domingo, 28 de junho de 2009

perceber alguém



uma das coisas que me atrai (ou retrai) nas pessoas é a intensidade e paixão que mantém na relação com a vida. não prefiro pessoas que tenham grande intensidade (apesar de ter tendência para, confesso) ou pouca, mas é um dos parâmetros que processo ao tentar perceber alguém.

outro dos parâmetros é se o fazem de um modo simples ou complexo, se percorrem um caminho sereno ou tortuoso. mais uma vez, não tenho preferências por pessoas que escolhem um ou outro.

outro ainda é se o fazem de forma consciente ou não, se escolhem por opção pessoal ou induzida do exterior (amigos, modas, o que os outros pensam, por aqui). neste parâmetro, tenho as minhas preferências.

também percebo as pessoas de acordo com a perspectiva de vida que têm, alegre ou densa. prefiro as mais alegres, mas tantas vezes me gasto no sofrimento dos outros....

mais um parâmetro ainda, se tem uma atitude passiva ou activa (risos). tenho dificuldade em entender quem é passivo (em termos de atitude de vida, mais risos), como diabo se podem queixar se nem tentaram?

há mais, mas tem a ver com outra(s) família(s) de características, humanas (honestidade, inteligência, generosidade, crueldade...) ou físicas (boca, pescoço, ombros, mamilos, umbigo, pés...).

algumas que não valorizo são de foro social (grau académico, conta bancária (já me disseram que devia...), sociabilidade e outras ninharias).

suponho que devia mencionar algumas de base, a modos de triagem (triagem não como exclusão, mas como princípio de enquadramento): sexo, idade, profissão, tatuagens.....

p.s.- não ia escrever acerca de nada em concreto, cruzei-me com mingus e saiu isto.

p.p.s.- a imagem é de um bacano brasileiro, richard calhabeu, não conhecia e gastei algum tempo a começar. para quem ficou curioso.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

males que vêm por bem



aconteceu anteontem, saí para jantar, companhia da boa, estamos já à mesa e tivemos de cancelar, problema pessoal de um conviva. na conversa seguinte, vai ele de pedir desculpa (pessoa civilizada) e brincar com a situação (nada como sentido de humor): "calhando, ainda nos estou a livrar a todos de uma intoxicação alimentar". get well soon, my friend.

ora bem, eu gosto muito de dizeres populares, os ditados. não lhes confiro valor de verdade de per si (muitos são contraditórios), o que acho é que para cada verdade (para muitas, vá), há um (ou mais) dizer(es) popular(es) que a explana de maneira deliciosa, ou seja, a verdade pode nem estar no dizer, mas há dizeres para dizer verdades.

vinha eu hoje no comboio, meio a dormir, e lembrei uma coisa que escrevi ontem, acerca de andar bem de amores. "azar ao jogo (neste caso, não é jogo, é barbaridade), sorte no amor" (risos). e é que foi mesmo.

para quem não sabe muito bem o que se passa, há umas semanas atrás fiquei sem as férias com o meu filhote (inseguranças alheias oblige). fiquei danado, furioso, "p" da vida, vontade de andar quilómetros, dar uns murros em alguém ou fazer sexo horas seguidas, descarregar energias negativas.

acontece que eu adoro o meu puto, 5 anos, sempre feliz e a brincar. é o meu sorrir e a minha estrutura, roubaram-mo.

estava eu mal, vontade de fazer uma barbaridade também, "olho por olho, dente por dente", e para evitar, liguei a uma amiga. havia quem dissesse que era mais que amiga, mas "vozes de burro não chegam ao céu" (gosto muito deste, imagino um burro a zurrar, pescoço apontado ao alto, os sons a subir e a cairem-lhe nas orelhas). o que aconteceu depois é história pessoal.

suponho que uma perspectiva fatalista afirmaria que "o que tem de ser tem muita força" e que não foi a situação que provocou o que aconteceu connosco, mas não sou fatalista. posso conceder que o que aconteceu puderia ter acontecido por outro motivo qualquer ou mesmo sem motivo nenhum, apenas num enquadramento diferente, no futuro.

mas de facto, e mesmo que tenham interpretações pessoais, factos são factos, foi a barbaridade que proporcionou que eu hoje esteja bem de amores
(sem menosprezar mérito aos amantes, bien entendu), o que é hilariante. "quem boa cama fizer, nela se vai deitar".

