segunda-feira, 3 de agosto de 2009

(n)a minha casa



dias melhores a caminho, a começar já amanhã: gente que vem, gente que volta, gente que mistura o carinho deles ao meu. ainda não são dias mesmo felizes, mas cada dia é menos um dia que falta até serem...

nunca contei a história da minha casa aqui (há quem conheça e há quem faça parte dela, entre os que lêem), vou contar (porque há que tempos não conto histórias, não tenho a quem contar, por esta altura).

a minha casa é materialização de um sonho, não meu, mas nosso, dos que o sonharam juntos. não é um sonho pessoal, económico, financeiro, logístico, social ou arquitectónico. é um sonho comum de pessoas que quiseram sonhar juntas.

várias pessoas, com características pessoais e profissionais diferentes, escolheram transformar um prédio com oitenta anos numa habitação colectiva, portas abertas, como um apartamento gigante. foi teso, éramos todos tesos (que raio, apesar de sermos menos, ainda somos), aconteceram histórias mil (eu discuti com 3/4 dos notários de coimbra, à data, mais o de pombal; tivemos um fiscal a entrar esbaforido às 10 da manhã pelo prédio adentro, sorte eu ter passado na câmara às 9 e ter deixado o meu contacto, nunca mais o vimos; uma velhota, cujo filho tentava aproveitar o direito ao arrendamento para capitalizar, morreu na véspera da escritura (nã fomos nós); vivemos em casa uns dos outros, trabalhamos na casa uns dos outros, partilhamos suor com os que amamos (muito suor, misturado com serradura), vencemos burocracias, enchemos isto de carinho, três andares com pé-direito mui alto cheios de carinho).

depois, o mundo girou, uns foram para sul, outros para oeste, eu fiquei. tive o meu pai a viver comigo, depois este ano que passou já tive os pequenitos e os avós a viver em baixo. agora, vamos cumprir isto como deve ser, porque há sonhos que não se deixam, mesmo quando parece que não há maneira de os realizar. e o gustavo vai estar.

p.s.- uma de nós dizia que só falto eu, de amores, para tudo ficar arrumado. não sei se ainda pensa igual, não tenho jeito para prateleiras, mas não me importava de cumprir isso.

p.p.s.- piada fora de horas: como se sabe que amámos uma mulher fascinante? quando ela nos deixa e deixa uma garrafa de cachaça, para curar os males de amor (há mulheres que, n'importe quoi, valem a pena. isto faz-me lembrar a mercedes ruehl: it all got burned... acidently (acho que já tinha postado, se si, sorry for the repeat), mas para melhor. here's looking at you, kid)...

p.p.p.s.- amanhã coloco fotografia do prédio, não encontro nenhuma.

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