugar de melhorarem nesse algo, utilizando quem era melhor como modelo ou incentivo ao seu crescimento, preferiam simplesmente passar-lhe uma rasteira durante a ultrapassagem.

suponho que quem tem esta perspectiva não percebe que ser o melhor dos imbecis fica muito aquém de ser o menor dos génios......

p. s.- outra circunstância em que isto se manifesta tem a ver com relações de casal ou parcerias profissionais. que ganha uma das partes em diminuir a outra? não é evidente que se a outra for menorizada também o casal onde ela se insere fica prejudicado? não é objectivo de fazer parte de um casal ou parceria profissional potenciar todas as partes envolvidas, em conjunto, de modo a todas lucrarem felicidade? que se ganha em tratar o marido como se fosse um cão ou um sócio como um encargo? respostas fáceis: pulgas na cama e lucros menores.....

personalidade I



começaram as aulas, novo ano lectivo.

isto, pelas minhas bandas, significa que tenho os quarteirões vizinhos cheios de alunos do secundário (nem sei se ainda se chama assim) durante os dias. não há esplanada onde me sente que não estejam pipas deles.

uma coisa que me desgosta neles é um tremendo culto de imagem, que se revela quer no modo de vestir, de se mover, nas poses que adoptam, na preocupação de enquadramento, nos julgamentos de outros pela imagem.

por mais fraca opinião geral que tenha dos professores (e tenho, é outro assunto, penso que já escrevi acerca), neste ponto sinto que têm um papel mais inocente, é mais competência de pais passar-lhes valores prioritários. quer dizer, são os pais que lhes compram e gabam toda a parafernália de roupas e adereços em que se consubstancia o culto.

os putos são educados para tentar "fazer parte de" em lugar de "serem". não é uma perspectiva individualista, que raio, cada ser é único e deve preservar essa unicidade para se puder dar aos outros. o que lhes indicam é um caminho onde devem tentar fazer parte do grupo que é "melhor que eles" (barbaridade), que é um sucesso consegui-lo, e que é aceitável (e preferível) ter comportamentos sectários para tal objectivo.

vou contar um episódio que ocorreu há uns anos atrás: eu estava numa das minhas esplanadas favoritas, sozinho, e na mesa atrás da minha estava um casal (menino e menina) em conversa animada (eu ouvi a conversa toda, mas não os vi). o rapaz falava muito bem, abespinhava-se com ostentação dos adultos, verberava contra ferraris, propunha um mundo mais justo, em princípios fundado (eu, que já à época tinha impressão semelhante à que expressei acima, estava encantado, aquilo soava-me um pedaço a conversa de engate juvenil, mas estava por ele). a moça estava tão encantada quanto eu, pelo menos parecia, de encanto já anterior, mas ainda não concretizado, e, no meio do que ia apreciando o que ele dizia, saiu-se com uma pergunta de "gaja", típica, se ele gostava de um piersing que ela tinha novo (talvez fosse tatuagem, mas o significado é esse). ele respondeu que sim, que "lhe dava personalidade". porra, raispartó puto, estava a ir tão bem.....

nada contra piersings e tatuagens (pelo contrário), imagens personalizadas e o resto do pacote
(pelo contrário), mas a personalidade não vem daí. talvez se possa argumentar que todo esse pacote é uma expressão da personalidade de cada um(a) (pode, apesar de ser irrelevante para este assunto), mas nunca se pode trocar causa por consequência.

patrick swayze



morreu ontem. não tenho muito hábito de escrever de quem morre, quando morre, todas as coisas simpáticas que cada um puder lembrar ou admirar de quem morreu. morreu, paz à sua alma, vale para todos.

mas apetece-me escrever acerca de um personagem que fez. o filme chama-se "point break", ele foi bodhi, um surfista com culto de liberdade que assaltava bancos com os amigos (com máscaras de presidentes americanos) para financiar viagens de surf.
depois, há um polícia undercover, uma menina bonita em cima de uma prancha, acção e adrenalina. é uma história de amizade entre diferentes. ou não.

o que o filme tem de especial é o final, pay the ultimate price, morrer livre.

jazz



um conceito importante para mim é saber de onde sou, onde é a minha casa (física, emocional, sentimental, ideológica). outro, puder andar por onde me apetecer, longe ou perto, a pé ou de carro, chopper ou patins de gelo.

uma das primeiras coisas que me fascinou ao ouvir jazz foi a liberdade e amplitude criativa da música. essa liberdade, que permite a quem executa andar por onde quer, gera uma comunicabilidade tremendamente eficaz, por causa da variedade de formas e conteúdos que tem disponível.

uma outra coisa que me fascinou um pouco mais tarde (não foi das primeiras impressões) foi perceber que muitas vezes a música, cheia de improviso, o tem assente em estrutura. quer isto escrever que, depois das notas iniciais, que são o tema da música, esta evolui por onde o espírito dos músicos a quiser levar, naquela determinada noite, e volta a casa, no final, porque fez o que queria fazer, por essa noite.

todas as noites são diferentes, todas as interpretações também. mas a música reconhece-se, porque é importante saber o tema sobre o qual se varia, tão importante como variar, sobre o tema.

é importante saber onde vamos, fazer o quê, e para onde voltamos, depois. e a vantagem disto é que permite todas as excepções......

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

mockin'bird



p(re) s.- noite de tube, scroll down.

gosto muito do original, aqui na versão aretha.

uma coisa que costuma correr mal são versões, porque os "artistas" tentam dizer a mesma coisa, mas com um ritmo diferente ou uma voz diferente. há excepções, por vezes mudar um desses, ou outros, aspectos torna a música diferente, com outro peso.

neste caso, eminem fez mesmo uma música diferente, fundada na mesma ideia.

love actually



foda-se, está fria. distâncias linguísticas.

step aside, ladies, this one's on me. o que acontece quando saímos para buscar o que queremos.

come on, michael, you know as well as i do, the record is crap. há quem viva de imagem e há quem seja honesto com a porcaria que faz.

you could have said fuck, and then we would have been in real trouble. iap.....

enough. enough now.

palhinhas



um dos piores pecados do mundo é a ausência de desejo de partilha.

o mundo seria tudo tão mais simples se cada um usasse a sua palhinha e deixasse o vizinho usar a dele, sem violências....

há macacos com sorte



nina- if it's a cheap lighter, you'd be able to blow out the flame.

