domingo, 3 de maio de 2009

algo para recordar para sempre



é mais um post com tema, este.

tenho muitas coisas que guardo há muito, provavelmente para sempre, o difícil foi escolher. o critério foi nenhum, lembrei-me de várias e esta foi talvez a que efeito mais profundo produziu em mim.

eu tenho escrito que as pessoas se salvam por outras, é a minha verdade. no caso que recordo, foi diferente, salvei-me sozinho. para ser preciso, até foi outra pessoa que me salvou, mas era uma pessoa que já não estava. passou-se assim...

eu estava sentado no chão da sala, estava sozinho há um ou dois dias, olhava para uma estrutura de vida que tinha perdido e tentava saber se tinha valido a pena tanto sonho. era noite, eu estava sentado no chão, chorava como um menino, mundo ao contrário. acho que tinha bebido, menino parvo.

chorava perdido, estava mesmo sem saber o que pensar, a questão que me prendia era "valeu a pena?". suponho que seja algo comum de pensar quando se perde algo importante, em que se acreditou. eu tinha os sonhos todos em cima daquela relação, em cima ou ao lado, e agora não tinha onde os pôr. estive para me perder, essa noite, muito perto.

o que me salvou, mais do que a resposta, foi a simplicidade e clareza que ela trazia. saltou-me o que tinha crescido, a diferença da pessoa que era há uns anos atrás para a que estava sentada no chão, lágrimas pela cara. a que chorava era uma pessoa que me agradava, sabia amar, confiar, querer coisas parvas, tomar decisões, correr riscos.

acho que vou recordar sempre essa noite, desde aí sei o que quero e que existe.

3 comentários:

  1. identifico-me perfeitamente com esta história. da minha idêntica (sobre a qual me pergunto se valeu a pena) apenas restou ódio, mas eu gosto do ódio. acho que o ódio também vale a pena, e o desprezo, essas coisas...

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  2. bruxa,

    odiar é bom, mas tem de ter limite temporal. porque é como os morangos, saboroso, mas com prazo de consumo, depois apodrece, principalmente em tarte.
    para mim, o truque é saber quando transitar do ódio (sempre presente) para a raiva (sempre disponível), suponho que é uma arte subtil...
    desprezo é completamente diferente, é uma garrafa de vodka guardada no frigorífico, eternamente disponível e sempre refrescante.
    com a vantagem de deixar a ressaca na outra pessoa (gargalhadas)!

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  3. Odio que é odio não apodrece, nem tão pouco desaparece.

    Embora os morangos na tarte fiquem realmente com mau aspecto, dizem-me que pera fica que nem «ginjas» ;-)

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