
p(ré).s(criptum).- na sexta foram as eleições no sporting, ganhou o bitencurto, julgo que para ficar tudo na mesma: muito paleio de finanças e o porto a festejar campeonatos (já nem é paliativo o benfica continuar uma anedota). adiante, escrevo o mesmo que disse o p. p. c., "é o meu presidente", o que me lembra o puto inseguro que temos a usar a nº 1 e acerca de quem tenho igualmente de escrever "é o meu redes"...
agora as europeias! muita coisa a escrever acerca, vamos por partes:
1º, ganhou a abstenção, como costume, e nenhum político parece ralar-se com o facto das pessoas não acreditarem neles para resolver os problemas que eles se candidatam a resolver. confesso que tenho no ideal políticos que agem por convicção, com quem se pode (e deve) concordar ou discordar, que defendemos ou criticamos porque eles merecem atenção.
em vez desses ideais de políticos com ideais, temos uma cambada de gente a tentar subir na vida à custa do serviço público (notem, é serviço para servir, não para se servirem, não é um detalhe). o que me leva ao
2º, as jotas.
protótipo de carreirismo mais despudorado, de gente que deveria vir a ter o futuro do país nas mãos e o vai continuar a deixar entregue a interesses económicos, acerca dos quais os jovens jotas salivam de antecipação. cachopo(a)s que não tem pudor de fazer figuras alarves para ficar bem visto(a)s pelo dono, na esperança que ele lhes atire um osso maior. os mais ambiciosos, em lugar de ambicionar mudar o mundo de acordo com o que acreditam deveria ser, ambicionam vir a ter o saco dos ossos para distribuir. o futuro do país merece melhor...
3º, como um mal nunca vem só, acontece que eu vivo quase ao lado do estádio e à mesma distância da sede do psd local, o que faz com que esteja há umas horas (e espero estar ainda outras tantas) a ouvir os carros da militância descer a rua a apitar (que importa que sejam tantas da noite, o partido ganhou e deve ser obrigação dos portugueses estar felizes pela melhoria que os condutores e buzineiros sentem nas suas oportunidades de "serviço público").
eu já vivi perto do recinto da queima, era uma semana de noites em branco, e eu nem ia aos espectáculos, não estudei cá e não sinto a febre. era muito mau, mas tinha a vantagem de ser uma parvoíce mais genuína, naif, gente que aproveitava a melhor altura na vida para cometer excessos. com os carreiristas, cada buzinadela grita hipocrisia e pouca vergonha.
4º, não sou grande adepto da democracia, apesar de ser o mal menor, se levarmos em conta a inviabilidade da anarquia (que seria perfeita se o mundo não tivesse tão elevada percentagem de incapazes, fica para outro post). ora a democracia, sendo um milhão de vezes melhor que qualquer ditadura (qualquer uma), sofre do mesmo problema que a anarquia, do mundo estar pejado de incapazes.
passo a explicar, o ideal que sustenta a democracia é o de representatividade dos eleitores, pelo que facilmente se percebe que cada população eleitoral tem os políticos que merece. sem desculpas. se temos uma cambada de aproveitadores, é porque votam neles, em democracia. vamos ver então porque isso acontece:
que leva um cidadão eleitor a votar em determinado partido ou candidato? a sua capacidade para o representar, a si e aos seus interesses (não os mesquinhos, atente-se), o seu potencial para desempenhar o cargo para que poderá ser eleito. tem a ver com parâmetros de honestidade, capacidade técnica, humanismo, características deste teor.
em vez, as pessoas escolhem por amizades, cunhas, compadrios, penteados e escolha de sapatos. está bem de ver que se um candidato, para se eleger, tiver de dedicar mais tempo ao shampoo ou aos saltos, não se vai ralar peva com questões de conteúdo político, porque estas não rendem votos e o(a) maduro(a) quer é ser eleito(a), aquela coisa de se servir do público...
nesta altura partilho um comentário que me relataram (dolorosamente credível) acerca de um político, autarca, que tendo sido preterido pelo partido para uma recandidatura, se apresenta como independente, arvorando como maior trunfo o facto de grande parte dos eleitores serem funcionários da autarquia (ou familiares), e eles saberem que com ele a presidente "não precisam de fazer nada".
é nestes momentos que fico saudoso do tempo em que estas coisas se resolviam a bengaladas.
5º, considerações práticas. começo por escrever que sou um fulano de esquerda, já me chamaram comunista e tudo (não é que me orgulhe ou envergonhe). escrevo porque cada um deve colocar-se onde se sente bem e não deve deixar ambiguidades.
na minha opinião, temos um p. m. tão fraco a p. m. como a arquitecto (no caso, engenheiro assinante). gosto de gente que não se amedronta com dificuldades, acho mesmo que é em tempos delas que é possível fazer as coisas mais importantes e difíceis, e o facto do senhor não ter vergonha na cara e mentir descaradamente não se enquadra.
acerca dos comunistas, são gente com garra, humilde, empenhada, mas tem algumas deficiências: há umas questões de comunismo internacional embaraçosas (muito, mesmo) e algumas regras internas que ficam a dever um pouco à liberdade.
o bloco é igual, com défice de convicção e superavit de populismo. tem fama de terem miúdas mais giras, mas não se comparam aos calcanhares de umas comunistas que eu conheço (foi um aparte)...
o pp é o exemplo acabado do que está torto e não se endireita. numa sociedade civilizada, já estavam a servir cachorros ou a transacionar acções.
o ps e o psd são iguais, semelhantes na ambiguidade, tão longe dos ideais de onde nasceram.
escrito isto tudo, ficam as pessoas. confesso que acho a ferreira leite uma mulher de armas. já sei que não tem jeito para campanhas, que o penteado é tremendo e parece que usa uns sapatos de fugir, que só chega a p. m. por um bambúrrio e amparada pelos coleguitas. mas xiça, a senhora não vai concorrer a miss ou speaker oficial, vai concorrer a p. m., os predicados que deveria ter são mais ou menos os que tem...

bah! não acredito na democracia, nunca acreditei, nunca votei. votar é perder tempo, escolher entre o palhaço da direita e o palhaço da esquerda. só voto em referendos, pois esses parecem funcionar.
ResponderEliminartoda a gente sabe (ou deveria saber) que os políticos são paus mandados pelas multinacionais, estão-se lixando para os respectivos países e populações, é tudo uma fantuchada e todos o sabem! é ridículo que as eleições (e os candidatos) não sejam anuladas quando há tanta abstenção, não há a menor diferença prática entre abstenção e voto em branco, por isso estou com todos os que não votaram, é para mim a melhor atitude. já sei que eu e tu temos ideias muito diferentes, e somos teimosos e convictos, mas pronto, fica aqui a minha opinião.