domingo, 24 de maio de 2009

cheios e vazios



ando quase há uma semana com isto na ideia, sem saber bem como queria postar (a perspectiva com que se afirma algo é parte da afirmação), hoje de manhã cheguei lá. cá vai:

(...) uma porta não é uma porta se não tiver um palácio em volta, senão seria só um buraco, que digo eu, nem isso, porque um vazio sem um cheio que o circunde nem sequer é um vazio (...), escreveu umberto eco no "baudolino" (livro curioso, acerca de um personagem que passou a vida a inventar mentiras e tem dificuldade em reconhecer quais delas foram verdade...).

o que me atrai na arte (todas as manifestações, numas mais que noutras) é a capacidade de exprimir tão bem aquilo que sinto, uma questão de empatia, julgo. e também a capacidade de mostrar novas perspectivas, claro...

neste caso, umberto explica magnificamente a necessidade que um "nada" tem de algo, para sequer existir, o que torna compreensível atitudes pequenas, numa tentativa de captar atenção (a modos que alguém a bater uma porta ininterruptamente, até que alguém lhe diga: "já podes parar, já reparamos em ti"). compreensível, que não desculpável, claro...

1 comentário:

  1. ah, andaste a abrir portas :)
    será que a arte é indispensável a todos os seres humanos? cozinhar e criar filhos é uma "arte" também? ou remendar roupa? ou plantar batatas?
    na psicologia infantil ensinaram-me que se deve tomar conhecimento do que a criança diz ou faz, senão ela continuará a repetir o mesmo até que tomemos conhecimento. basta dizer-lhe : estás a bater com a porta?, que ela fica logo mais satisfeita. será que é o mesmo com os "adultos"?
    será que uma porta já existe antes de a vermos?

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