
"(...) but not you or any other barbarian have the right to destroy one human thought!", afirma cleópatra ao júlio, por este ter ordenado o incêndio aos navios egípcios no porto de alexandria, com o fogo a alastrar à biblioteca.
leva-me esta introdução a duas considerações:
a primeira, elizabeth taylor era a minha cleópatra favorita até à versão monica bellucci. agora, ando indeciso... (por escrever do astérix, sempre estive indeciso entre as personagens numeróbix (o arquitecto egípcio) e a do romano que planificou o "domínio dos deuses", anglobtusus).
e a segunda, a questão da civilização e o valor que esta confere ao pensamento humano:
é pelo pensamento que a humanidade evolui, mas fica tremendamente deslocado o valor das palavras da menina do nariz bonito se as enquadrar-mos na actualidade: o pensamento humano é maioritariamente bárbaro (escrevo eu).
já nem falo dos sonhos de meninos, hoje escrevo apenas do mundo estar de pernas para o ar. espécies (animais e vegetais) ameaçadas, recursos minerais a esgotar, alterações climáticas, desequilíbrios sociais brutais, crianças que tem fome e adultos que não tem onde dormir, gestos movidos a ganância em lugar de gentileza...
poucas pessoas pensaram mais ou melhor que agostinho da silva, e mesmo ele afirmava que de barriga vazia não se pensa bem (as palavras são minhas, não recordo as dele).
é justo que não se pode escolher que pensamentos são aceitáveis e quais não o são, isso é censura. temos, pois, de conviver com capitalismos e liberalismos, racismos, sexismos, homo, xeno e outras fobias, combustíveis minerais, ostentação obscena, especulação imobiliária e outras barbaridades.
não os podendo censurar (censura não é uma opção, nunca), a única opção das minorias é contrapor algo melhor: políticas com objectivos sociais, valorização de diferenças, energias renováveis, respeito social, construção sustentada.
enfim, civismo.

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