"não há mal que sempre dure nem bem que não se acabe". quer dizer, o mal não vai durar sempre, mas quanto ao bem, estamos a fazer por isso....

p.s.- isto hoje saiu muito pessoal

quinta-feira, 25 de junho de 2009

dinheiro, produtividade, prazer



qual o objectivo de trabalhar, para além do dinheiro (sim, há mais do que o dinheiro)?

é produzir algo, que seja útil a outro (serviço, bem material, emocional, solução para problema, arte).

se a isso for possível juntar prazer pessoal durante o acto.......

shane e carmen



há umas semanas escrevi de relações especiais, esqueci-me de montes delas. esta foi uma.

tatuagens, pesadelos, lençóis, tanto para escrever, e tudo tão pessoal....

não tenho título para este



nada de pessoal, não é afirmação nenhuma, ando mui bien de amores, pero... tinha de postar eso

divagando enquanto a música brinca, assim de repente, só me lembro de duas ingratas deste calibre. bem, uma muito mais que a outra, conceda-se-lhe isso. é como dizia um dos irmãos metralha, acerca de um ensinamento da respectiva mamã "meu filho, seja lá o que fores, sê o melhor nisso...".

quarta-feira, 24 de junho de 2009

flores e árvores



tinha ficado de voltar às sinfonias tolas...

há almas que não conseguem ser felizes sem infernizar a felicidade dos outros. nada como ver uma razinza com o rabo a arder!

o último samurai



ontem aspirei a casa e não passei a esfregona, fiquei curto.
todos cometem erros, ficamos curtos mil vezes, não é grave, desde que seja em coisas pouco importantes (sem menosprezar a higiene doméstica...).

hoje, estive a ver "o último samurai", canal hollywood. não é tão bom como os kurosawa's (mais francos), mas também não é nada mau (mais hollywood, mas com a vantagem de introduzir a comparação entre os modos de vida ancestrais e a modernidade).

vai o tom cruise em comissão de serviço para o japão, carregado de culpa depois de matar montes de índios
(eu escrevi que era mais hollywood...) e, por aqueles acasos dos guiões cinematográficos, fica prisioneiro dos samurais, que tinha ido combater.

prisão aqui significa tempo e condições para troca de experiências de vida, com o amigo tom a absorver (compreender) the way of the samurai. é já um homem com nova perspectiva (e resolução) de vida que combate de armadura, batalha final perdida à partida, poucas espadas contra muitos canhões.

e aqui é que está o busílis (ando a escrever isto muitas vezes): o que leva pessoas a combater numa causa que confiam não puder ganhar?

é bater-se porque está certo que se batam. é defender o que se acredita, mesmo contra inimigo mui mais poderoso. é gritar porque se tem razão, mesmo que parecesse mal apenas sussurrar. é saber que o conteúdo é mais importante que a forma. é viver de acordo com o que acreditamos, fazer o que afirmamos, sem cedências em questões de princípios. aceitar consequências em vez de fugir delas, ser vertical em lugar de moldável.

é puder olhar para um filho e dizer: fiz isto, porque é no que acredito. é nunca ter de lhe mentir para escondermos o que somos. é mostrar-lhe que se deve ser franco e vertical em vez de ensina-lo a fugir ou outras barbaridades.

p.s.- a verdadeira batalha, diz o filme, ganharam os samurais. quando estava a ser finalizada a venda da alma nipónica ao capitalismo, a espada do guerreiro é trazida perante o imperador, que com ela na mão trava a venda e reafirma a necessidade de conjugar modernidade e história cultural do povo. juiz perspicaz....

p.p.s.- é só um filme, mas... a opção correcta trás paz de espírito. e outras coisas boas.

p.p.p.s.- pode não ser só nos filmes....

segunda-feira, 22 de junho de 2009

o domínio dos deuses



há dois livros do pequeno gaulês (e do forte) que aprecio especialmente: o grande fosso, que acho foi a primeira percepção que tive de como a arte (neste caso, a nona) torna a realidade mais evidente (neste caso,
os apaixonados que motivaram a ponte sobre o fosso, muito antes da queda do muro de berlin pela perestroika) e o domínio dos deuses, acerca da tentativa de césar de, não os conseguindo vencer, os juntar a si (repararam na subtileza ditatorial?).

para quem não leu e nem tem intenção de o fazer, é a tentativa de civilização dos "bárbaros" gauleses, edificando em volta da aldeia um condomínio romano, com todas as características dos que se fazem actualmente (vão lá ler, vá....). gostei do livro muito antes de fazer opção profissional, era puto, o subconsciente é danado para a folia.

