
hoje escrevo de morte. escrevendo de morte, escrevo de falta de vida, falta de sonhos. há uns post's atrás, defini morte como o facto de deixar de viver (no sentido riquíssimo da expressão, de sonhar), por oposição a morte física, cérebro, coração, pulmões.
hoje, ao ler um blogue que sigo, li que alguém morreu. a uma pessoa que me é mui cara, há muitos anos, também alguém morreu, assim. faz-lhe falta, ainda e sempre...
por vezes, é apenas demais, somos apenas mortais, as coisas que amamos saem-nos das mãos, caiem e perdem-se. e deixa tudo de valer a pena.
não julgo, não condeno, apenas choro.
n' "o tigre e a neve", do benigni, há um poeta (um poeta!) iraquiano que se mata, porque deixa de acreditar no futuro do país (e com o país, toda a sociedade, todos os seus sonhos) que ama. fuad (jean reno) enforca-se numa árvore e é encontrado por attilio (benigni), um amigo que arranjou maneira de ir a bagdad, na mais bizarra busca pela salvação de vittoria (nicoletta braschi), la moglie della sua vita.
numa cena anterior do filme, informado pelo médico que vittora morrerá em quatro horas se não tomar determinado medicamento, de que o hospital não dispõe, attilio fica feliz, ilumina-se-lhe o rosto e afirma algo do género: "quatro horas? tanto tempo, quase dá para bebermos um café, primeiro...". estão em bagdad, debaixo de fogo, o hospital nem pensos tem e ele, porque ama e nem lhe passa pela cabeça que ela morra, fica feliz por haver uma solução. e, por acreditar, concretiza-a.
deixei em comentário, acho que é preciso ser louco para suportar tudo que nos cai em cima. é por isso que quando me atiram mesquindad me dá nojo, pena, raiva. feliz, sou louco suficiente para a remover...
porque o mundo é feito de opções pessoais que merecem respeito (por mais dor que provoquem), porque erramos todos os dias, mil vezes, porque gostamos de outros seres humanos, mesmo quando nos deixam para sempre, um carinho aos que partiram (e ficaram, na medida em que os amamos como amámos).

e se nunca morressemos, e apenas passássemos de uma dimensão para outra, sem repararmos? as pessoas nesta dimensão ficam com pena que tenhamos partido, mas nós não demos por nada e seguimos caminho noutra dimensão... há tantas religiões com teorias porreiras, como o budismo, sobre a reeincarnação, que não consigo ver a morte como o fim.
ResponderEliminaryou've got a point, there.
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