.....

monk- ok, it's magic, carry on.....

domingo, 13 de setembro de 2009

há putos com sorte



um amigo mandou um vídeo. fácil imaginar a piada que lhe achou, suponho que eu também teria uma perspectiva semelhante, em circunstâncias "normais", afinal trata-se de uma pessoa que divulga uma coisa extremamente privada, pela world wide web. basicamente, a miúda está a... bem, é ver o vídeo.

não sendo circunstâncias normais, para mim e o meu filhote (infelizmente), vejo o vídeo, e vejo uma miúda que meteu o pé na argola (não é a expressão exacta, mas percebe-se a ideia) e não se importa de o reconhecer publicamente.

"porque faz ela isso?", é a pergunta que define a minha perspectiva. a resposta é deliciosa (dadas as nossas circunstâncias anormais): ela faz isso
porque o filho merece que o pai (não entra em juízos do valor dele) saiba que tem um filho (pode ser um imbecil e não se ralar, mas tem o direito de o saber para puder sê-lo (pai)), para que o puto possa ter pai. é um direito da criança.....

por incrível que pareça, num mundo que devia ser civilizado, há mães que se preocupam com o direito que os filhos têm de ter um pai.

p. s.- já nem falo do direito que os pais têm de o ser. apesar de abominar a perspectiva, entendo que gente incivilizada pense que pode causar mal a quem amou, de vingança por já não ser amada, tentando impedir isso. entendo, mas não deixa de me dar náuseas.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

a menina da browning



almoço divertido, comida da boa, vistas belas e conversa animada.

por escrever de vistas (de rio, a la alfacinha (posso-me largar no assunto, se não vais divulgar o endereço)), venho do almoço e pós almoço com uma discussão na ideia: será possível determinar com precisão, à partida (ou numa perspectiva radical, pré cruzamento), se duas pessoas são compatíveis e complementares?

para o restrito grupo de pessoas com "dom" de tarot ou bolas de cristal, evidente que sim; para os restantes mortais, afirmo que não.

argumento: várias pessoas que me conhecem bem, obtêm resultados diferentes em relação à minha compatibilidade com a mesma outra pessoa (ou tipo de pessoa). logo, ou cada uma das que me conhece bem, o faz de ângulos diversos (explicação aceitável) ou conhece menos bem a pessoa (ou tipo de pessoa) cuja compatibilidade analisa, ou não tem jeito para análises deste teor.

outro argumento, este o meu: quem faz puzzles sabe que, mesmo que uma peça pareça exacta, a priori, para determinado buraco, pode não o ser quando a vamos encaixar; e outra, de todo improvável numa primeira análise, acabar por servir trés bien.

mas a relevância da dúvida nem me parece essa: será aceitável que se elimine uma oportunidade de dois amigos serem felizes (mais a brwoning e os bikinis) apenas por um pré-conceito?

a questão que se coloca é se não será uma das partes mais fascinantes dos encantos o facto de gerarem soluções impensáveis? e se não será responsabilidade de cada um de nós sonhar com impensáveis?

é uma provocação barata, inútil porque acerca de assunto encerrado, mas franca e com relevância futura, em casos diversos.

p. s.- por escrever de compatibilidades, já é bem bom, tantas das vezes, conseguir compatibilizar disponibilidades físicas, porque raio se hão-de restringir as outras?

os que sim e os que não



as pessoas podem ser percebidas de mil e uma maneiras: se fazem isto ou não fazem aquilo; se percebem ou não, e o quê; se acreditam ou hesitam; se apostam ou passam; se vão ou ficam; se é hoje ou deixam para amanhã; se têm o que querem ou querem o que têm, se voam ou rastejam...

ouço muitas vezes que a vida é curta (cliché etário), suponho que é relativo e está relacionado com o que se faz dela, nela e por ela.

por exemplo, problemas: é preciso estar estável para os resolver, mas de nada adianta estabilidade se não a utilizarmos. sonhos: é preciso acreditar para os realizar, mas de que serve acreditar e ficar a olhar?

há um dizer que me apetece escrever assim: quem quer, vai buscar. quem não quer, olha para o lado.

sorte e azar são detalhes com reduzida importância, o que faz a diferença são as opções que optamos. se escolhemos o que queremos mesmo ou se nos gastamos elsewere. estes, tem desculpas, os outros, o que querem.

p. s.- hoje almoço com uma amiga que enfiou medos e dúvidas onde devem estar, e escolheu uma opção. não sabe se vai correr bem, mas está feliz por ter escolhido o que quer, e estar feliz é bom. vai ficar mais longe de mim, mas fico contente por ela estar. ontem jantei com uma amiga, igualmente adorada, que também optou. não sabe se vai correr bem, mas não está feliz, o que é mau. também mais longe de mim, mas não é por isso que estou triste.

potencial



uma das coisas que mais me atrai nas pessoas é ver-lhes potencial. isto em todas as áreas e tipos de atracção.

depois, gosto de as ver crescer, gosto de fazer parte desse crescimento (a razão pela qual mais me agradou ter dado formação), provoca-las para que cresçam, à sua maneira (para igual a mim, basto eu, e quase sempre sobra).

acontece as pessoas ficarem curtas, relativamente ao potencial que lhes vejo (quero ver).

parênteses (por exemplo, recordo um aluno que, "para se safar", copiou o trabalho de um colega e, imbecil, pensou que eu não topava. quando lhe demonstrei a batota, explicou que tinha "de se safar". ranhoso de merda, em vez de reconhecer erro, explicou-o. aquilo doeu-me horrores, na altura, estar de frente a uma geração nova, com o futuro nas mãos e ela preocupada em "safar"-se. hoje, falo ocasional com o rapaz (é um dos que lê isto), cresceu, tem sonhos, calhando, a correr bem, ainda se faz homem).