depois de uma árdua luta para edificar a obra (mão de obra escrava (quase como hoje...), de cujo esforço repetido os nossos heróis se condoem, permitindo o evoluir dos trabalhos), a "civilização"romana trás todas aquelas coisas com que hoje convivemos: subida de preços, relacionamento com vizinhos, problemas de circulação, adaptações sociais e violência urbana (à moda tabefe, no caso), outra vez a bd a realçar a realidade.

na realidade, de há uns anos a esta parte, e com cada vez maior relevância, tem-se debatido acerca de modelos de vida (o que deve estar provavelmente associado ao facto de aqueles que hoje temos não serem grande espingarda). as pessoas preocupam-se com preocupações que há 50 anos não sonhavam, nem nos piores pesadelos. hoje não falta habitação (escrevo da realidade portuguesa), falta dinheiro para a pagar e, conseguindo paga-la, mais importante, de habitação com qualidade de vida.

não se trata de qualidade construtiva básica, de haver fendas ou fissuras, de serem materiais caros ou baratos, modernos ou clássicos, espaços arquitectónicos qualificados muito ou pouco (o que não tem menos importância, mas não é chamado para este post, aqui escrevo a outra escala). trata-se de os espaços públicos terem ou não qualidade, de permitirem e potenciarem um viver saudável e produtivo aos utilizadores (normalmente, os habitantes).

muitas das discussões centram-se, para mim erradamente, acerca de onde cada um prefere viver: espaço urbano ou rural. erradamente porque isto é uma questão de opção pessoal, on est ce qu'on est. a questão é se o rural tem ou não qualidade, se o urbano tem ou não qualidade, se o suburbano tem ou não qualidade, se o metropolitano (à nossa escala, lx e porto) tem ou não qualidade, se o insular tem ou não.... já perceberam.

associado a questões de preferência pessoal, estão causas económicas familiares, e em consequência, macro económicas. parece-me que muitas pessoas (sobre)vivem como podem e não como gostariam. também há responsabilidades pessoais nisso (más escolhas), mas não só, há erros ridículos de planeamento urbano.

o busílis da questão é que cada ambiente (e respectiva especificidade regional, aahh, as especificidades regionais) que cada alma escolhesse para habitar com a família, tivesse qualidade. que quem quisesse viver no campo tivesse mil opções para o fazer e ser feliz, no que a meio ambiente diz respeito. e o mesmo para todas as opções de vida por que cada um optasse como o seu ambiente.

tem a ver com cada um saber o que quer e exigi-lo. porque se é uma enorme verdade que a situação actual resulta de especulação imobiliária (sejamos honestos), a verdade é que se uma pessoa estiver ciente do que quer não vai embarcar na especulação, porque não a satisfaz (especulação está relacionado com promoção de construção não com objectivos urbanos mas resumindo-os à realização de lucro). não embarcando, quem especulou está a perder dinheiro, porque investiu e não tem retorno! ou muda de atitude ou se dedica a fazer caricas...

nada contra empreendedorismo, tudo a favor, mas bem vocacionado. nada contra quem investe e quem trabalha ganhar dinheiro, tudo a favor. mas o dinheiro não devia ser ganho porque se investiu e se trabalhou, devia ser merecido por se prestar um serviço, neste caso facultar um produto, que satisfizesse quem paga (o produto e o lucro).

é aqui que encaixam as energias renováveis, a preocupação social no planeamento, a integração permitindo as especificidades individuais, a criatividade morfológica e tipológica, a proposta de novos relacionamentos pessoais, a salvaguarda do meio ambiente, a fluência nas circulações, a interactividade equilibrada entre funções urbanas, a diversidade de oferta. e a livre escolha consciente de cada um.

pensamentos



"(...) but not you or any other barbarian have the right to destroy one human thought!", afirma cleópatra ao júlio, por este ter ordenado o incêndio aos navios egípcios no porto de alexandria, com o fogo a alastrar à biblioteca.

leva-me esta introdução a duas considerações:

a primeira, elizabeth taylor era a minha cleópatra favorita até à versão monica bellucci. agora, ando indeciso... (por escrever do astérix, sempre estive indeciso entre as personagens numeróbix (o arquitecto egípcio) e a do romano que planificou o "domínio dos deuses", anglobtusus).

e a segunda, a questão da civilização e o valor que esta confere ao pensamento humano:

é pelo pensamento que a humanidade evolui, mas fica tremendamente deslocado o valor das palavras da menina do nariz bonito se as enquadrar-mos na actualidade: o pensamento humano é maioritariamente bárbaro (escrevo eu).

já nem falo dos sonhos de meninos, hoje escrevo apenas do mundo estar de pernas para o ar. espécies (animais e vegetais) ameaçadas, recursos minerais a esgotar, alterações climáticas, desequilíbrios sociais brutais, crianças que tem fome e adultos que não tem onde dormir, gestos movidos a ganância em lugar de gentileza...

poucas pessoas pensaram mais ou melhor que agostinho da silva, e mesmo ele afirmava que de barriga vazia não se pensa bem (as palavras são minhas, não recordo as dele).

