mudei o fundo de ecrã, a questão do mundo que pula.
gosto de fotografar texturas, saem-me eloquentes. esta não é de minha casa (essa fase de remodelações já caducou ao tempo), é de um muro, prédio do quarteirão vizinho, a caminho do pingo doce.
imaginem uma coisa: houve uma altura em que este muro estava pintado de fresco, ficava uma palma marcada se encostassem uma mão. há quantos anos foi? 15, 30, 50? e o que é mais importante, a cor da pintura, que descasca, ou os inertes do muro, que, ocultos durante anos, agora se vêm e continuam a manter o muro vertical? o que é mais real, o muro bem pintado e apresentável ou o muro hoje, descarado? o que é importante, o que é perene, o que é mais visível ou o que deixa marcas? e se durar dois dias e marcar a vida toda, vale mais que uma vida toda sem marcas?
por escrever de marcas, há uma que guardo, por mais que o mundo pinche: um desenho do meu puto, no messenger...

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