quarta-feira, 26 de agosto de 2009

another thought, após divagações



p(re) s(criptum)- tive um professor na faculdade que cultivava uma atitude rebelde (mais atitude que rebeldia, e ainda a misturava com uma dose generosa de parvoíce) que, em certa aula, e para deixar impacto, afirmou que era muito complicado aos arquitectos (ele cingiu-se ao género masculino, mas não excluiu o feminino, explicitamente) manter relações sentimentais. quando achou que tinha a nossa atenção, explicou que tal se devia ao facto de, frequentemente, enquanto amavam, lhes ocorrer determinada solução de projecto, que os levava a levantar-se, deixando a pessoa amada a meio da transpiração, e ir desenhar (suponho que nem deu conta que afirmava ser um amante de merda...).

(continuação de p. s.) ora isto não acontece com todos os arquitectos (acho até que acontece com mui poucos), comigo nunca se passou (se há coisa que me gabam é a intensidade de entrega) e convenhamos que é desagradável e deselegante: se é para amar alguém, que seja inteiros.

(continuação de p. s.) a mim, as soluções, ideias, pensamentos, de ruptura saem quando estou deitado sozinho (quantas vezes depois de olhar o desenho horas a fio sem produzir nada de jeito), a ler, enquanto alguém cozinha, sentado numa esplanada ou a andar. o pensamento deste post surgiu a andar, quando sentei na esplanada já o tinha.

(continuação de p. s.) (parênteses) não foi a afirmação mais idiota que ouvi a um professor na faculdade, porque um outro avançou que gostava muito de conversar e debater com pessoas que tivessem ideias semelhantes às dele (vossaxulência tem toda a razão; não, vossamercê é que tem; perdoe, a sua perspectiva do assunto é sublime; ora, fica a léguas da sua genialidade)....

p(os) p(pre) s(criptum) (ainda antes do post)- está a demorar, este, mas aconteceu outra coisa que me recordou outra coisa, que aproveito para escrever, já que se trata de uma sequência de raciocínios, ainda que independentes entre si. entre o pensamento do post e sentar na esplanada, encontrei uma amiga de anos, que me falou de algo que me recordou isto:

(continuação de p. p. s.) um advogado que conheço afirmava muitas vezes que a idade acentua o carácter das pessoas: se forem de boa natureza, melhoram com a idade, e se forem ruins, azedam ainda mais. quando isto vinha à conversa, eu concordava condicionalmente, porque gosto de deixar aberta uma porta para que gente ruim se "salve" (cada um é como é e aprende o que quer).

(continuação de p. p. s.) outro aspecto, para além da idade, que eu acho acentua o carácter das pessoas (neste caso, mulheres) é a gravidez: algumas florescem radiosas, ficam lindas, fazem o mundo girar gentil; outras, batocam, rodeiam-se de medos e riscos, têm nas mãos o que é belo e apertam até esmagar.

...

o corpo do post, propriamente escrito, o que me surgiu quando andava:

uma alma livre é aquela que pode afirmar (sendo justa a afirmação): "eu escolho onde me gasto".

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