quinta-feira, 18 de junho de 2009

a lição do tio ben



"com grande poder vem grande responsabilidade", foi mais ou menos isto que ben parker disse ao sobrinho, umas horas antes de morrer. o sobrinho, aka spider man, não relevou e acabou com o tio a morrer-lhe nos braços.

parênteses: (podem ver em filme, dvd, e, para puristas, bd de colecção, marvel comics. eu ia pela bd, se querem opinião).

outro parênteses: (aqui neste ponto, venho re-confessar o meu fascínio pelo universo marvel (filmes não incluídos, apesar dos do aranhiço não estarem maus), acho que já tinha aqui (ou nas romãs) escrito que (alguns personagens) fizeram parte da minha moldura moral de crescimento).

a figura do aranhiço mantém-se actual (e lucrativa) por causa da aura de sofredor e azarado, a quem tudo corre mal mas não desiste de tentar que tudo corra bem. rapazito poderoso e carismático, aprendeu da maneira mais eficaz (a dolorosa) a validade da afirmação do tio ben, porque foi o ter-se desresponsabilizado do poder que (já) tinha que permitiu a fuga do malvado que matou o velhote.

lição bem aprendida, o rapaz pensa primeiro no dever que o poder lhe confere (de tentar tornar o mundo melhor) e muito depois na vertente dos direitos (que mil mal entendidos parecem tornar quase imperceptíveis, uma vez que fica sempre mal visto (com direito a caramunha sem nunca ter feito o mal)).

e sempre que virem um qualquer pedaço de teia pendurado num qualquer lugar, podem ter certeza que ele continua a usar os poderes com responsabilidade (ou então é mesmo de uma aranha, dizem que é dinheiro (não é de fiar na aranha, melhor limpar e ir trabalhar (pelo dinheiro...))),

da ficção à realidade: eu gostaria que mais gente soubesse a lição do tio ben (sem ser preciso matar o tio de ninguém para aprender, perceba-se, bastava ter pais que educassem civilizadamente). a mim incomoda quando algum(a) maduro(a) olha para a responsabilidade que tem (porque lhe foi atribuída ou a conquistou) e só veja a vertente dos direitos que lhe estão associados.

exemplos? gestores públicos (e privados) que gerem melhor a carteira que a empresa que a enche; políticos que gerem melhor a imagem que os cargos para que foram eleitos; "supsídio" (como diz o hans peter) dependentes que preferem não produzir para não "perder direitos"; funcionários encostados (como dizia sei eu quem) que fazem pouco da função e desvalorizam o que lhes pagam por esse esforço; genericamente, todas as pessoas que, numa posição onde detêm responsabilidade, abusam de direitos associados a ela e descuram a responsabilidade que os associou.

eu sou mais à homem aranha, já ficava satisfeito se, por exemplo, pudesse cumprir a responsabilidade de educar decentemente o meu puto. não é porque eu tenho direito, é porque ele tem direito. sonhos tolos de meninos num mundo ao contrário...

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