é justo que não se pode escolher que pensamentos são aceitáveis e quais não o são, isso é censura. temos, pois, de conviver com capitalismos e liberalismos, racismos, sexismos, homo, xeno e outras fobias, combustíveis minerais, ostentação obscena, especulação imobiliária e outras barbaridades.

não os podendo censurar (censura não é uma opção, nunca), a única opção das minorias é contrapor algo melhor: políticas com objectivos sociais, valorização de diferenças, energias renováveis, respeito social, construção sustentada.

enfim, civismo.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

a lição do tio ben



"com grande poder vem grande responsabilidade", foi mais ou menos isto que ben parker disse ao sobrinho, umas horas antes de morrer. o sobrinho, aka spider man, não relevou e acabou com o tio a morrer-lhe nos braços.

parênteses: (podem ver em filme, dvd, e, para puristas, bd de colecção, marvel comics. eu ia pela bd, se querem opinião).

outro parênteses: (aqui neste ponto, venho re-confessar o meu fascínio pelo universo marvel (filmes não incluídos, apesar dos do aranhiço não estarem maus), acho que já tinha aqui (ou nas romãs) escrito que (alguns personagens) fizeram parte da minha moldura moral de crescimento).

a figura do aranhiço mantém-se actual (e lucrativa) por causa da aura de sofredor e azarado, a quem tudo corre mal mas não desiste de tentar que tudo corra bem. rapazito poderoso e carismático, aprendeu da maneira mais eficaz (a dolorosa) a validade da afirmação do tio ben, porque foi o ter-se desresponsabilizado do poder que (já) tinha que permitiu a fuga do malvado que matou o velhote.

lição bem aprendida, o rapaz pensa primeiro no dever que o poder lhe confere (de tentar tornar o mundo melhor) e muito depois na vertente dos direitos (que mil mal entendidos parecem tornar quase imperceptíveis, uma vez que fica sempre mal visto (com direito a caramunha sem nunca ter feito o mal)).

e sempre que virem um qualquer pedaço de teia pendurado num qualquer lugar, podem ter certeza que ele continua a usar os poderes com responsabilidade (ou então é mesmo de uma aranha, dizem que é dinheiro (não é de fiar na aranha, melhor limpar e ir trabalhar (pelo dinheiro...))),

da ficção à realidade: eu gostaria que mais gente soubesse a lição do tio ben (sem ser preciso matar o tio de ninguém para aprender, perceba-se, bastava ter pais que educassem civilizadamente). a mim incomoda quando algum(a) maduro(a) olha para a responsabilidade que tem (porque lhe foi atribuída ou a conquistou) e só veja a vertente dos direitos que lhe estão associados.

exemplos? gestores públicos (e privados) que gerem melhor a carteira que a empresa que a enche; políticos que gerem melhor a imagem que os cargos para que foram eleitos; "supsídio" (como diz o hans peter) dependentes que preferem não produzir para não "perder direitos"; funcionários encostados (como dizia sei eu quem) que fazem pouco da função e desvalorizam o que lhes pagam por esse esforço; genericamente, todas as pessoas que, numa posição onde detêm responsabilidade, abusam de direitos associados a ela e descuram a responsabilidade que os associou.

eu sou mais à homem aranha, já ficava satisfeito se, por exemplo, pudesse cumprir a responsabilidade de educar decentemente o meu puto. não é porque eu tenho direito, é porque ele tem direito. sonhos tolos de meninos num mundo ao contrário...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

fazer o mal e a caramunha



gosto mui desta expressão, usava um colega com muita graça, a propósito de tudo e coisa nenhuma.

eu não conhecia o dizer nem sabia o que queria (dizer). para quem ignora como eu ignorava (viva os ignorantes, são os que podem aprender), o significado é retratar alguém que faz a asneira (normalmente uma barbaridade das grossas) e depois vem candidamente mostrar caramunha (cara feia) aos outros, como se fosse o(a) lesado(a) e ofendido(a).

isto para escrever que não deve ser difícil perceber que se abanarem um miúdo de 5 anos, ele fica tonto. se o fizerem psicologicamente, ele também fica, com consequências piores.

