
sem sono. casa vazia, garganta a ameaçar inflamar, preocupações várias. noite estranha...
aliás, o mundo é um lugar estranho. temos de nos ralar com tgv's que vão passar onde não dá jeito nenhum (já sem escrever que o próprio tgv, de per si...), com inseguranças maldosas, com distâncias físicas para aqueles que amamos (não os puder abraçar...), com cartas que trazem contas em lugar de novas boas, com medos que vemos no pensar de quem vê curto.
a primeira vez que usei a expressão "há seres que são realmente humanos" foi em conversa amiga, há uma dúzia de anos, acerca de uma exposição de aguarelas de paul klee, no museu arpad/vieira da silva. são as maravilhas da arte, mostrar o mundo de uma perspectiva suportável, naquele caso, mesmo desejável.
parênteses (há pessoas que afirmam que certos desenhos, de tão infantis, poderiam ter sido desenhados por uma criança. costumam ter razão, e poderiam até ter a razão toda, se completassem dizendo que é fascinante alguém chegar à idade adulta e ser capaz de sonhar como uma criança. a mim fascina...).
bem, regressando a klee, a recordação dessas aguarelas ainda hoje me adoça as noites estranhas. tal como saber que cada noite que passa é menos uma noite para o fim da saga. e que tenho um nome para pronunciar, significado de promessas de noites melhores.
o mundo é estranho, mas pode ser suportável. desejável até.

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