hoje vinha a conduzir e a pensar nisto: será erro meu de lhes esperar tanto ou delas por não o alcançarem. no mundo de cada um não sei, cada um vive lá e tem de fazer por ser feliz (e ajudar os outros a sê-lo também, já agorita).

no meu, onde vivo, estou certo. desiludo-me porque me iludi, e por ser capaz de continuar a iludir-me, estou certo. venha quem vier.....

os homens também choram



"os homens também choram, se tiverem motivos para isso", foram palavras que o meu pai me disse, em puto, e que guardei (não devem ter sido exactamente estas, mas o sentido foi este). ele chorava ao falar-me de um amigo que não via há basto, tempos da guerra colonial, penso.

sou muito parecido com o meu pai, mesmo fisicamente. de feitio, nem se escreve, aliás acho que já vimos parecidos desde a geração anterior à dele.

mas eu choro por motivos diferentes: choro por estar muito feliz (acontece) e choro pelas mulheres que amo. para ser preciso, acho que choro durante o processo de deixar de as amar. melhor, acho que choro quando começo a deixar de as amar, choro a perda de um sonho grande.

só me recordo de ter chorado por uma mulher que não amei, bela e falsa como punhais. fica de excepção.

p. s.- também fico marejado com filmes, músicas ou livros. diabo, sou meio chorão....

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

cat suicide



há uns anos atropelei um gato. para ser preciso, o gato saltou de um muro para baixo do meu carro, não tive reacção.

estava a chegar a "casa", tantas da noite, enviei sms à pessoa que "estava" comigo, sendo que na realidade estava a 200 km, em lisboa, e que nos sonhos estava ainda muito mais longe.

um dia, já eu nos sabia distantes nos sonhos, ela perguntou a quem ia eu contar, se atropelasse outro gato.

p. s.- não atropelei mais nenhum, coisas de que uma alma se lembra, só.

montanha russa



a vida é uma montanha russa, o que nem é mau, para quem gosta de emoções intensas.

hoje, uma engenheira tirou-me da cama (em sentido figurado), por causa de um trabalho chato que a ajudei a fazer. acordei mal disposto, mas satisfeito por ter o trabalho pronto. problemas na impressão, não conseguimos fazer de manhã, porque outra engenheira, que me tinha ajudado a fazer o trabalho para ajudar a primeira, tinha bloqueado uns layers para impressão. só descobri o defeito durante o almoço, uma delícia que sobrou do jantar de ontem (gosto tanto daquilo que faço para duas ou três refeições), tivemos de voltar às impressões de tarde, após o que fomos fazer contas. contas gordas, muito gordas, acerca das quais esperava ver saldada uma fatia gorda, no mínimo moderada, e um vendaval de desculpas. sorte de ela sacar do cheque na parte alta da montanha, e passou-o por inteiro. vai o vosso amigo, todo contente, depositar o dito, aproveitar para matar saudades da gerente de conta mai linda da zona centro (qui ça de toda a europa ocidental), e a beldade está fora, por período largo. motivo, licença de maternidade! eu bem a achei linda, quando a conheci (é daquelas que ficam grávidas deliciosas), nem imaginava porquê. carrinho a descer a montanha a 247 à hora, mas pelo menos foi por boa razão. vou à câmara municipal, saber de um projecto, já está informado, passou à fase seguinte, mais um cliente satisfeito e carrinho a subir montanha. agora, vou levar despojos de sonho embora (carrinho para baixo) e jantar com uma amiga (volta o carrinho a subir).

amanhã conto onde o carrinho estacionou, para dormir. para os ansiosos, suspeito que estacione à porta de casa, tarde, depois de uma extravagância qualquer.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

café entornado



lição para a vida: a maior vantagem de beber café perto de casa é a menor distância a percorrer de volta, em caso de entornar o dito sobre as calças......

poderia escrever-se em maré de azar, mas foi só uma pequena onda de café. quente. à conta do incidente, hoje é dia de três banhos, para mim, e um, para as calças.

a história do menino e o lobo



de subtítulo, "uma noção de liberdade".

era uma vez um menino chamado.... bem, vocês sabem, que vivia em trás-os-montes, na serra. o menino c
hamado.... como vocês sabem, e os amigos gostavam muito de andar pelas serranias, subir às fragas, deitar-se ao sol, ficar a recontar histórias de feitos heróicos, lendas e fábulas, que sempre ouviam contar ao pai do menino, enquanto desfazia na playstacion e na televisão, por os fazer perder ar puro e natureza.

uma das histórias preferidas do menino c
hamado.... bem, vocês sabem, era "pedro e o lobo", que tinha ouvido em música, e que ele e os amigos imaginavam podia acontecer-lhes a eles, de verdade, ali mesmo, porque era (ainda) habitat do lobo ibérico.

o menino c
hamado.... bem, vocês sabem, gostava dos lobos, mas os amigos tinham medo deles, por causa de mil histórias tontas que lhes tinham contado.

ora, a meio da conversa, animada de discussão acerca da bondade ou maldade dos lobos, ouviram um som estranho e foram procurar de onde vinha. logo um deles chamou os outros e todos os meninos viram uma ninhada de pequenos lobitos, sozinhos, à saída de uma toca. estavam também eles a brincar, pulavam uns pelos outros, perseguiam-se, puxavam caudas aos irmãos, uma galhofa como a dos rapazes.

como na história de prokofiev, quiseram todos os meninos levar os lobos como troféu de caça para o jardim zoológico, e ser heróis como pedro e os amigos. todos? não, um resistiu, ainda e sempre, argumento que os lobitos eram livres e estavam na casa deles. os outros respondiam que estavam sozinhos, que iam morrer de fome e frio, que o zoo era a melhor solução, e outras barbaridades.

