
começaram as aulas, novo ano lectivo.
isto, pelas minhas bandas, significa que tenho os quarteirões vizinhos cheios de alunos do secundário (nem sei se ainda se chama assim) durante os dias. não há esplanada onde me sente que não estejam pipas deles.
uma coisa que me desgosta neles é um tremendo culto de imagem, que se revela quer no modo de vestir, de se mover, nas poses que adoptam, na preocupação de enquadramento, nos julgamentos de outros pela imagem.
por mais fraca opinião geral que tenha dos professores (e tenho, é outro assunto, penso que já escrevi acerca), neste ponto sinto que têm um papel mais inocente, é mais competência de pais passar-lhes valores prioritários. quer dizer, são os pais que lhes compram e gabam toda a parafernália de roupas e adereços em que se consubstancia o culto.
os putos são educados para tentar "fazer parte de" em lugar de "serem". não é uma perspectiva individualista, que raio, cada ser é único e deve preservar essa unicidade para se puder dar aos outros. o que lhes indicam é um caminho onde devem tentar fazer parte do grupo que é "melhor que eles" (barbaridade), que é um sucesso consegui-lo, e que é aceitável (e preferível) ter comportamentos sectários para tal objectivo.
vou contar um episódio que ocorreu há uns anos atrás: eu estava numa das minhas esplanadas favoritas, sozinho, e na mesa atrás da minha estava um casal (menino e menina) em conversa animada (eu ouvi a conversa toda, mas não os vi). o rapaz falava muito bem, abespinhava-se com ostentação dos adultos, verberava contra ferraris, propunha um mundo mais justo, em princípios fundado (eu, que já à época tinha impressão semelhante à que expressei acima, estava encantado, aquilo soava-me um pedaço a conversa de engate juvenil, mas estava por ele). a moça estava tão encantada quanto eu, pelo menos parecia, de encanto já anterior, mas ainda não concretizado, e, no meio do que ia apreciando o que ele dizia, saiu-se com uma pergunta de "gaja", típica, se ele gostava de um piersing que ela tinha novo (talvez fosse tatuagem, mas o significado é esse). ele respondeu que sim, que "lhe dava personalidade". porra, raispartó puto, estava a ir tão bem.....
nada contra piersings e tatuagens (pelo contrário), imagens personalizadas e o resto do pacote (pelo contrário), mas a personalidade não vem daí. talvez se possa argumentar que todo esse pacote é uma expressão da personalidade de cada um(a) (pode, apesar de ser irrelevante para este assunto), mas nunca se pode trocar causa por consequência.

lol!
ResponderEliminarah, e o piercing da foto é giro, by the way.
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