quinta-feira, 20 de agosto de 2009

jornalismo e twitter



"the problem lies in our perception of the sports media, that they exist to inform us, when they are actually in the entertainment business", comentário num blogue acerca de uma notícia de determinado jogador detido por conduzir com carta de condução suspensa (o que nos eeeuuaa parece dar direito a pildra) e da perspectiva que a imprensa desportiva escolheu.

assim de passagem, calha ser um dos jogadores que mais gosto de ver jogar, e joga na equipa que me habituei a ver perder com desgosto. é um jogador com 1,70 de altura e disputa todas as jogadas, afunda (campeão da nba), muitas vezes considerado a freak of nature, pela atitude e capacidade de se exceder, em sentido bom e mau.

preferências aparte, o que se passou foi que foi mandado parar quando conduzia, e foi postando mensagens no twitter acerca do assunto. sem entrar em detalhes acerca da detenção, o caso é mais válido se analisado na perspectiva da afirmação que abre o post.

porque a consequência de o jogador usar o twitter tornou toda a situação, que tinha aspectos confusos, muito mais clara, e deixou os meios de comunicação quase sem margem para "abusar", ou seja, se uma pessoa famosa (se não o fosse, nenhum jornal notificaria), imediatamente (no caso, em tempo real) notificar algo (de negativo), e tiver muitos seguidores (porque é famoso), com a velocidade de propagação de contactos on-line, quando o primeiro jornal estiver a escrever o primeiro artigo (mesmo na edição on-line), já o assunto é conhecido, na perspectiva da primeira pessoa. mais, o jornal será obrigado a reportar essa perspectiva, disponível no twitter, porque é relevante.

deste modo, torna-se ridículo criar uma notícia suportada em "fontes anónimas", que se podem manipular a gosto de captar leitores, ouvintes ou telespectadores, quando a notícia original, contada pelo próprio, está disponível, antes.

se extrapolarmos do jornalismo desportivo para o jornalismo geral, isto remete para um post de elogio que fiz nas romãs, acerca de qual o papel (papiro ou higiénico) que o jornalismo actual escolheu para si.

é mui mau quando jornalismo (e tantas outras profissões) é exercido com princípios comerciais, tout court.

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