mas o menino
chamado como vocês sabem foi inflexível e conseguiu convencer os amigos a esperar, porque de certeza os pais dos lobitos viriam breve para junto deles. foi difícil aguentar-lhes os ímpetos, todos queriam ser heróis naquela tarde, mas o menino chamado.... bem, vocês sabem, tinha razão, e pouco depois apareceram o pai e a mãe, traziam comida que as crias logo comeram, bem comportadas, sob os carinhos dos progenitores. depois, hora da sesta, todos entraram na toca, apenas ficou visível o focinho do pai lobo, virado na direcção dos rapazes, grato por não ter tido necessidade de os assustar....

nessa noite e nas seguintes a história foi contada e recontada, mas o herói dela sempre foi o menino
chamado.... bem, vocês sabem como se chama o menino, por gostar de ver os animais livres e acreditar que os filhotes tem direito a estar com o pai e a mãe.

simplicidade e génio



p(ré)- este post tem uma dose de angústia, associada a um detalhe: com ele, ficam tantos das pegadas (no nome do blogue está com acento, erro ortográfico justificado por questão gráfica, tem a ver com desenhos de pés que tenho no tecto) como das romãs, o que torna o período "pégadas" (triste de barbaridades) tão prolongado como o das romãs (de sonhos feito), and counting, a bit more.....

contagem feita, adiante para o post.

é acerca de simplicidade e genialidade, aqui vistas como faces opostas da mesma moeda. não é moeda de euros, ienes, dólares, patacas ou kwanzas, é moeda de dias felizes. ou seja, quer isto escrever que a minha moeda dos dias felizes tem de um lado períodos de apreciar as coisas simplesmente, e do outro, gestos amplos que mudam a simplicidade das coisas, que as potenciam (na imagem de ilustração são blocos de cimento, utilizados para fazer quebra-mares, pontões marítimos. são geniais porque simples no conceito e aplicabilidade, e tremendamente poderosos na eficácia).

posso escrever que ando com falta de génio (mesmo do mau, não sou esquisito nele), suponho que tem sido simplicidade a mais ou genialidade a menos. apostar nas duas coisas juntas era capaz de levar o prémio.

hoje abusaram-me, todo o dia, ainda mais simplicidade que calor.

agora à noite fui comprar cebolas (adoro cebolas, e acabaram. alho tinha e cenouras também) e vinha a pensar nisto, sem vislumbrar de onde me viria o génio. vinha tão entretido que o perguntava, e imaginava a resposta a começar numas pernas nuas em cima de saltos delicados, tendo no topo oposto um cabelo muito curto que mostrava uma tatuagem na nuca.

mas não, como sempre, enganei-me redondo, veio de um desenhador da câmara municipal, fulano de que gosto basto, daqueles maduros com quem se cria empatia porque, tendo profissão que lhe dá o direito de ser imbecil, bem, vejam lá e pasmem, não é. cruzamos-nos (eu de cebolas na mão, ele ia ficando com elas ao cumprimentar) e ficamos na palheta três ou quatro minutos. conversa profissional, nada para escrever aqui, apenas um gajo que olha e vê (o que até é a definição de simplicidade, julgo), mas no caso, há génio no que ele disse.

modéstia ao lixo, o que ele disse foi que eu tinha razão, antes de tempo, acerca de uma solução de que palhetamos há umas semanas valentes. mesmo sendo meu, génio é génio, e este nem é do mau, acalmou-me. espero que dure até me cruzar com a escrita nuca.

o inconveniente é que não tenho mania de me voltar para trás, ao andar, e a nuca, como é de conhecimento geral (em geral) e particular (para apreciadores), bem, fica nas costas, mesmo ao cimo delas, onde as massagens, simplesmente, se diluem. suponho que a sorte proteja os audazes, é o que se chama mérito. a nuca virá. talvez até fique.

se ficar, seguro que é por questões de simplicidade e génio. porque se for por outras, bem, para nada importante me serve....

domingo, 6 de setembro de 2009

a casa da rússia



hoje deu "a casa da rússia", com o sean connery e a michele pfeiffer. foi um filme importante para mim, ainda é, porque tem partes filmadas em lisboa, perspectivas traseiras de uma casa no largo em frente à minha faculdade, vistas de rio e memórias.

época de ideais, para mim, ideal de perestroika, um mundo novo que esperava melhor do que saiu (raios, costuma ser sempre mau quando estamos com a majoria (arranjei a palavra agora, vou usar mais).....), e ideal de quase arquitecto, que via o mundo envolto na luz do chiado e em amores puros, sem mentirolas (os meus e os do filme).

e o que torna o filme irreal é que um amor vence toda a corja de espiões que o rodeia (irreal, iap, foi o que escrevi, é fruta da época).

a certa altura, connery diz "easiest decision of my life", quando escreve ao amigo a explicar como escolheu entre o país e ideologia, e a pessoa que amava.

à bela michele tinha antes afirmado "i'm with you". fica tudo mais simples quando temos alguém a quem o dizer (escrito à moda "maçã", fruta intemporal).

sábado, 5 de setembro de 2009

revivalismos



há muitos anos, costumava passar muitas tardes na nave de alvalade, avec mon frére, víamos as amadoras do sporting, hóquei, basket, andebol, até volei. entravamos e saíamos para cada jogo, nave sempre cheia, gente e emoções. sentava-se os cus no cimento, enrolávamos os corpos em correntes de ar, tantas vezes, mas havia uma comunhão e entusiasmo genuínos, equipas que emocionavam.

hoje, avec mon frére, fomos ao pavilhão do casal vistoso, apresentação das equipas de futsal e andebol. o mundo mudou, é uma casa cheia de confortos e condições (apesar do bar fechado), as equipas já não atraem tanta gente nem tanto entusiasmo, mas soube bem, na mesma.

numa coisa o mundo está igual, e que me perdoem as poucas excepções ao que vou dizer, só confirmam a regra: não há adeptas mais apetecíveis que as verde e brancas......

p. s.- posto a fotografia quando a descarregar do telemóvel, vão desculpar estar tremida. e vão desculpar porque vão perceber porque me tremeu a mão.