é preciso muito descaramento para pôr caramunha enorme (tem de ser a condizer com o mal, para o dizer se aplicar) e chorar-se que o rapaz está perturbado.

ele estava tão feliz antes disto tudo....

sexta-feira, 12 de junho de 2009

violinos e saxofones, diferenças sanáveis



vem este na sequência do post acerca de relações (set them free), é uma das minhas sinfonias tolas preferidas (breve posto outra).

uma coisa boa acerca da disney (principalmente dos clássicos) é a simplicidade quase simplista de perspectiva. para mim é uma coisa boa, porque se trata da identidade do trabalho deles. já o que fazem hoje é muito mais orientado para a competição com outras perspectivas, essas sim, originais e actuais (a disney cresceu mal, escrevo).

pois aqui temos jazz (música livre, alegre, improviso) em confronto com música clássica (ordem, harmonia, natureza). bem escolhido serem os catraios a criar pontes, porque tantas vezes são os adultos, na sua insegurança, a criar mares de discórdia.

história com moral, não são as diferenças que separam, antes são motivos para aproximação e crescimento, afinal todos gostavam de música....

p.s.- stephane grappelli resolveu o namoro do violino com o jazz de maneira menos infantil, mas igualmente deliciosa.

terça-feira, 9 de junho de 2009

as mulheres de egon schiele



poucas coisas tenho como preferidas na vida (e mesmo essas vão variando, não são escolhas fechadas): a bôla de carne da minha avó, as figuras de egon schiele (espreitem também as paisagens), os livros de dostoievski e os de mia couto, a música de lhasa de cela e a de charles mingus, a arquitectura de barragan, o imaginário de tim burton, as praias vicentinas e as poças de s. jorge, a esplanada do santa cruz e o restaurante o burgo, são preferências que menciono com mais frequência.

atrasado, escrevi um post onde falava de lisa ekdahl como "menina romã". este é dedicado às mulheres de schiele, porque sabe bem materializar preferências.

papi e mami



conversa conversada no fds, tem andado na minha ideia acerca de como postar. aqui vai:

eu não pago tributo à sorte ou azar, quase nenhuma das coisas importantes na vida depende deles. ao que se costuma chamar sorte, eu chamo capacidade de a aproveitar, quando surge. ao que chamam azar, o inverso, incapacidade de aproveitar a sorte quando ela surge.
como diz o moniz pereira, "sorte dá muito trabalho", simples.

para quase tudo na vida há excepção (podia escrever "para tudo", mas neste caso, a excepção fazia as vezes do "quase", sendo a excepção do haver sempre excepção... adiante), no caso da sorte ou falta dela, a coisa mais importante que não depende dela ou da falta dela, são os pais.

parênteses (podia falar do sexo com que nascemos, mas é menos importante que os pais que temos, hoje em dia já se pode mudar de género e, convenhamos, por maior impacto que tenha na nossa vida, é um factor irrelevante para ser ou não um ser humano).

na tal conversa do fim de semana, depois de contar factos da minha infância, disseram-me que tive muita sorte com os pais. não é a primeira vez que mo dizem, e quando o dizem é sempre pelo mesmo motivo: eu falo dos meus pais, do que nos deram (ao hugo também), o que nos ensinaram, como nos permitiram crescer, e as pessoas a quem conto saem-se sempre com o "tiveste muita sorte com os pais que tens".

lembro-me de ser puto, e sair com a minha mãe à rua, da casa onde ainda hoje ela mora (com a minha abuelita), andar um quarteirão e passar numa mercearia (hoje é um café, se não me engano no lugar da antiga mercearia), frutas em caixotes à porta, e eu, catraio de 6 ou 7 anos, tiro uma cereja do caixote (deviam ser duas cerejas, em brinco, deviam estar apetitosas). minha mãe repara e repreende-me: não gritou, não me abanou, não me bateu (nunca me deu uma palmada que fosse), não fez uma cena. explicou-me que tirar coisas aos outros é errado, que se quisesse cerejas só tinha de dizer e ela comprava, porque eu as merecia, simples.

na realidade, sempre tivemos tudo (eu e o mano) que quisemos, mas o melhor é que sempre sentimos que merecíamos o que tínhamos, e esse sentimento de mérito fortalece muito mais que mil elogios bacocos para compensar ......... (fill in the word you chose).

dever de pais (pai e mãe) não é impingir pré-conceitos fechados ou ensinar a segurar no garfo ou a esconder erros. dever de pais é mostrar o mundo, criar sentimentos de confiança nos petizes, fomentar sonhos belos, corrigir se erram, mostrar-lhes que podem salvar o mundo (sem lhes colocar o globo às costas, quais atlas).

