segunda-feira, 18 de maio de 2009

o que salva o mundo



nada mais simples, nada mais difícil, passe o exagero (há coisas mais simples e coisas mais difíceis). último post temático que saquei da cartola (gracias, bruxa, pela participação; groze, o terreno é teu, take your time).

podia ser uma pergunta e podia ter várias respostas, podia ser o início de uma afirmação que podia terminar de várias formas. a vida é feita de opções, cá vai a minha.

o que salva o mundo é continuarmos a sonhar.

o muro de berlin caiu; o nuno gomes marca golos; mandela recuperou a liberdade (nas suas condições!) ao fim de quase trinta anos; timor leste (por maiores que sejam as dores de crescimento) auto-determinou-se; há mil exemplos mais, e depois desses outros mil, e por diante.

luther king tinha um sonho, obama diz que é possível; pessoa escrevia que faltava concretizar portugal e agostinho da silva sabia que se concretizará (falta o quando, mas enquanto sonharmos...).

não chego ao extremo de dizer que o mundo pode ser salvo enquanto pelo menos uma alma sonhar, mas acho que não tem de ser todas (não que haja delas, almas, desprezáveis (desprezíveis há)) a contribuir, em simultâneo, algumas podem dormir descansadas na realidade diária sem que o mundo se perca irremediavelmente.

repito muitas vezes que o gustavo vai salvar o mundo, ninguém sonha mais nem melhor.

vendo mesmo bem, não é só o meu filhote, são todas as crianças. e todos somos (ou fomos) crianças de alguém, que nos ensinou a amar e sonhar (se não ensinou, pecou mortal, tinha obrigação de ensinar), mas muitos perdermos a prerrogativa pelo caminho. vendo ainda melhor, todos a perdemos, múltiplas vezes, de forma mais ou menos definitiva, pelo nosso caminho.

depois algo aconteceu, para a recuperarmos: alguém nos sorriu, abraçou, entendeu, perdoou; alguém fez uma música, escreveu um texto, representou uma performance, moldou ferro ou barro, fotografou algo; alguém cozinhou, construiu, limpou, curou; alguém riu, sorriu, chorou, gritou connosco; alguém nos disse "bom dia, pai, dormiste bem?", numa manhã esplêndida de liberdades reconquistadas.

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