a história do lobisomem e da falsa fada



era uma vez um menino, único como todos os outros. a característica que mais o tornava único era um peculiar fascínio pela lua, fascínio que engordava quando a lua ficava cheia.

ao crescer, muita gente entendida e entendedora lhe dizia que estava tal fascínio relacionado com o signo de zodíaco ou chinês, que tinha a ver com uma secreta apetência por queijo (esta, pelo menos, fazia lógica), ou outras originalidades similares.

um dia, porém, à noite, com a lua cheia, o menino, já rapaz, ouviu um uivo prolongado, genuíno. quando percebeu que lhe tinha saído da garganta, soube o significado do fascínio, quem era e para onde ia.

anos mais tarde, no percurso para onde ia, encontrou o rapaz com alma de lobo uma menina que parecia diferente, cheirava a promessas amplas e sabia a amora.

disse-lhe ela: - sou uma fada - e mostrou a varinha prateada.

apaixonado, perguntou ele: - que posso esperar de ti, menina?

- tudo - mentiu ela, e não parou de mentir desde então.

pacientemente, foi fazendo de cada mentira uma barra de prata, com que começou a construir uma jaula em volta da alma do lobo. cuidadosa, cada amigo dele ficava do lado de fora das grades, belas e cintilantes.

num último acto, encenado e dramatizado, tentou a falsa fada ajustar um par de algemas argenteas aos pulsos do apaixonado.
por mérito, o rapaz era crédulo, mas a alma livre demais, e num gesto largo, libertou-se.

desde então, em cada lua cheia, uiva feliz. aconteceu já uivar acompanhado, fadas verdadeiras, que o querem pela liberdade que contagia, pelos sonhos de menino e pela capacidade de acreditar em coisas simples, impossíveis até ser realizadas.


p. s.- está fascinante, a lua.....

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

direito (oposto de torto) pré-natal



niño- y que tienen el padre y la madre de hacer para tener hijos?

madre- sólo quererse mucho. ....

não está descrito nos direitos das crianças, mas é talvez o primeiro deles, pré-natal. há muitas coisas que são dolorosas de explicar a um filho, para que possa ser livre num mundo ao contrário, mas é uma ajuda brutal puder dizer-lhe que nasceu porque os pais se amaram (ou outra expressão qualquer, é irrelevante para o que estou a escrever). permite que perceba que as barbaridades que aconteceram, tem, algures (muito) no fundo, uma lógica bonita.

é essa beleza submersa, deturpada, corrompida, mas ainda beleza, em génese, que lhe permitirá crescer leve.

sábado, 29 de agosto de 2009

nada menos que tudo



há coisas (situações, pessoas, princípios, propostas, sentimentos) que, pela intensidade, só se satisfazem por inteiro. exemplos:

ser "um pouco" mentiroso...

uma proposta de trabalho sem responsabilidade criativa (ou, para quem prefira a perspectiva, sem ordenado ou honorários)....

amar alguém que não está inteiro para se dar (ou livre, de alma)...

ser pai sem puder estar com o filho....

ir retribuir uma gentileza se não se apreciou o que se retribui...

nestas coisas (como noutras), nada menos que tudo, é mesmo nada (ou outra coisa qualquer).

p. s.- não é uma questão de perfeição, é de sanidade mental.

p. p. s.- a ilustração é meio dramática, ficou porque gostei do modo como ilustra o tudo. e porque desenhos com fundo negro resultam graficamente neste blogue.

olhos azuis



há uns anos valentes, aconteceu uma coisa (que se repetiu, aliás. erros repetidos são sete vezes mais amargos)
que me deixou uma impressão para a vida. impressão duradoura, não intensa, no entanto, pelo que pude diluir o sete da repetição do erro.

hoje, por associação de ideias, recordei-a, e encontrei uma maneira de a expressar que me agradou. e porque hoje foi dia de generosidades, em todos os sentidos e direcções, vou deixar-lhes uma lição para a vida (lição seguramente duradoura, na aplicabilidade, e eventualmente intensa, porque há olhares que penetram mais do que outros):

olhos turquesa não mentem, tem a cor e brilho das lâminas dos punhais.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

ontem foi dia



ontem fotografei. não foi a modelo original, já começamos com pouca luz, mas foi uma moca, fiquei mui satisfeito com resultados (fica amostra sem a menina, questões de privacidade).

acho que tenho vício novo, estou a aceitar inscrições: oferece-se horas divertidas, cópias digitais, banho de espuma, refeição e sobremesa.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

another thought, após divagações



p(re) s(criptum)- tive um professor na faculdade que cultivava uma atitude rebelde (mais atitude que rebeldia, e ainda a misturava com uma dose generosa de parvoíce) que, em certa aula, e para deixar impacto, afirmou que era muito complicado aos arquitectos (ele cingiu-se ao género masculino, mas não excluiu o feminino, explicitamente) manter relações sentimentais. quando achou que tinha a nossa atenção, explicou que tal se devia ao facto de, frequentemente, enquanto amavam, lhes ocorrer determinada solução de projecto, que os levava a levantar-se, deixando a pessoa amada a meio da transpiração, e ir desenhar (suponho que nem deu conta que afirmava ser um amante de merda...).

(continuação de p. s.) ora isto não acontece com todos os arquitectos (acho até que acontece com mui poucos), comigo nunca se passou (se há coisa que me gabam é a intensidade de entrega) e convenhamos que é desagradável e deselegante: se é para amar alguém, que seja inteiros.

(continuação de p. s.) a mim, as soluções, ideias, pensamentos, de ruptura saem quando estou deitado sozinho (quantas vezes depois de olhar o desenho horas a fio sem produzir nada de jeito), a ler, enquanto alguém cozinha, sentado numa esplanada ou a andar. o pensamento deste post surgiu a andar, quando sentei na esplanada já o tinha.