porque tive sorte com eles, os meus pais nunca tiveram de me vir resolver problemas (quando erro, sou eu que corrijo), não tenho de lhes mentir (para esconder menoridades que alguns pais fomentam nos filhos) e não têm de mentir por mim (suponho que o fariam com uma tristeza imensa).

ensinaram-me a amar (não só eles, claro, mas eles e abuelita primeiro), simples.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

azedumes



uma amiga muito doce disse-me há pouco que não me reconhece no que tenho escrito, opinião dela que estou diferente, eu.

tentei explicar o que se passa, porque escrevo aqui e não nas romãs, por estes tempos mais azedos (apesar de outras doçuras). ela vai que não percebe e eu torno que não sei explicar, ela que tudo vai ficar bem e eu que só quero saber quando.

por mais almoços com amigas, trabalhos prontos, visitas fraternas e as outras doçuras, parte de mim anda azeda.

give me back my sun!

p.s.- escrevi sol de propósito, é o que me falta. xiça!

domingo, 7 de junho de 2009

já nem há anjos para cair



p(ré).s(criptum).- na sexta foram as eleições no sporting, ganhou o bitencurto, julgo que para ficar tudo na mesma: muito paleio de finanças e o porto a festejar campeonatos (já nem é paliativo o benfica continuar uma anedota). adiante, escrevo o mesmo que disse o p. p. c., "é o meu presidente", o que me lembra o puto inseguro que temos a usar a nº 1 e acerca de quem tenho igualmente de escrever "é o meu redes"...

agora as europeias! muita coisa a escrever acerca, vamos por partes:

1º, ganhou a abstenção, como costume, e nenhum político parece ralar-se com o facto das pessoas não acreditarem neles para resolver os problemas que eles se candidatam a resolver. confesso que tenho no ideal políticos que agem por convicção, com quem se pode (e deve) concordar ou discordar, que defendemos ou criticamos porque eles merecem atenção.

em vez desses ideais de políticos com ideais, temos uma cambada de gente a tentar subir na vida à custa do serviço público (notem, é serviço para servir, não para se servirem, não é um detalhe). o que me leva ao

2º, as jotas.

protótipo de carreirismo mais despudorado, de gente que deveria vir a ter o futuro do país nas mãos e o vai continuar a deixar entregue a interesses económicos, acerca dos quais os jovens jotas salivam de antecipação. cachopo(a)s que não tem pudor de fazer figuras alarves para ficar bem visto(a)s pelo dono, na esperança que ele lhes atire um osso maior. os mais ambiciosos, em lugar de ambicionar mudar o mundo de acordo com o que acreditam deveria ser, ambicionam vir a ter o saco dos ossos para distribuir. o futuro do país merece melhor...

3º, como um mal nunca vem só, acontece que eu vivo quase ao lado do estádio e à mesma distância da sede do psd local, o que faz com que esteja há umas horas (e espero estar ainda outras tantas) a ouvir os carros da militância descer a rua a apitar (que importa que sejam tantas da noite, o partido ganhou e deve ser obrigação dos portugueses estar felizes pela melhoria que os condutores e buzineiros sentem nas suas oportunidades de "serviço público").

eu já vivi perto do recinto da queima, era uma semana de noites em branco, e eu nem ia aos espectáculos, não estudei cá e não sinto a febre. era muito mau, mas tinha a vantagem de ser uma parvoíce mais genuína, naif, gente que aproveitava a melhor altura na vida para cometer excessos. com os carreiristas, cada buzinadela grita hipocrisia e pouca vergonha.

4º, não sou grande adepto da democracia, apesar de ser o mal menor, se levarmos em conta a inviabilidade da anarquia (que seria perfeita se o mundo não tivesse tão elevada percentagem de incapazes, fica para outro post). ora a democracia, sendo um milhão de vezes melhor que qualquer ditadura (qualquer uma), sofre do mesmo problema que a anarquia, do mundo estar pejado de incapazes.

passo a explicar, o ideal que sustenta a democracia é o de representatividade dos eleitores, pelo que facilmente se percebe que cada população eleitoral tem os políticos que merece. sem desculpas. se temos uma cambada de aproveitadores, é porque votam neles, em democracia. vamos ver então porque isso acontece:

que leva um cidadão eleitor a votar em determinado partido ou candidato? a sua capacidade para o representar, a si e aos seus interesses (não os mesquinhos, atente-se), o seu potencial para desempenhar o cargo para que poderá ser eleito. tem a ver com parâmetros de honestidade, capacidade técnica, humanismo, características deste teor.

