quinta-feira, 17 de setembro de 2009

destino aleatório



acerca de destinos. já escrevi do tema algumas vezes, umas de forma centrada e outras mais marginal. hoje escrevo de uma forma exemplar (com exemplo....), motivado por divergência de opiniões (muito boas, estas divergências) com autora de outro blogue.

é fácil de aceitar que ninguém gere a sua vida completamente, em absoluto, porque há (mais de) mil factores externos que a influenciam (com quem nos cruzamos, com que disposição e disponibilidade essas pessoas estão no momento, que acontecimentos não provocados por nós nos influenciam, por aí).

relativamente a estes factores externos, ainda assim, há duas maneiras de olhar para a sua génese: são fruto de um ordenamento superior (conceito de deus, espiritualidade); ou apenas aspectos random, ocasionais, sequência aleatória das decisões pessoais de cada indivíduo e do seu impacto (igualmente aleatório) no ambiente em que interferem.

o que acontece, em complemento a esses factores, é a individualidade de cada indivíduo, que se manifesta em reacção a eles e/ou provocando-os (por reacção deles a atitudes nossas que, para eles, são externas).

ou seja, neste ponto de vista, somos parte do "destino" dos outros. o que me leva a duvidar da intervenção divina, porque para a aceitar pacífica teria de me considerar seu instrumento. pudendo estar errado, não mo considero.

custa-me a aceitar válida uma posição que aceite todos os avanços (por mais bárbaros que sejam, e muitas vezes são) da humanidade como mero fruto do destino (seja ele divino ou aleatório). no mínimo, aqueles que os promoveram (aos avanços), tomaram o seu (e nosso, por consequência) destino nas mãos dos sonhos.

o que me parece justo, a minha opinião de conforto, é que, surgindo factos aleatórios nos nossos percursos, constantemente, ainda assim temos (devemos ter) meios de os manipular, pessoalizar, tratar, gerir.

o exemplo: há uns dias atrás, numa conversa acerca de algo que aconteceu e me magoou, disse há pessoa com quem falava que tudo que me acontece é consequência das minhas escolhas e da minha capacidade de as fazer evoluir, de lhes acompanhar a evolução. é claro que há factores externos, e gente civilizada pede desculpa quando percebe que errou, mas se eu acreditei num sonho ou numa mentira, bem, fui eu que acreditei......

a consequência maligna de colocarmos a responsabilidade do que nos ocorre nos outros, é perdermos capacidade de ter impacto sobre isso, é retirarmos o destino das nossas mãos e o colocarmos, bem, não sei, mas não me agrada.

p. s.- tive de sair à pressa, duty calls. depois posto fotografia.

3 comentários:

  1. sim, eu concordo com o que dizes, especialmente no fim. a minha cena, e com a qual ninguém concorda, é que não somos nós que formamos a nossa personalidade, ela forma-se quando somos criancas (não tenho cê com cedilha) e adolescentes, por circunstâncias que nós não escolhemos. e é essa personalidade que nos vai fazer escolher isto ou aquilo mais tarde. logo, em última análise, tudo é exterior.
    foi isso que concluí, mas já não tenho muito a certeza da minha própria conclusão, pois entretanto também considero o factor "reincarnacão", e nesse caso já trazemos (dentro de nós) influências de outra vida. e assim isto acaba por ser um bocado como o paradoxo da galinha e do ovo, que, by the way, acho estúpido, pois é óbvio que primeiro surgiu a galinha, e não de um ovo, mas sim de uma evolucão. enfim... nice talking to you :)

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  2. nessa última análise, tudo é exterior, mas eu tenho de aturar gente que se desculpa com todas as parvoíces que faz com aspectos exteriores.
    não gosto da perspectiva porque não gosto das consequências.
    é-me mais confortável aceitar que nem tudo se resume a genética, reencarnações ou influências infanto-juvenis, e que há um momento (que na realidade é um período gradual) em que tomamos posse dos nossos destinos.

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  3. o que quero escrever é que prefiro uma perspectiva em que a uma pessoa seja permitido crescer por mérito e responsabilidade, em lugar de ser apenas aquilo que está pré-determinado, o que a desresponsabiliza.

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