(continuação de p. s.) (parênteses) não foi a afirmação mais idiota que ouvi a um professor na faculdade, porque um outro avançou que gostava muito de conversar e debater com pessoas que tivessem ideias semelhantes às dele (vossaxulência tem toda a razão; não, vossamercê é que tem; perdoe, a sua perspectiva do assunto é sublime; ora, fica a léguas da sua genialidade)....

p(os) p(pre) s(criptum) (ainda antes do post)- está a demorar, este, mas aconteceu outra coisa que me recordou outra coisa, que aproveito para escrever, já que se trata de uma sequência de raciocínios, ainda que independentes entre si. entre o pensamento do post e sentar na esplanada, encontrei uma amiga de anos, que me falou de algo que me recordou isto:

(continuação de p. p. s.) um advogado que conheço afirmava muitas vezes que a idade acentua o carácter das pessoas: se forem de boa natureza, melhoram com a idade, e se forem ruins, azedam ainda mais. quando isto vinha à conversa, eu concordava condicionalmente, porque gosto de deixar aberta uma porta para que gente ruim se "salve" (cada um é como é e aprende o que quer).

(continuação de p. p. s.) outro aspecto, para além da idade, que eu acho acentua o carácter das pessoas (neste caso, mulheres) é a gravidez: algumas florescem radiosas, ficam lindas, fazem o mundo girar gentil; outras, batocam, rodeiam-se de medos e riscos, têm nas mãos o que é belo e apertam até esmagar.

...

o corpo do post, propriamente escrito, o que me surgiu quando andava:

uma alma livre é aquela que pode afirmar (sendo justa a afirmação): "eu escolho onde me gasto".

just a thought



já ia a sair, derrubar umas burocracias, e reparei numa nota que tinha aqui na mesa. eu rascunho notas, frases de filmes, versos de texto, pedaços de letra de música. esta é de um filme, rtp memória, nem sei como se chama, e vou utilizar para escrever o seguinte:

a quantas pessoas e quais diria cada um(a): "one of the nice things about this world, ................... , is your presence in it"?

para os(as) mais ousados(as), quantas pessoas e quais, pensam vós, colocariam o vosso nome no tracejado?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

a história dos três leitõezitos



p(re). s(criptum)- sem me dar conta antes, dei agora, iniciei um ciclo, aqui: save the wolf ('s image in children (and adult) imaginarium). comecei com o capuchito verde, segue já a seguir.

era uma vez três leitõezitos, gordos como porcos, porcos como porcos e preguiçosos como mexicanos durante a siesta.

aliás, nem todos três tinham estas três características: um deles tomava banho regularmente, para galhofa dos irmãos, que faziam questão de o conspu(o)rcar (isto vai cheio de jogos de palavras) mal saia da tina (tina, aqui, não vem de cristina, era onde o leitão se lavava). por isso, todo santo (ou pecador) dia, havia galhofa, grunhidos gritados e chorados.

a mãe dos leitões não concordava lá muito com a relação do esquesitóide com a tina, mas mãe é mãe, preocupa-se com os filhotes todos, mesmo que cheirassem a sabonete de groselha. vai daí, era a que grunhia mais alto, durante a discussão pós banho, e grunhia até os bácoros se calarem. isto todos os dias, santos ou pecadores.

ora acontece que um lobo, vizinho das redondezas, gostava de dormir até tarde, muito tarde. e todas as santas (normalmente pecadoras, da fama não se livrava) manhãs, acordava com a grunharia na pocilga. convenhamos que há limites para a paciência lupina, e numa das mal dormidas madrugadas, resolve o lobo levantar-se (devagar, re-focando a verticalidade) e ir, educadamente, apresentar reclamações.

os leitões, ao verem o lobo chegar, ficaram ainda mais excitados: eram amigos de longa data (não muito longa de anos, eram leitões, não porcos, mas idade relativa, desde toda a porca da vida, quase). a porca, invejosa da amizade dos filhotes (tinha enfiado na cabeça que iam, os leitõezitos, deixa-la para ir viver com o lobo, mais atinado e divertido que ela), fazia o possível para manter afastado o rival imaginário, por vezes com requinte de malvadez (chegava a libertar uma quantidade quase tóxica de gases) e mesquindade ("os leitões estão a comer, não querem falar consigo, senhor lobo"). educadamente, distribuindo carinhos pelos pequenitos, o lobo dirigiu-se a porca:

- bom dia, dona porca, como tem passado?

- ora vejam quem aparece, se não é o mandrião do senhor lobo. que cara de sono, deitou-se tarde, namorada nova, de certeza, e trabalhar, nada....

o lobo, para não descer degraus, pediu aos rapazes que não gritassem até terem acabado de almoçar (tendo em conta que eles demoraaaaaavaaaaam a comer, era tempo de sono suficiente), e combinou com eles contar-lhes, enquanto faziam a digestão, uma das suas histórias. era argumento de terminar qualquer discussão infanto-suína, discussão terminada, despede-se o lobo:

- então resto de boa manhã, dona porca.

- vá arranjar trabalho, seu preguiçoso, eu sei perfeitamente educar os meus leitões e eles guincham o que quiserem....

ainda ela prégava, já o lobo dormia, sonhava com uma história que faria os três leitões passar a tomar banho todos os santos (ou não) dias.

p(os). s(criptum)- adoro contar histórias, quando isto ganha dinâmica.....