em vez, as pessoas escolhem por amizades, cunhas, compadrios, penteados e escolha de sapatos. está bem de ver que se um candidato, para se eleger, tiver de dedicar mais tempo ao shampoo ou aos saltos, não se vai ralar peva com questões de conteúdo político, porque estas não rendem votos e o(a) maduro(a) quer é ser eleito(a), aquela coisa de se servir do público...

nesta altura partilho um comentário que me relataram (dolorosamente credível) acerca de um político, autarca, que tendo sido preterido pelo partido para uma recandidatura, se apresenta como independente, arvorando como maior trunfo o facto de grande parte dos eleitores serem funcionários da autarquia (ou familiares), e eles saberem que com ele a presidente "não precisam de fazer nada".

é nestes momentos que fico saudoso do tempo em que estas coisas se resolviam a bengaladas.

5º, considerações práticas. começo por escrever que sou um fulano de esquerda, já me chamaram comunista e tudo (não é que me orgulhe ou envergonhe). escrevo porque cada um deve colocar-se onde se sente bem e não deve deixar ambiguidades.

na minha opinião, temos um p. m. tão fraco a p. m. como a arquitecto (no caso, engenheiro assinante). gosto de gente que não se amedronta com dificuldades, acho mesmo que é em tempos delas que é possível fazer as coisas mais importantes e difíceis, e o facto do senhor não ter vergonha na cara e mentir descaradamente não se enquadra.

acerca dos comunistas, são gente com garra, humilde, empenhada, mas tem algumas deficiências: há umas questões de comunismo internacional embaraçosas (muito, mesmo) e algumas regras internas que ficam a dever um pouco à liberdade.

o bloco é igual, com défice de convicção e superavit de populismo. tem fama de terem miúdas mais giras, mas não se comparam aos calcanhares de umas comunistas que eu conheço (foi um aparte)...

o pp é o exemplo acabado do que está torto e não se endireita. numa sociedade civilizada, já estavam a servir cachorros ou a transacionar acções.

o ps e o psd são iguais, semelhantes na ambiguidade, tão longe dos ideais de onde nasceram.

escrito isto tudo, ficam as pessoas. confesso que acho a ferreira leite uma mulher de armas. já sei que não tem jeito para campanhas, que o penteado é tremendo e parece que usa uns sapatos de fugir, que só chega a p. m. por um bambúrrio e amparada pelos coleguitas. mas xiça, a senhora não vai concorrer a miss ou speaker oficial, vai concorrer a p. m., os predicados que deveria ter são mais ou menos os que tem...

set them free



depois da diversão do post anterior (está em baixo, é ler primeiro, blogues lêem-se de baixo para cima), um assunto que me encanta há bastante.

eu tenho por necessidade entender, não tudo, mas tudo que me atrai. e relações entre pessoas atraem-me, tenham essas relações a natureza que tiverem (familiar, sentimental, profissional, social, sexual, financeira, cultural, whatever). agrada-me entender as estruturas que geram/mantêm essas relações activas e producentes, numa perspectiva mista de antropologia e sociologia.

neste caso, relações sentimentais.

irrelevando o que aproxima as pessoas e as leva a constituir um casal, o assunto é o que mantém esse casal, que estrutura criem as pessoas para estruturar essa nova entidade que geraram.

ora no tempo dos nossos avós e bisas (nalguns casos, frequentes, até dos nossos pais (felizmente não no dos meus) e até nas gerações actuais), a estrutura era "ou estás caladA, ou fechas a boca". claro que h(á)avia variações de género e/ou de delicadeza (para menos, está mal de ler), mas era uma estrutura simples e eficaz (irrelevando umas nódoas negras e uns ossos partidos, tudo sarava). claro que, com a mesma estrutura, havia casais mais civilizados e outros mais bárbaros, uns mais sociais (nódoas em locais discretos) e outros mais evidentes (desculpas para quê, toda a gente vivia igual), uns por menos motivos (por tudo) que outros (e por nada também), uns mais audíveis (normalmente, bastava um berro) e outros mais físicos.

mas o mundo pula e avança, a mulher emancipou-se (a visão é simplista, há muito mais que se lhe escreva, fica para outro post). ora para novas circunstancias, novos métodos. continua a haver casais, e se a estrutura antiga deixou de funcar, é necessária nova estrutura, e é ela a heroína deste post (a nova estrutura).

há quem defenda que duas pessoas mais facilmente ficam juntas se forem semelhantes, por haver menos motivos de conflito (mas é do conflito, debate, que as pessoas crescem).

