
e agora, a nossa senhora de fátima (ler post anterior)!
hoje só posto indignação, é da maré (de manhã disse ao meu irmão que deve estar para acontecer algo muito, muito bom, porque tem sido só barracada... fosse eu supersticioso....).
ora bem, nem sei como nunca escrevi acerca da virgem. aqui vai:
eu admiro a fé das pessoas, o que elas retiram da fé que tem. a minha não está em deuses nem demónios, santos ou virgens, mas como quero que respeitem a minha, respeito a dos outros. tive uma educação de princípios cristãos e não lamento, porque em todas as religiões há coisas boas, e parece que é por essas coisas boas que se começa, com os catraios. depois, cresci. sou agnóstico convicto de que uma fé não me vai ajudar a ser quem quero ser. acredito (não tento, acredito mesmo, por isso escrevi no post anterior a minha vergonha) nas pessoas (há excepções, vocês sabem de quem eu estou a falar....). para terminar a introdução, não acho que haja uma fé melhor que qualquer outra ou uma maneira correcta de sentir fé mística.
e agora, à virgem:
vivia-se em estado novo, e três crianças viram a virgem, apareceu-lhes por trás de uma oliveira, acho (até aqui, é razoável, em puto eu vi tanta coisa). mas disso até hoje haver uma cidade pujante e dinâmica no local da oliveira, vai muito negócio. e o negócio chama-se aproveitamento descarado da fé das pessoas.
voltemos dois mil e picos anos no passado: uma mulher, digna e pura (ui, deus me livre dessas mais a mania delas de se enfiarem nas igrejas...) ficou grávida, sem sexo. o marido, digno e puro, mais a aldeia toda, vai de acreditar que tinha sido inseminação divina, coisa de anjo em forma de pomba. e da pomba mais a mulher pura e digna, que ainda no século passado entretinha pastoritos nas beiras, nasceu uma fé bi-milenar.
não adianta falar das aberrações (inquisição, autos de fé, guerras santas (sim, os cristãos já as faziam há séculos, agora é que são mal vistas pela cristandade), regras sexistas e retrógradas) ou das virtudes (fico-me pelo conforto espiritual que quem acredita retira). e qualquer outra fé terá as suas próprias aberrações e virtudes, não são exclusivo do cristianismo. até a minha as tem, profusas.
o que me incomoda, mais ainda que a chico-esperteza política, é a hipocrisia com que se bate nos paramentos a jurar histórias sem fundamento, mas lucrativas, muito lucrativas. aliás, se não fossem lucrativas, nem tinham arranjado as histórias...

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