terça-feira, 11 de agosto de 2009

a peça



a vida é tão simples como goles e goles de água fresca.

uma das minhas característica mais vincadas (que tenho por qualidade) é uma necessidade olímpica de entender coisas. pode ser qualquer coisa, desde como funciona determinado encaixe numa peça até porque raio tomou certa pessoa determinada posição.

e mói-me (por vezes, sem limite temporal) não entender. muitas vezes, nunca realmente entendo, muitas outras, tomo uma opinião como a mais provável, sem nunca a conseguir provar.

nas outras muitas (imaginem quantas vezes me acontece, se as consigo subdividir em três muitas), chego lá. e é um prazer que chega a ser orgásmico, em certos casos, tal a necessidade que satisfiz. por exemplo, posso ficar a saber algo que me desagradaria, mas sobrepõe-se de tal modo o prazer de saber, que é libertador do que me desagradou ficar a saber.

hoje aconteceu-me. uma coisa que me incomodava há semanas, por absurda de falta de razão, tornou-se pacífica, ao saber como encaixava no resto.

imaginem um puzzle, onde vamos juntando vários conjuntos de várias peças, cada conjunto formando a sua pequena porção de imagem compreensível. temos compreensões soltas, uma ideia desfocada por falta de relação entre os conjuntos. a certo momento, surge uma peça, única, que permite unir os conjuntos de peças que tínhamos, perceber a sua relação relativa, tornar claro todo o desenho.

o desenho pode ser idiota, mas entende-lo permite seguir para o desenho seguinte, daí a libertação.

fechando o círculo, a vida é simples, a sede mata-se.

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