(inf)superioridades



"eugeni onieguin", de
pushkin; "manfred", de lord byron; e "crime e castigo" de dostoievski.

entre outros (recorro aos que prefiro, suponho), são livros onde os personagens maiores tem como característica comum uma perspectiva pessoal de superioridade, quando se olham em contraste com a sociedade.

dependendo das perspectivas, toda a gente é superior ou inferior, semelhante ou aproximado, a outro(a) ou outros(as). seguindo o raciocínio, tendo que para cada perspectiva existe a sua inversa (pelo menos), torna-se admissível que olhar de cima ou para cima é um estado de espírito, gerado pela perspectiva que quem olha adoptou.

alturas há que voamos alto, brincamos nas nuvens (ou onde cada um(a) quiser brincar, quando voa alto), beliscamos anjos (ou o que cada um(a)....), saboreamos vistas e aragens. noutras, os(as) mesmos(as) que antes voaram (e voltarão a voar), olham nos olhos lagartixas, sentem a humidade da terra no peito desprotegido, estão pesados de não se conseguir levantar.

os sentidos que utilizamos para apreender o mundo também tem sensibilidades diferentes, dependendo de onde estamos (nos sentimos, para ser preciso). o mesmo mundo parece delicioso e/ou desgraçado, consoante a perspectiva (e o momento) de quem o sente. consequência, há factos que são irrelevantes, é a relatividade que impera.

importante também a solidez de implantação de cada alma. se estiver muito solta, a perspectiva muda frequente (o que dificulta construir, mas tem muitos encantos); se estiver demasiado enraizada, sempre a mesma perspectiva monolítica (os anjos e as fadas me livrem de gente assim). de certeza que a virtude não estará exactamente no centro (aliás, cada alma procura a virtude onde a quer encontrar, e é mesmo aí que ela vai estar), mas será uma questão de equilíbrio de desequilíbrios.

p.s.- raios, quando iniciei o post, ia escrever acerca do heroísmo que há em ser capaz de (sobre)viver no mundo civilizado: contas para pagar, agendas, burocracias, mesquindades de gente mesquinha, curteza de vistas de quem devia ver longe, falta de princípios e sonhos. desviei-me, acontece.

sábado, 22 de agosto de 2009

a história da capuchito verde



era uma vez uma menina que sempre usava um capuchito verde. era muito irrequieta, observadora e generosa, por isso, a mãe pedia-lhe muitas vezes para levar um lanche a casa da avózita, que vivia do outro lado do bosque.

a capuchito verde gostava de ir, porque apreciava o prazer da avó ao vê-la chegar, gostava de lhe ver dançar os olhitos rugosos e gulosos ao abrir o cesto com o lanche, gostava dos carinhos que a senhora lhe fazia e das histórias que lhe ouvia, enquanto a velhota saboreava as guloseimas da cesta.

do que a menina não gostava era do caminho, cheio de sombras e formas que a assustavam, até chegar a casa da avó. levavam-na para pesadelos que tinha, de noite.

um dia, durante o caminho, uma das sombras no bosque moveu-se, num movimento sereno, gentil e firme. em frente da menina estava o lobo mais negro que alguém tinha visto (ou viu desde então, no mundo inteiro). mal teve tempo de se assustar, o lobo sorria.

- olá menina, que levas no cesto? - perguntou,
sereno, gentil, firme.

- um lanche para a minha avó, que mora no outro lado do bosque - respondeu a menina, mais curiosa que assustada, já...

continuaram a falar, e cresceu amizade. a menina habituou-se a parar durante o caminho, para conversar com o lobo. se ele não estivesse, ia decidida a esperar por ele, mas ele estava sempre,
sereno, gentil e firme. ela levava agora sempre algo extra, para o lobo. este, para além de duplicar os carinhos que ela recebia da avó, falava-lhe de um mundo diferente, onde as coisas faziam lógica e tudo parecia ser válido e possível.

breve, quem conhecia a menina gabava-lhe a serenidade, gentileza e firmeza recentes.

porque o que é bom acaba depressa, numa tarde, enquanto saboreava um kiche de espinafres e falava de como educava as crias, surgiu de entre os arbustos vizinhos um tiro. o lobo, atingido no coração, ficou parado a observar o caçador sair do esconderijo, voltar a apontar a arma. não voltou a disparar, porque, com um último sorriso para a menina, o lobo desapareceu, num rasto de sangue que se perdeu num riacho próximo.

não se encontrou o corpo do animal, nem alguém alguma vez voltou a ver
o lobo mais negro que alguém tinha visto (ou viu desde então, no mundo inteiro), mas o caçador, de nome doubt, ganhou fama por ter salvo a menina.

à capuchito nunca ninguém ouviu nada, nem "obrigada" nem "cabrão, para que fizeste isso?". continuou a levar o lanche à avó, sempre que a mãe lho pedia, mas já não tinha medo das sombras.

a avózita, mulher perspicaz de desilusões vividas, notava na menina, em certas tardes, uma serenidade, gentileza e firmeza mais intensas. mas, tal como desenvolvem perspicácia, também as desilusões desenvolvem respeito pela desilusão alheia, e a avó, redobrando carinhos, nunca lhe perguntou de onde vinham...


por não saber a resposta, também eu não a posso escrever aqui. suponho que seja tão válido acreditar que a menina as recebia do lobo, ainda, como que as tinha guardado, ao receber, antes.


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

jornalismo e twitter



"the problem lies in our perception of the sports media, that they exist to inform us, when they are actually in the entertainment business", comentário num blogue acerca de uma notícia de determinado jogador detido por conduzir com carta de condução suspensa (o que nos eeeuuaa parece dar direito a pildra) e da perspectiva que a imprensa desportiva escolheu.

assim de passagem, calha ser um dos jogadores que mais gosto de ver jogar, e joga na equipa que me habituei a ver perder com desgosto. é um jogador com 1,70 de altura e disputa todas as jogadas, afunda (campeão da nba), muitas vezes considerado a freak of nature, pela atitude e capacidade de se exceder, em sentido bom e mau.

preferências aparte, o que se passou foi que foi mandado parar quando conduzia, e foi postando mensagens no twitter acerca do assunto. sem entrar em detalhes acerca da detenção, o caso é mais válido se analisado na perspectiva da afirmação que abre o post.

porque a consequência de o jogador usar o twitter tornou toda a situação, que tinha aspectos confusos, muito mais clara, e deixou os meios de comunicação quase sem margem para "abusar", ou seja, se uma pessoa famosa (se não o fosse, nenhum jornal notificaria), imediatamente (no caso, em tempo real) notificar algo (de negativo), e tiver muitos seguidores (porque é famoso), com a velocidade de propagação de contactos on-line, quando o primeiro jornal estiver a escrever o primeiro artigo (mesmo na edição on-line), já o assunto é conhecido, na perspectiva da primeira pessoa. mais, o jornal será obrigado a reportar essa perspectiva, disponível no twitter, porque é relevante.

deste modo, torna-se ridículo criar uma notícia suportada em "fontes anónimas", que se podem manipular a gosto de captar leitores, ouvintes ou telespectadores, quando a notícia original, contada pelo próprio, está disponível, antes.

se extrapolarmos do jornalismo desportivo para o jornalismo geral, isto remete para um post de elogio que fiz nas romãs, acerca de qual o papel (papiro ou higiénico) que o jornalismo actual escolheu para si.