há quem afirme que quanto mais diferentes forem, melhor se completam, enriquecendo o casal (perspectiva funcionalista demais, para mim).

também ainda há quem defenda que é preciso haver uma hierarquia, alguém que mande, que "use as calças, lá em casa", desde que seja uma democracia e não uma tirania (mas a democracia tem tantas deficiências... e qual o mal de saias ou short's?).

há muita gente que acha que nada disso interessa, porque nada dura e vai acabar depressa, é importante é não se comprometer demais para não doer (no coments).

há fatalistas para quem whatever will be, will be (será que se vier uma pedrada, não se desviam?).

há quem se foque em aspectos de pormenor (sexo excelente, cozinha apurada, dinheiro com fartura, imagem social de conjunto). sem os desvalorizar (e cada um valoriza os que para si tem valor), não é esse o busílis.

duas pessoas ficam juntas, como casal, porque são melhores individualmente, existindo o casal. numa expressão que me gusta mucho, crescem um(a) com o outro(a). o que leva a que cada um, individualmente, e ambos, como casal, sintam esses crescimentos (de ambos e do casal) como algo desejável para o(s) seu(s) mundo(s), mesmo que vivam em mundos diferentes. é a vantagem das pontes, ligar margens afastadas. haja vontade de as atravessar e portas abertas dos dois lados, para circular livremente.

porque não existe crescimento sem liberdade (de movimentos, de sentimentos, de pensamentos, de fé, de tudo).

apenas porque me apetece, reescrevo o parágrafo final do post anterior "e há formas muito mais saborosas e eficazes (de posse) que anilhas ou chantagens, por exemplo, deixar portas abertas. resulta."

p.s.- vale igual para qualquer outro tipo de relações (com as necessárias adaptações de terminologia), por mais contractos que se assinem, influências que se movam ou sentenças que se (des)respeitem.

tomar posse



tenho andado distraído daqui...

estava ontem a fazer mudanças na sala (está um luxo....) e a ve(ouvi)r um canal qualquer de música para compor ambiente e eis que aparecem estas meninas no ecrã! fizemos pausa nas mudancitas...

na verdade não adianta estar com muitas letras em muitas frases, porque não há muito para escrever acerca, mas confesso que houve algo que me ficou no cérebro.

nada como ver o mundo de uma perspectiva simples, mesmo que, tantas vezes, a simplicidade descaia no simplismo. bem, eu tenho coração generoso, suponho que não me custa desculpar o simplismo a meninas tão expressivas.

e elas tem alguma razão (se não valorizarmos o "ring on IT"), é importante tomarmos o que queremos. eu gosto de montar cerco primeiro, mas o objectivo do cerco é conquista, já fazia assim alexandre. que foi grande.

e há formas de posse muito mais saborosas e eficazes que anilhas ou chantagens, por exemplo, deixar as portas abertas. resulta.

terça-feira, 2 de junho de 2009

elogio da dança, ritmos de áfrica



danças tribais, guerreiras, rituais de iniciação, sedução, acasalamento. ritmos alegres, muito calor, cores fortes, pó e mais pó.

o mundo pula e avança, há ritmos africanos na sociedade moderna, em versão popular, demonstração étnica ou reconstituição para cinema.

há pessoas que transpiram ritmo...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

elogio da dança, ballet



dança de espectáculo, excelente na formação gestual (equilibro, auto-controle, desenvolvimento corporal, expressividade, noção de espectáculo. bem...), é uma arte de palco, completa-se com luzes e cenários.

as minhas preferências vão para o ballet russo e a dança moderna

elogio da dança, orientalidades



manifestação cultural, dança sensual, para ser observada, expressa sensualidade feminina, performance estruturada em equilíbrio, controle, delicadeza.

o mais poderoso poder não se manifesta por explosão descontrolada. é controlado, direccionado, incisivo, infalível. e gracioso...

elogio da dança, hip hop



fihgt the power!

dança de contestação, pessoas descontentes que expressam descontentamento, pessoas sem quase nada, excepto capacidade de o expressar. pessoas que tem de lutar por cada pequena coisa que atingem, pelo que o defendem como se disso dependesse a vida. porra, depende...

body language, gangs, submundos, pouco a ver com cor de pele ou nacionalidades, uma minoria cada vez maior num mundo cada vez mais ao contrário.

é também uma dança social, pessoas que se juntam para dançar
, onde acontecem demonstrações pessoais, competição, alegria, contactos. vendo bem, é a melhor maneira de combater o poder...

p.s.- este é o post 150...