sexta-feira, 24 de julho de 2009

italianos



há um vendedor da cais que "conheço" há uma meia dúzia de anos. costuma estar pela ferreira borges, italiano, sessenta anos, magro, homem de passado, penso que tem um filho adolescente. as mais das vezes, cumprimentamos-nos de longe, um aceno. outras, umas palavras rápidas, circunstância, revista a mudar de mãos. raro, acontece parar-me, ficamos na conversa.

o raro calhou hoje. o homem anda triste, desiludido, porque não consegue arranjar trabalho para além das revistas (acho que eles não podem acumular outro trabalho, a ideia da cais é ser temporária, mas regras são para se descumprir). diz ele que está velho, que já não aguenta servir em restaurantes até às tantas, que ninguém arranja trabalho na idade que tem.

pior, depois espetou-me uma faca na alma: "não se pode confiar em ninguém!", acerca de dinheiros que não lhe terão pago.

eu sei que é verdade, que acontecem muitas dívidas por pagar, que mesmo gente honesta falha (porque não consegue continuar a ser ou porque, finalmente, com as facilidades da conjuntura, se encosta). mas chiça, para quem tinha acabado de postar benigni...

está bom de ver que o que os italianos dão com um filme, retiram com um comentário.

p.s.- piada xenófoba. pensei se a devia retirar, mas que raio, mais vale dizer piadas parvas que sê-lo.

p.p.s.- pensando bem: calhando, tudo se resume à nicoletta de cada um...

1 comentário:

  1. Só consigo acreditar que para todas as raças, países e nacionalidades, seja mesmo o teu último p.p.s. depende da nicoletta

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