
p(ré)- este post tem uma dose de angústia, associada a um detalhe: com ele, ficam tantos das pegadas (no nome do blogue está com acento, erro ortográfico justificado por questão gráfica, tem a ver com desenhos de pés que tenho no tecto) como das romãs, o que torna o período "pégadas" (triste de barbaridades) tão prolongado como o das romãs (de sonhos feito), and counting, a bit more.....
contagem feita, adiante para o post.
é acerca de simplicidade e genialidade, aqui vistas como faces opostas da mesma moeda. não é moeda de euros, ienes, dólares, patacas ou kwanzas, é moeda de dias felizes. ou seja, quer isto escrever que a minha moeda dos dias felizes tem de um lado períodos de apreciar as coisas simplesmente, e do outro, gestos amplos que mudam a simplicidade das coisas, que as potenciam (na imagem de ilustração são blocos de cimento, utilizados para fazer quebra-mares, pontões marítimos. são geniais porque simples no conceito e aplicabilidade, e tremendamente poderosos na eficácia).
posso escrever que ando com falta de génio (mesmo do mau, não sou esquisito nele), suponho que tem sido simplicidade a mais ou genialidade a menos. apostar nas duas coisas juntas era capaz de levar o prémio.
hoje abusaram-me, todo o dia, ainda mais simplicidade que calor.
agora à noite fui comprar cebolas (adoro cebolas, e acabaram. alho tinha e cenouras também) e vinha a pensar nisto, sem vislumbrar de onde me viria o génio. vinha tão entretido que o perguntava, e imaginava a resposta a começar numas pernas nuas em cima de saltos delicados, tendo no topo oposto um cabelo muito curto que mostrava uma tatuagem na nuca.
mas não, como sempre, enganei-me redondo, veio de um desenhador da câmara municipal, fulano de que gosto basto, daqueles maduros com quem se cria empatia porque, tendo profissão que lhe dá o direito de ser imbecil, bem, vejam lá e pasmem, não é. cruzamos-nos (eu de cebolas na mão, ele ia ficando com elas ao cumprimentar) e ficamos na palheta três ou quatro minutos. conversa profissional, nada para escrever aqui, apenas um gajo que olha e vê (o que até é a definição de simplicidade, julgo), mas no caso, há génio no que ele disse.
modéstia ao lixo, o que ele disse foi que eu tinha razão, antes de tempo, acerca de uma solução de que palhetamos há umas semanas valentes. mesmo sendo meu, génio é génio, e este nem é do mau, acalmou-me. espero que dure até me cruzar com a escrita nuca.
o inconveniente é que não tenho mania de me voltar para trás, ao andar, e a nuca, como é de conhecimento geral (em geral) e particular (para apreciadores), bem, fica nas costas, mesmo ao cimo delas, onde as massagens, simplesmente, se diluem. suponho que a sorte proteja os audazes, é o que se chama mérito. a nuca virá. talvez até fique.
se ficar, seguro que é por questões de simplicidade e génio. porque se for por outras, bem, para nada importante me serve....

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