
p(re). s(criptum)- sem me dar conta antes, dei agora, iniciei um ciclo, aqui: save the wolf ('s image in children (and adult) imaginarium). comecei com o capuchito verde, segue já a seguir.
era uma vez três leitõezitos, gordos como porcos, porcos como porcos e preguiçosos como mexicanos durante a siesta.
aliás, nem todos três tinham estas três características: um deles tomava banho regularmente, para galhofa dos irmãos, que faziam questão de o conspu(o)rcar (isto vai cheio de jogos de palavras) mal saia da tina (tina, aqui, não vem de cristina, era onde o leitão se lavava). por isso, todo santo (ou pecador) dia, havia galhofa, grunhidos gritados e chorados.
a mãe dos leitões não concordava lá muito com a relação do esquesitóide com a tina, mas mãe é mãe, preocupa-se com os filhotes todos, mesmo que cheirassem a sabonete de groselha. vai daí, era a que grunhia mais alto, durante a discussão pós banho, e grunhia até os bácoros se calarem. isto todos os dias, santos ou pecadores.
ora acontece que um lobo, vizinho das redondezas, gostava de dormir até tarde, muito tarde. e todas as santas (normalmente pecadoras, da fama não se livrava) manhãs, acordava com a grunharia na pocilga. convenhamos que há limites para a paciência lupina, e numa das mal dormidas madrugadas, resolve o lobo levantar-se (devagar, re-focando a verticalidade) e ir, educadamente, apresentar reclamações.
os leitões, ao verem o lobo chegar, ficaram ainda mais excitados: eram amigos de longa data (não muito longa de anos, eram leitões, não porcos, mas idade relativa, desde toda a porca da vida, quase). a porca, invejosa da amizade dos filhotes (tinha enfiado na cabeça que iam, os leitõezitos, deixa-la para ir viver com o lobo, mais atinado e divertido que ela), fazia o possível para manter afastado o rival imaginário, por vezes com requinte de malvadez (chegava a libertar uma quantidade quase tóxica de gases) e mesquindade ("os leitões estão a comer, não querem falar consigo, senhor lobo"). educadamente, distribuindo carinhos pelos pequenitos, o lobo dirigiu-se a porca:
- bom dia, dona porca, como tem passado?
- ora vejam quem aparece, se não é o mandrião do senhor lobo. que cara de sono, deitou-se tarde, namorada nova, de certeza, e trabalhar, nada....
o lobo, para não descer degraus, pediu aos rapazes que não gritassem até terem acabado de almoçar (tendo em conta que eles demoraaaaaavaaaaam a comer, era tempo de sono suficiente), e combinou com eles contar-lhes, enquanto faziam a digestão, uma das suas histórias. era argumento de terminar qualquer discussão infanto-suína, discussão terminada, despede-se o lobo:
- então resto de boa manhã, dona porca.
- vá arranjar trabalho, seu preguiçoso, eu sei perfeitamente educar os meus leitões e eles guincham o que quiserem....
ainda ela prégava, já o lobo dormia, sonhava com uma história que faria os três leitões passar a tomar banho todos os santos (ou não) dias.
p(os). s(criptum)- adoro contar histórias, quando isto ganha dinâmica.....