
era uma vez um menino, único como todos os outros. a característica que mais o tornava único era um peculiar fascínio pela lua, fascínio que engordava quando a lua ficava cheia.
ao crescer, muita gente entendida e entendedora lhe dizia que estava tal fascínio relacionado com o signo de zodíaco ou chinês, que tinha a ver com uma secreta apetência por queijo (esta, pelo menos, fazia lógica), ou outras originalidades similares.
um dia, porém, à noite, com a lua cheia, o menino, já rapaz, ouviu um uivo prolongado, genuíno. quando percebeu que lhe tinha saído da garganta, soube o significado do fascínio, quem era e para onde ia.
anos mais tarde, no percurso para onde ia, encontrou o rapaz com alma de lobo uma menina que parecia diferente, cheirava a promessas amplas e sabia a amora.
disse-lhe ela: - sou uma fada - e mostrou a varinha prateada.
apaixonado, perguntou ele: - que posso esperar de ti, menina?
- tudo - mentiu ela, e não parou de mentir desde então.
pacientemente, foi fazendo de cada mentira uma barra de prata, com que começou a construir uma jaula em volta da alma do lobo. cuidadosa, cada amigo dele ficava do lado de fora das grades, belas e cintilantes.
num último acto, encenado e dramatizado, tentou a falsa fada ajustar um par de algemas argenteas aos pulsos do apaixonado. por mérito, o rapaz era crédulo, mas a alma livre demais, e num gesto largo, libertou-se.
desde então, em cada lua cheia, uiva feliz. aconteceu já uivar acompanhado, fadas verdadeiras, que o querem pela liberdade que contagia, pelos sonhos de menino e pela capacidade de acreditar em coisas simples, impossíveis até ser realizadas.
p. s.- está fascinante, a lua.....

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