
não é por causa delas, de certeza, mas durante as últimas visitas que tenho tido cá em casa, têm acontecido coisas inesperadas, mesmo surpreendentes, no que a pagamentos de honorários respeita.
toda a gente está entupida de ouvir que há uma crise, que ninguém paga a tempo, que o dinheiro não circula. tudo verdade, daí o inesperado dos acontecimentos:
o primeiro ocorreu há umas duas semanas, um cliente muito complicado (custa-lhe a perceber certas coisas, ou a mim perceber que ele as percebeu), relativo a um projecto com várias fases, todas elas de "contas difíceis" (apesar de leves), ligou a dizer que queria pagar a última fase do trabalho, mesmo antes de estar pronta (pronta está, falta imprimir e entregar, mas não estava em dívida)! foi muito menor a fortuna que a surpresa, mas este post é acerca de surpresas, não de fortunas.
ontem, de novo com visitas cá, ligou-me um fulano que tenho por ser o segundo maior aldrabão (em conjunto com o sócio. faziam lembrar o ditado "só se estraga uma família", na versão comercial, "...uma empresa". que, aliás, faliu) que tive o desprazer de aturar. foi artista para me passar cheques sem cobertura (o único, ficou-me de experiência para não morrer estúpido), nunca diz que não, paga-se sempre, logo que possível, confia em mim... não fosse eu um gajo com sorte ao jogo, e o rapaz estava no topo da lista, mas estando quem está, pode-se considerar que não podia humanamente fazer melhor. pior.
pois o rapaz ligou e quer-me pagar. claro que ainda latou que o valor em dívida não era aquele, de acordo com o que se lembrava (chatice ter passado os cheques, com o valor descrito...), que o melhor era rever os cálculos daquele valor (cujos cheques assinou, há uns seis anos...), e que eu tinha um problema, que ele queria ajudar a resolver, pelo que me propunha fazermos um trabalho juntos (daqueles que dão gosto) e ir pagando.
yours truly, que sou um gajo fudido para este tipo de arte, disse que o problema era dele, que me devia uma pipa de massa há anos, não meu, pelo que a solução teria sempre de ser dele, dono do problema, e não minha. mas que de mim podia contar com toda a disponibilidade para receber o que me deve, basta trazer o dinheiro (porque de cheques, já fui instruído).
há pouco tempo, escrevi um post (que uma amiga gabou) acerca de dignidade, em que descrevia situações deste teor. lá escrevia que, salvo circunstâncias excepcionais, se deve (deve em imperativo, não em aconselhável) deixar que o outro se levante.
como diz uma outra amiga, de férias na terra do júlio (césar) depois de se safar da terra do júlio (private joke), "hesito".

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