é mui mau quando jornalismo (e tantas outras profissões) é exercido com princípios comerciais, tout court.

o que se quer e o que se espera



vou escrever de futebol, mas serve de parábola.

jogou o sporting, na terça, jogo importante de ganhar, expectativas curtas. acabaram por não ganhar, mas jogaram bem (adoro ver o menino veloso, quando lhe apetece). fiquei satisfeito, porque não nos envergonharam e como nem devem chegar a jogar com os tubarões, dificilmente nos envergonharão outra vez (pelo menos este ano, pelo menos assim espero).

isto é mesmo acerca da distância entre o que se quer e o que se espera. pormenorizando, eu esperava que eles caíssem (vão cair) e fico satisfeito porque me parece o melhor que conseguiriam fazer, cair (como vão) com dignidade. o que eu queria (quero) é que ganhem sempre, mas entre o que eu quero e o que eu espero, vão por vezes muitos quilómetros.

não deixo de o querer, apenas não espero, se não depende de mim. e não esperando, pelo menos, sejam dignos a usar a camisola.

muitas peças



um desenhador de que gosto basto é luis royo. não é um favorito, mas ando a gastar algum tempo nele...

o mundo (gráfico) dele pode ter uma interpretação machista, mas reflecte algo importante do meu: há-de ser uma mulher fascinante a salvar um homem (também é uma perspectiva de aparente teor machista, mas não o é, porque o reverso vale igual. acontece que sou de género masculino, com muito prazer).

honorários



não é por causa delas, de certeza, mas durante as últimas visitas que tenho tido cá em casa, têm acontecido coisas inesperadas, mesmo surpreendentes, no que a pagamentos de honorários respeita.

toda a gente está entupida de ouvir que há uma crise, que ninguém paga a tempo, que o dinheiro não circula. tudo verdade, daí o inesperado dos acontecimentos:

o primeiro ocorreu há umas duas semanas, um cliente muito complicado (custa-lhe a perceber certas coisas, ou a mim perceber que ele as percebeu), relativo a um projecto com várias fases, todas elas de "contas difíceis" (apesar de leves), ligou a dizer que queria pagar a última fase do trabalho, mesmo antes de estar pronta (pronta está, falta imprimir e entregar, mas não estava em dívida)! foi muito menor a fortuna que a surpresa, mas este post é acerca de surpresas, não de fortunas.

ontem, de novo com visitas cá, ligou-me um fulano que tenho por ser o segundo maior aldrabão (em conjunto com o sócio. faziam lembrar o ditado "só se estraga uma família", na versão comercial, "...uma empresa". que, aliás, faliu) que tive o desprazer de aturar. foi artista para me passar cheques sem cobertura (o único, ficou-me de experiência para não morrer estúpido), nunca diz que não, paga-se sempre, logo que possível, confia em mim... não fosse eu um gajo com sorte ao jogo, e o rapaz estava no topo da lista, mas estando quem está, pode-se considerar que não podia humanamente fazer melhor. pior.

pois o rapaz ligou e quer-me pagar. claro que ainda latou que o valor em dívida não era aquele, de acordo com o que se lembrava (chatice ter passado os cheques, com o valor descrito...), que o melhor era rever os cálculos daquele valor (cujos cheques assinou, há uns seis anos...), e que eu tinha um problema, que ele queria ajudar a resolver, pelo que me propunha fazermos um trabalho juntos (daqueles que dão gosto) e ir pagando.

yours truly, que sou um gajo fudido para este tipo de arte, disse que o problema era dele, que me devia uma pipa de massa há anos, não meu, pelo que a solução teria sempre de ser dele, dono do problema, e não minha. mas que de mim podia contar com toda a disponibilidade para receber o que me deve, basta trazer o dinheiro (porque de cheques, já fui instruído).

há pouco tempo, escrevi um post (que uma amiga gabou) acerca de dignidade, em que descrevia situações deste teor. lá escrevia que, salvo circunstâncias excepcionais, se deve (deve em imperativo, não em aconselhável) deixar que o outro se levante.

como diz uma outra amiga, de férias na terra do júlio (césar) depois de se safar da terra do júlio (private joke), "hesito".

terça-feira, 18 de agosto de 2009

aurora a baloiçar



já não me lembro de ver o nascer do sol sentado num baloiço.

aproveitei um trabalho que demorou demais a terminar, saí e sentei-me num onde o meu pequenito gostava de baloiçar. parecem dias melhores a chegar, já fazem falta.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

jamaica, man



ainda com o muro em pé, ao lado dele, kennedy afirmou "ich bin ein berliner". com isso, (re)afirmava de que lado do muro estava, identificava-se com uma população que não era a sua, de nascença. porque os homens, para além do sangue que os percorre, também são o suor que transpiram e os medos e os sonhos que têm.

por estes dias, i'm a jamaican. não por usain bolt, campeão do mundo de 100 metros, em berlin (é o centro do mundo), mas pelo povo a quem deu alegria ao fazê-lo, pelos que acreditam num mundo diferente. e, por estes dias, ser "jamaicano" é mais do que costuma ser: gente que pensa livre, ouve marley e lee perry, usa rasta e marijuana e está contra os fundamentos de merda em que acenta o mundo.

por estes dias, ser jamaicano também é puder apreciar a vitória de um dos "nossos" no terreno "deles".