terça-feira, 8 de setembro de 2009

a história do menino e o lobo



de subtítulo, "uma noção de liberdade".

era uma vez um menino chamado.... bem, vocês sabem, que vivia em trás-os-montes, na serra. o menino c
hamado.... como vocês sabem, e os amigos gostavam muito de andar pelas serranias, subir às fragas, deitar-se ao sol, ficar a recontar histórias de feitos heróicos, lendas e fábulas, que sempre ouviam contar ao pai do menino, enquanto desfazia na playstacion e na televisão, por os fazer perder ar puro e natureza.

uma das histórias preferidas do menino c
hamado.... bem, vocês sabem, era "pedro e o lobo", que tinha ouvido em música, e que ele e os amigos imaginavam podia acontecer-lhes a eles, de verdade, ali mesmo, porque era (ainda) habitat do lobo ibérico.

o menino c
hamado.... bem, vocês sabem, gostava dos lobos, mas os amigos tinham medo deles, por causa de mil histórias tontas que lhes tinham contado.

ora, a meio da conversa, animada de discussão acerca da bondade ou maldade dos lobos, ouviram um som estranho e foram procurar de onde vinha. logo um deles chamou os outros e todos os meninos viram uma ninhada de pequenos lobitos, sozinhos, à saída de uma toca. estavam também eles a brincar, pulavam uns pelos outros, perseguiam-se, puxavam caudas aos irmãos, uma galhofa como a dos rapazes.

como na história de prokofiev, quiseram todos os meninos levar os lobos como troféu de caça para o jardim zoológico, e ser heróis como pedro e os amigos. todos? não, um resistiu, ainda e sempre, argumento que os lobitos eram livres e estavam na casa deles. os outros respondiam que estavam sozinhos, que iam morrer de fome e frio, que o zoo era a melhor solução, e outras barbaridades.

mas o menino
chamado como vocês sabem foi inflexível e conseguiu convencer os amigos a esperar, porque de certeza os pais dos lobitos viriam breve para junto deles. foi difícil aguentar-lhes os ímpetos, todos queriam ser heróis naquela tarde, mas o menino chamado.... bem, vocês sabem, tinha razão, e pouco depois apareceram o pai e a mãe, traziam comida que as crias logo comeram, bem comportadas, sob os carinhos dos progenitores. depois, hora da sesta, todos entraram na toca, apenas ficou visível o focinho do pai lobo, virado na direcção dos rapazes, grato por não ter tido necessidade de os assustar....

nessa noite e nas seguintes a história foi contada e recontada, mas o herói dela sempre foi o menino
chamado.... bem, vocês sabem como se chama o menino, por gostar de ver os animais livres e acreditar que os filhotes tem direito a estar com o pai e a mãe.

Sem comentários:

Enviar um comentário