domingo, 7 de junho de 2009

set them free



depois da diversão do post anterior (está em baixo, é ler primeiro, blogues lêem-se de baixo para cima), um assunto que me encanta há bastante.

eu tenho por necessidade entender, não tudo, mas tudo que me atrai. e relações entre pessoas atraem-me, tenham essas relações a natureza que tiverem (familiar, sentimental, profissional, social, sexual, financeira, cultural, whatever). agrada-me entender as estruturas que geram/mantêm essas relações activas e producentes, numa perspectiva mista de antropologia e sociologia.

neste caso, relações sentimentais.

irrelevando o que aproxima as pessoas e as leva a constituir um casal, o assunto é o que mantém esse casal, que estrutura criem as pessoas para estruturar essa nova entidade que geraram.

ora no tempo dos nossos avós e bisas (nalguns casos, frequentes, até dos nossos pais (felizmente não no dos meus) e até nas gerações actuais), a estrutura era "ou estás caladA, ou fechas a boca". claro que h(á)avia variações de género e/ou de delicadeza (para menos, está mal de ler), mas era uma estrutura simples e eficaz (irrelevando umas nódoas negras e uns ossos partidos, tudo sarava). claro que, com a mesma estrutura, havia casais mais civilizados e outros mais bárbaros, uns mais sociais (nódoas em locais discretos) e outros mais evidentes (desculpas para quê, toda a gente vivia igual), uns por menos motivos (por tudo) que outros (e por nada também), uns mais audíveis (normalmente, bastava um berro) e outros mais físicos.

mas o mundo pula e avança, a mulher emancipou-se (a visão é simplista, há muito mais que se lhe escreva, fica para outro post). ora para novas circunstancias, novos métodos. continua a haver casais, e se a estrutura antiga deixou de funcar, é necessária nova estrutura, e é ela a heroína deste post (a nova estrutura).

há quem defenda que duas pessoas mais facilmente ficam juntas se forem semelhantes, por haver menos motivos de conflito (mas é do conflito, debate, que as pessoas crescem).

há quem afirme que quanto mais diferentes forem, melhor se completam, enriquecendo o casal (perspectiva funcionalista demais, para mim).

também ainda há quem defenda que é preciso haver uma hierarquia, alguém que mande, que "use as calças, lá em casa", desde que seja uma democracia e não uma tirania (mas a democracia tem tantas deficiências... e qual o mal de saias ou short's?).

há muita gente que acha que nada disso interessa, porque nada dura e vai acabar depressa, é importante é não se comprometer demais para não doer (no coments).

há fatalistas para quem whatever will be, will be (será que se vier uma pedrada, não se desviam?).

há quem se foque em aspectos de pormenor (sexo excelente, cozinha apurada, dinheiro com fartura, imagem social de conjunto). sem os desvalorizar (e cada um valoriza os que para si tem valor), não é esse o busílis.

duas pessoas ficam juntas, como casal, porque são melhores individualmente, existindo o casal. numa expressão que me gusta mucho, crescem um(a) com o outro(a). o que leva a que cada um, individualmente, e ambos, como casal, sintam esses crescimentos (de ambos e do casal) como algo desejável para o(s) seu(s) mundo(s), mesmo que vivam em mundos diferentes. é a vantagem das pontes, ligar margens afastadas. haja vontade de as atravessar e portas abertas dos dois lados, para circular livremente.

porque não existe crescimento sem liberdade (de movimentos, de sentimentos, de pensamentos, de fé, de tudo).

apenas porque me apetece, reescrevo o parágrafo final do post anterior "e há formas muito mais saborosas e eficazes (de posse) que anilhas ou chantagens, por exemplo, deixar portas abertas. resulta."

p.s.- vale igual para qualquer outro tipo de relações (com as necessárias adaptações de terminologia), por mais contractos que se assinem, influências que se movam ou sentenças que se (des)respeitem.

1 comentário:

  1. gostei da teoria (de que resulta quando ambas são melhores individualmente, existindo o casal). parece-me bastante certa, pelo menos em relação ao exemplo de amigos meus juntos há 17 anos.

    "porque não existe crescimento sem liberdade (de movimentos, de sentimentos, de pensamentos, de fé, de tudo)"

    também me parece bastante verdade.

    quanto a mim, cheguei recentemente à conclusão (ando sempre a chegar a conclusões, mas são todas temporárias, pois estão sempre abertas a novas descobertas) que para mim a "magia" é física. depois de andar a pensar no que é que me faz gostar de alguém durante anos e anos, por mais fútil que isto pareça, conclui isso: uma atracção física especial. tudo o resto é relativo (como tu próprio dizes "é do conflito, debate, que as pessoas crescem"... eu acrescento à tua frase: também, mas não só).
    claro que há condições fundamentais (e não estou a brincar!): não pode ressonar, nem ter mau hálito, nem cozinhar carne, nem tratar mal animais, nem ser ciumento...
    tudo o resto são amizades, que podem ser coloridas, mas não deixam de ser apenas amizades. a paixão, para mim, é física. se calhar, infelizmente.

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